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Por que cientistas criticam programa federal que prevê R$ 1 bi para reverter fuga de cérebros

Leia matéria de Roberta Jansen para o Estadão, publicada em 20/4:

O anúncio do programa do CNPq, órgão de fomento à pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia, para repatriar cientistas brasileiros vivendo no exterior caiu como uma bomba no meio acadêmico, uma parte dele em greve por reivindicação salarial.

  • O novo programa federal oferece bolsas de valores de R$ 10 mil a R$ 13 mil e verba para montar laboratório, além de plano de saúde e auxílio aposentadoria.
  • O objetivo declarado é combater a “fuga de cérebros”, dando aos cientistas incentivos para voltarem ao Brasil.

Cientistas de diversas instituições de pesquisa do País, além de entidades representativas da classe, como a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SPBC), consideram a repatriação de talentos uma iniciativa importante, mas criticaram a nova bolsa.

Ao Estadão, o presidente do CNPq, [o Acadêmico] Ricardo Galvão, disse que essa é uma iniciativa em meio a diversas outras do governo federal cujo objetivo é melhorar a infraestrutura das universidades e instituto federais e a indústria, abrindo vagas de emprego.

Afirmou ainda entender a revolta dos pesquisadores, por conta do sucateamento da ciência nos últimos anos, mas explicou que o montante não é suficiente para resolver o problema.

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Após uma década sem aumento, as bolsas de pós-graduação foram reajustadas no ano passado. A do mestrado foi de R$ 1,5 mil para R$ 2,1 mil e a do doutorado, de R$ 2,2 mil para R$ 3,1 mil. As bolsas de pós-doutorado subiram de R$ 4,1mil para R$ 5,2 mil. O valor total para todo o Brasil é de R$ 2,3 bilhões.

Já o novo programa, para trazer de volta mil expatriados, tem bolsas de R$ 10 mil a R$ 13 mil, além de verba para laboratório, plano de saúde e auxílio de aposentadoria, com investimento total de R$ 1 bilhão.

Na análise dos críticos, não faz sentido concentrar tanto recurso nos pesquisadores que estão no exterior e tão pouco nos que trabalham aqui.

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“O momento agora é de reconstruir a ciência com o material humano que está aqui no Brasil, gente que se formou aqui e gente que estudou lá fora e retornou por conta própria”, afirmou a bióloga Ana Lúcia Tourinho, da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), que fez doutorado na Universidade de Harvard, nos EUA. “Precisamos valorizar essas pessoas que estão aqui para que, daqui a dez anos, os pesquisadores que estão no exterior tenham vontade de voltar para cá. Hoje, não tem ninguém querendo voltar.”

Este é um outro ponto crucial levantado pelos críticos. Embora as bolsas do novo programa sejam muito mais altas do que as oferecidas por aqui, elas não seriam competitivas para pesquisadores brasileiros empregados em universidades nos Estados Unidos, Canadá ou Europa. Seriam atrativas apenas para os alunos que estão terminando a pós-graduação fora e não têm convite para trabalhar por lá.

“Nesse caso, não é repatriação de cérebros, né? Serão mesmo as melhores cabeças que estamos trazendo?”, questiona a biomédica Helena Nader, presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC). “Já temos aqui no Brasil muitos doutores que estão sem emprego, por que não contratar essas pessoas, então? Dar esse valor de bolsa para elas? Vamos trazer mais gente para ficar sem emprego? O valor das bolsas daqui aumentou, mas ainda está muito aquém da necessidade dos estudantes, não oferece plano de saúde nem tíquete refeição. As nossas universidades estão sem concurso e sem previsão de crescimento.”

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Leia a matéria na íntegra no Estadão

Crise na pós-graduação: evasão de pesquisadores prejudica ciência nacional

Leia matéria de Júlia Giusti para o Correio Braziliense, publicada em 21/4:

As condições de estudo e trabalho de pesquisadores da pós-graduação stricto sensu no Brasil, o que inclui mestrado e doutorado, são precárias e estimulam a evasão. É o que apontam especialistas, que avaliam que os principais fatores que levam ao abandono dos programas são valores insuficientes das bolsas de pesquisa, falta de direitos sociais, como aposentadoria, e má absorção desses profissionais no mercado de trabalho após a conclusão dos cursos.

Esse cenário de evasão da pós-graduação gera impactos na produção científica do país, que, segundo dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), é realizada por mestrandos e doutorandos em 90% dos casos.

O assunto foi debatido na Comissão de Educação do Senado, em março, a pedido da senadora Teresa Leitão (PT-PE), que destaca a necessidade de “investimento financeiro, políticas de aprimoramento da pós-graduação e melhores condições de estudos para execução da pesquisa”.

Em 2023, as bolsas de mestrado e doutorado da Capes e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) foram reajustadas. Os valores, que estavam congelados desde 2013, sofreram aumento de 40%. Com isso, bolsas de mestrado passaram de R$ 1.500 para R$ 2.100, enquanto as de doutorado subiram de R$ 2.200 para R$ 3.100.

O orçamento da Capes em 2023 foi 50% maior do que em 2022. No primeiro ano do atual governo, a agência investiu R$ 5,4 bilhões na pós-graduação e em programas de formação de professores. No ano anterior, os valores totalizaram R$ 3,6 bilhões.

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Segundo [a Acadêmica] Denise de Carvalho, presidente da Capes, o interesse em cursar mestrado e doutorado diminuiu nos últimos anos, o que foi motivado pelo baixo valor das bolsas antes dos reajustes e também pelos cortes em ciência e tecnologia entre 2019 e 2022, que chegaram a uma redução de 87%. Com aumento das bolsas e o fim da pandemia de covid-19, porém, o ingresso na pós-graduação voltou a crescer.

“Em vez de continuarem estudando, as pessoas entraram no mercado de trabalho menos qualificadas por falta de esperança de que teriam financiamento para continuar os seus estudos”, explica. “Agora, os pesquisadores ingressam com a perspectiva de que podem continuar se qualificando profissionalmente”.

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A presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Helena Nader, comenta que a desvalorização do mestrado e doutorado no Brasil é decorrente da importância dada à ciência no país: “Em outras regiões do mundo, como nos Estados Unidos e na Europa, eles acreditam na relevância da ciência, o que se dá através de investimentos. No Brasil, a ciência ainda é vista como gasto”.

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Leia a matéria na íntegra no Correio Braziliense. 

Acadêmico é indicado para diretor de Avaliação da Capes

O  Acadêmico Antônio Gomes de Souza Filho foi nomeado para exercer o cargo de diretor de Avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior  (Capes), decisão publicada em DO no dia 10 de abril.

Gomes concluiu o doutorado em Física pela Universidade Federal do Ceara (UFC) em 2001, com a realização de estágio sanduíche no MIT-EUA durante o ano de 2000. Atualmente é professor do Departamento de Física da UFC, tendo atuado como pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal do Ceará de 2016 a 2019. Atuo também como pesquisador visitante da Unicamp (2009-2010). Atua na área de física da matéria condensada com ênfase em nanociência e nanotecnologia e é bolsista de produtividade do CNPq, nível 1A.

Foi tesoureiro da Sociedade Brasileira de Física (2017-2019) e membro do Conselho  (2019-2021). Atuou como cientista chefe da Fundação Cearense para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap) do estado do Ceará (2019-2022). Foi nomeado coordenador da área de Astronomia/Física na Capes (2022 -2026), onde também integra o Conselho Técnico Científico (CTC) como membro titular desde 2023. 

Publicou 260 artigos em periódicos internacionais especializados. É autor e co-autor de sete artigos de revisão convidados e cinco capítulos de livros (springer-verlag). É co-autor do livro “Solid State Properties From Bulk to Nano”, publicado pela Springer-Verlag em 2018. Orientou nove dissertações de mestrado e co-orientou três. Orientou 11 teses de doutorado e co-orientou cinco. Supervisionou dez estágios de pós-doutorado.

Participou de projetos de colaboração internacional com as universidades de Tohoku (Japão) e de Lyon-1 (França), e também no MIT (EUA). Ministrou várias palestras e seminários como convidado no Brasil e no exterior, organizou eventos nacionais e internacionais e participou de vários comitês científicos de eventos internacionais consolidados. É consultor de várias agências de fomento e árbitro regular de várias revistas científicas.

Foi agraciado em 2009 com o prêmio Somiya da International Union of Materials Reserach Societies 2009 for the Collaborative Work on Carbon Nanostructured Materials. Recebeu em 2018, da Presidência da República do Brasil, a Comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico – Classe Comendador. 

Foi membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências (2011-2015) e eleito membro titular em 2018. Atuou como membro do Conselho Consultivo da ABC (2019-2021). Em 2024, foi eleito fellow da The World Academy of Science (TWAS). 

Conferência Livre do GT de Ensino Superior: 3ª e 4ª Sessões

01No dia 8 de abril a Academia Brasileira de Ciências (ABC) promoveu a Conferência Livre “Modernização da estrutura de ensino superior brasileira para o desenvolvimento socioeconômico sustentável”, organizada pelo grupo de trabalho sobre Ensino Superior Brasileiro da ABC. A reunião fez parte do calendário preparatório para a 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (5ª CNCTI).

A primeira mesa da parte da tarde teve como tema a criação de centros de formação de recursos humanos em áreas estratégicas. A proposta do grupo é de seis áreas: Bioeconomia; Agricultura e Agronegócio; Transição Energética; Saúde e Bem-Estar; Transformação Digital e Materiais Avançados e Tecnologias Quânticas.

José Roberto Piqueira

O engenheiro e professor da Escola Politécnica da USP José Roberto Piqueira lembrou que a procura pela área de exatas vem encolhendo nas universidades e que, dos que ingressam, apenas 16% concluem a graduação. Para piorar o cenário, muitos desses empregos estão em áreas diferentes da formação original.

Para ele, o atual modelo das universidades é muito engessado e não engloba as diferenças regionais do Brasil, nem se esforça para integrar questões a realidade de um grupo cada vez mais diverso de alunos.  “Uma experiência que eu fazia em sala de aula foi agrupar alunos de diferentes origens socioeconômicas e pedir para que descrevessem a eletrificação de suas casas, isso mostrava a todos as diferenças sociais em infraestrutura”.

Mas não é apenas a engenharia elétrica que precisa dialogar com a realidade, praticamente qualquer área tecnológica disposta a desenvolver inovação precisa entender os problemas da sociedade. “Sabem por que o Brasil se desenvolveu tão rápido em automação bancária? Por causa da hiperinflação da década de 80. Se a transação não fosse rápida se perdia dinheiro, então os banqueiros trouxeram para si engenheiros de sistemas que criaram uma competência muito grande na área”, exemplificou.

O novo aprendizado deve ter amplitude, pois ninguém sabe o que os alunos vão precisar daqui a 50 anos. A interdisciplinaridade já se tornou um mantra, mas é preciso leva-la a sério, compreendendo quais as inquietações dos novos alunos e aceitando que estes são diferentes dos alunos de 20 anos atrás.  “Eu sou engenheiro, não é importante para mim saber falar sobre correntes filosóficas, mas é importante que eu saiba ouvir. Da mesma forma, para um historiador, não é importante que ele saiba construir uma ponte, mas é importante que ele saiba ouvir e compreender sobre esse processo”, finalizou.

Centros de Formação de Recursos Humanos em Áreas Estratégicas (CFEA)

Adalberto Fazzio

O físico e Acadêmico Adalberto Fazzio, diretor-fundador da Ilum Escola de Ciência, graduação integrada em ciências associada ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas, afirmou que o modelo de produção de ciência no século 21 precisa diminuir a ênfase na relação mestre-aprendiz, que ainda remete ao século 19. “O jovem precisa estar desde cedo num ambiente que estimule sua independência científica. Hoje em dia nossos alunos vão atingir essa independência muito tardiamente, após doutorados e pós-doutorados, já beirando os 40 anos”.

Fazzio lembrou que a ABC produziu uma série de documentos temáticos que servem como guias para introduzir os assuntos e também ajudaram a definir as áreas estratégicas. Ele reforçou que o país precisa ter áreas prioritárias. “Já conheci reitores cuja mentalidade para a divisão de recursos era dividir igualmente por todas as áreas. Não pode ser assim, é preciso entender as demandas de cada área e, sobretudo, é preciso definir quais são as prioridades. No Brasil temos uma dificuldade enorme em fazer escolhas”, avaliou.

A ideia dos CFEAs é justamente trabalhar em torno dos temas prioritários, trazendo grupos de pesquisa diversos para pesquisar com um olhar atento aos problemas da sociedade. É preciso entender quais são as demandas da indústria e superar o preconceito mútuo entre academia e setor privado. “Precisamos de centros com metas claras de desenvolvimento de inovação, não apenas inovação tecnológica mas novos modelos de negócio, estimulando startups”.

Para o bioquímico Jorge Almeida Guimarães, ex-presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), o foco deve ser a inovação, mas tendo em mente quem será beneficiado por ela. Ele lembrou que os pilares da inovação são a presença de talentos científicos, instituições qualificadas e empresas de ponta, além de investimentos do Estado e o incentivo à cultura do empreendedorismo pessoal – tudo isso, para algumas áreas pelo menos, o Brasil já tem.

O Acadêmico Jorge Almeida Guimarães participou de forma virtual

Os desafios estão justamente em fazer todos esses fatores dialogarem. Além da gigantesca burocracia estatal e dos imbróglios jurídicos e regulamentares com que pesquisadores precisam gastar tempo, é preciso superar a resistência empresarial à inovação aberta e nacional. “Precisamos reduzir o Custo Brasil e operar o modelo tripla-hélice – investimentos conjuntos de governo, universidade e empresa – em larga escala”, afirmou.

Para ele, o modelo dos CFEAs deve ser iniciado com chamadas públicas, desenhadas por agências de fomento, para selecionarem, à princípio, 15 grupos de pesquisa de comprovada liderança nas áreas. Esses grupos serão credenciados como CFEAs e vinculados à uma universidade sede, mas manterão certas autonomias. “Eles não podem ser engessados na estrutura da universidade, a autonomia precisa estar desde o planejamento de ações, na alocação de pessoal e recursos e na assinatura de contratos. O principal é ter autonomia decisória”.

Um novo ensino superior para a Amazônia

Adalberto Val

Durante a mesa final do evento, o biólogo e vice-presidente da ABC para a Região Norte, Adalberto Luis Val, defendeu que novos modelos precisam ser pensados, inclusive, como forma de superar um problema histórico da educação superior brasileira: a falta de interiorização. “A Amazônia segue com investimento muito baixo em capacitação. Dessa forma, segue sendo incapaz de gerar soluções robustas para as questoes ambientais e sociais, para a geração de uma bioeconomia. Estamos em 2024 e o conhecimento segue sendo gerado pela sociedade externa à Amazonia”, avaliou.

Isso gera contradições notáveis. A maior parte da produção científica sobre produtos florestais – como a castanha, o açaí, o cacau e peixes como o tambaqui e o pirarucu – acontece no exterior. Nenhum dos peixes amazônicos, tão importantes para a dieta da região, está inserido no mercado global, gerando dividendos para a região. Entretanto, algumas espécies, como o pacu-vermelho, já estão sendo criadas e vendidas por países asiáticos. “Por aqui essas cadeias de valor ainda estão no nascedouro. Uma bioeconomia forte depende de desvendar o conhecimento escondido na floresta”.

Mas essa produção ainda escorrega e a região sofre para fixar pesquisadores. Há uma divisão muito desigual entre as unidades de pesquisa na parte Atlântica e no interior do Brasil. “Há uma nova linha de Tordesilhas que separa onde se faz ciência de onde não se faz. Ainda em 2005, na época em que Jorge Guimarães presidiu a Capes, foi definido que todos os alunos matriculados em pós-graduações reconhecidas na Amazônia receberiam bolsa. O objetivo era fazer com que se fixassem, mas desde então avançamos pouco”.

Fator Tordesilhas – Mapas apresentados por Adalberto Val

Para Val, o novo Sistema Nacional de CT&I não deve ser pensado a partir de modelos homogeneizantes, muito pelo contrário, devem entender a diversidade como positiva e conectada às diferenças de cada sociedade. É preciso fomentar a colaboração e novas formas de organização de grupos de pesquisa, capacitando pessoal sempre com o olhar voltado à demanda da região.

“O dinamismo do mundo moderno não combina mais com a rigidez das áreas de conhecimento convencionais. Precisamos de um sistema mais flexível em que as instituições tenham autonomia de gestão, de aplicação de recursos e na definição de prioridades. Não basta mais publicar nas melhores revistas do mundo, é preciso contribuir com a sociedade”, finalizou o Acadêmico.

 


Acesse as notícias sobre as outras sessões do evento!

Conferência Livre do GT de Educação Superior: Primeira Sessão

Conferência Livre do GT de Educação Superior: Segunda Sessão

Conferência Livre do GT de Educação Superior: Segunda Sessão

A segunda sessão do evento promovido pelo GT de Educação Superior da ABC com o tema “Modernização da estrutura de ensino superior brasileira para o desenvolvimento socioeconômico sustentável” contou com apresentações de Luiz Augusto Campos e dos Acadêmicos Débora Foguel e Marcelo Knobel. O Acadêmico Ado Jório de Vasconcelos foi o moderador.

O foco da mesa era o combate à evasão, melhorias do processo de seleção dos ingressantes e o estímulo à sua permanência na instituição, pela adoção de um modelo flexível que permita ao estudante definir seu itinerário acadêmico.

Diploma de nível superior no Brasil hoje tem vários significados

O doutor em Sociologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Luiz Augusto de Souza Carneiro de Campos, onde atua como professor adjunto de Sociologia e Ciência Política no Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP-UERJ), atua em pesquisas sobre desigualdades raciais e democracia, e cienciometria. Ele é editor-chefe da revista DADOS e colunista do jornal Nexo. Coordena o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e o Observatório das Ciências Sociais (OCS). Na ocasião, falou sobre as mudanças recentes e os desafios futuros para o ensino superior público no Brasil.

“Havia um sistema de transição específico. No ensino básico, as escolas públicas têm menor qualidade e o ensino privado, pago, tem qualidade superior.  Já no nível superior, a relação era inversa. Então o sistema era invertido, havia uma reprodução das desigualdades”, ressaltou Campos.

O processo de massificação e diversificação, com as ações afirmativas, mudou o sistema como um todo. “Essas mudanças serviram para mitigar as desigualdades. Houve uma diversificação étnico-racial e socioeconômica, sendo esta última a maior diferenciação interna.

Luiz Augusto Campos mostrou que, em 2001, a classe A ocupava 55% das vagas no ensino superior público e hoje ocupa 28%. A soma das classes C, D e E reponde por 50% das matrículas. “A universidade não estava preparada para isso e passou a procurar ‘dar seu jeito’.  Alguns cursos conseguiram resolver bem o desafio; outros, nem tanto. “Nos cursos de engenharia e medicina houve inclusão, mas muito menor do que nas outras áreas”, destacou.

Tratando do problema da evasão, Campos apontou que ela não se distribui de forma equânime em relação a gênero, raça e socioeconômica. “Não há diferença entre cotistas e não cotistas, mas ocorre com muito mais frequência com as mulheres e os homens negros”, relatou.

A evasão, de acordo com o sociólogo, tem questões internas. Campos ressaltou que o SISU demora muito a oferecer opções para os alunos. “O indivíduo queria medicina, não passou, mas deu pra entrar em enfermagem. Aí ele não gosta e consegue uma vaga em outra universidade ou na mesma; abandona a enfermagem e ocupa essa outra vaga. Então ele é computado como evadido, sendo que às vezes foi apenas transferido”, explicou. Outro problema são as milhares de opções que, quando apresentadas, provocam muitos erros de escolha por parte dos alunos, já que nosso ensino médio não prepara para a escolha de carreira.

Mas Campos vai além do diagnóstico, aponta soluções. Ele propôs a adoção de ciclos básicos, num sistema baseado em seleção por grandes áreas e especializações posteriores. Essa organização em grandes áreas implicaria na redução do número de opções no SISU e viria acompanhada das diplomações do ciclo completado, o que facilitaria a entrada no mercado de trabalho e reduziria o abandono.

“Além dos diplomas intermediários, que existem na maioria dos países, o novo sistema abriria múltiplas entradas no ensino superior e possibilitara também um maior trânsito entre áreas. A pessoa poderia receber um diploma com dois anos de curso, outro depois de mais dois anos numa área macro e mais um, depois de um ano se especializando numa área micro”, avaliou Luiz Campos.

O sociólogo abordou ainda o problema crônico da permanência dos alunos nos cursos. “É preciso que haja uma política de permanência unificada, que venha a fundir as políticas nacionais existentes e unificar os programas locais. E precisam ser simplificadas, com redução das complexidades burocráticas”.​

Fatores que podem levar à mobilidade ou evasão são extremamente diversificados

A Acadêmica Débora Foguel, doutora em Bioquímica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é professora titular do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis da UFRJ. Segundo seus estudos e sua experiência, a evasão é maior é nos dois primeiros anos, período que Foguel chama de “Vale da Morte”. “Nas licenciaturas, a evasão é muito grande. Na licenciatura em física, 70% evadem”, apontou.

Ela falou sobre as dificuldades de se obter informações sobre evasão. “Não temos dados, não sabemos quando é evasão ou quando é mobilidade. Os levantamentos não possibilitam identificar as razões ou os fatores que ocasionaram a evasão, que podem estar relacionadas aos próprios estudantes, ao curso e à instituição ou a aspectos socioculturais e econômicos externos”, relatou.​ De fato, conhecer as causas da evasão permitiria que a instituição e os governos desenhassem estratégias e políticas adequadas para mitiga-la.​ “Nada é monitorado, é preciso termos dados robustos”, apontou. 

Procurando então identificar os fatores que podem levar à mobilidade ou evasão, Foguel compreendeu o quanto são diversificados. Podem ser relacionados a características individuais dos estudantes, como habilidades de estudo​, formação escolar anterior​ deficiente, incompatibilidade entre a vida acadêmica e as exigências do mundo do trabalho. “Muitas vezes há uma desmotivação dos alunos com cursos escolhidos em segunda ou terceira opção​. Já vi turmas inteiras em odontologia, por exemplo, onde nenhum tinha escolhido o curso como primeira opção”.

Há também fatores internos das instituições que levam o aluno a abandonar o curso, como currículos desatualizados, falta de formação pedagógica ou desinteresse dos docentes, o que pode levar a ​critérios impróprios de avaliação do desempenho discente​, uma cultura institucional de desvalorização da docência na graduação​. “O pequeno número de programas institucionais para o estudante, como iniciação científica, monitoria etc.​, também desestimula ou até impossibilita a permanência do estudante no curso, assim como a estrutura de apoio insuficiente, como laboratórios de ensino e equipamentos de informática, por exemplo”. E há os fatores externos, como necessidade de trabalhar e consequente falta de tempo para estudar, por exemplo. 

Pesquisando sobre o tema, Débora Foguel encontrou num relatório do grupo SoU_Ciencia (um centro de estudos formado por pesquisadores e em diálogo com a sociedade que visa contribuir para as políticas públicas e a valorização da ciência brasileira), uma tese de doutorado de um aluno da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Gustavo Bruno de Paula, intitulada “Desigualdades Sociais e Evasão no Ensino Superior: uma Análise em Diferentes Níveis do Setor Federal Brasileiro” ​e orientada pelo Prof. Cláudio Marques Martins Nogueira.

Eles analisaram uma amostra de 184.936 estudantes ingressantes em 2016 e estudaram cuidadosamente a evasão. “Conseguiram separar as duas categorias, evasão ou mobilidade, e a pesquisa mostrou que 93% dos evadidos estavam cursando outra coisa um ano depois”, apontou a Acadêmica. Ela levantou alguns tópicos que mereciam destaque:

  • A maior parte dos ingressantes era composta por estudantes negros e por aqueles que concluíram o ensino médio nas escolas públicas.
  • Estudantes brancos vindos da rede privada estavam nos bacharelados de maior prestígio, ao passo que os negros estavam mais nas licenciaturas.
  • Estudantes de licenciaturas e bacharelados de menor prestígio tinham mais probabilidade de evadir mais do curso.
  • Cursos noturnos tinham mais negros oriundos de escolas públicas.
  • Negros oriundos de escola pública receberam mais apoio social.
  • Não havia diferença quanto a participação de negros e brancos em atividades extracurriculares.
  • Estudantes que recebiam apoio social ou participavam de atividades extracurriculares tinham mais probabilidade de permanência.
  • Estudantes mais velhos evadiam mais do que os mais jovens.
  • Mulheres não evadiam mais que homens.
  • Cotistas não evadiam mais que não-cotistas.
  • Negros não evadiam mais que brancos
  • Estudantes dos cursos noturnos não evadiam mais que os dos cursos diurnos.

Enfim, Foguel alertou para a urgência de uma reforma do modelo de universidade e questionou alguns tópicos repetidos em discussões sobre o tema. Ela apontou que sim, é preciso que a universidade seja mais relevante. “Mas para quem?” É preciso que esteja mais conectada às necessidades do setor empresarial. “Sim. E por que não para as necessidades dos pequenos produtores, movimentos sociais, governos e outros setores da sociedade?” Precismos de uma universidade que dê menos aula e que deixe mais tempo livre para os estudantes. “Pode ser. Mas quando eu fecho a porta da minha sala de aula, ali é meu mundo com minhas alunas e alunos”.

Uma nova abordagem para o sucesso da educação superior brasileira 

O Acadêmico Marcelo Knobel, físico, reitor da Unicamp entre 2017 e 2021, apresentou um caso de sucesso: o Programa de Formação Interdisciplinar Superior (ProFIS) da Unicamp, que ele ajudou a criar e que provou que é possível se implementar soluções muito simples e alcançar excelentes resultados.

Quando foi reitor, Knobel tinha metas. Uma delas era desconstruir o vestibular, para oferecer um futuro a estudantes com menos oportunidades. Foram criadas, então, outras formas de ingresso na Unicamp: a entrada pelas Olimpíadas de Matemática, pelas cotas raciais, um vestibular indígena feito em São Gabriel da Cachoeira, no estado do Amazonas, além do ProFIS. Hoje são seis modalidades diferentes pelas quais alguém pode se tornar aluno da Unicamp.

O Acadêmico contou que pensava que o ProFIS seria replicado pelo Brasil afora, que outros fariam algo parecido, mas isso não aconteceu. “Internacionalmente repercutiu muito, até hoje eu sou chamado pra falar do programa. Mas aqui ainda é novidade”.

Para contextualizar, ele apontou que 60% das escolas públicas de Campinas nunca tinham colocado um aluno na Unicamp.  “O vestibular da Unicamp tem 70 mil candidatos para 3.300 vagas. Sabendo da dificuldade pra entrar, os jovens de baixa renda ou de escolas mais fracas nem prestavam o vestibular”, destacou. A proposta então era tentar furar essa bolha.

A distribuição das 120 vagas é feita por meio de cotas geográficas para as 96 escolas de ensino médio de Campinas, oferecendo no mínimo uma vaga por escola. “Temos escolas de excelência e outras fracas.  A vaga é para o melhor estudante daquela escola, naquele ano. Ora, há estudantes excelentes em escolas ruins e vice-versa. Então, alunos não tão bons, que são os melhores de escolas fracas, entram”.

Depois de dois anos de discussões, foi estabelecido, em 2011, o ProFIS – um programa universitário interdisciplinar de educação geral, de dois anos, visando a inclusão social. Nesse período, os estudantes têm acesso a um currículo bastante diverso, visando o desenvolvimento das chamadas “soft skills”. As disciplinas envolvem análise crítica, comunicação oral e escrita, trabalho em equipe e solução de problemas, pesquisa quantitativa e qualitativa, inglês, literatura, matemática, estatística, humanidades, artes, ciências naturais, mudanças climáticas, ciências da saúde, enfim, oferecem uma ampliação da visão de mundo.

Depois desses dois anos iniciais, cada estudante, baseado no seu desempenho, pode escolher qualquer curso dentro da Unicamp, de acordo com as vagas oferecidas. Os cursos têm liberdade para oferecer vagas para egressos do ProFIS. “Usamos as vagas ociosas, não precisamos criar vagas novas”. No início, a medicina ofereceu duas vagas. Mas, segundo Knobel, deu tão certo que agora a medicina oferece dez vagas. “É um curso com 300 candidatos por vaga no vestibular. Dez delas são oferecidas para os alunos egressos do ProFIS.”

Com a implementação do programa, o perfil da Unicamp mudou. “O percentual de pretos e pardos aumentou muito. No ProFIS, 80% dos estudantes tem renda familiar per capita menor que um salário mínimo e meio”.

No caso de alunos em situação de renda familiar muito baixa, o ProFIS oferece bolsa especial de um salário mínimo e meio. Outros alunos têm bolsas de valor menor. “Mas todos recebem transporte, alimentação, suporte médico e psicológico, assistência social e têm muitos monitores para ajudar no estudo de línguas, por exemplo, e dar apoio em outras dificuldades que os alunos do ProFIS possam ter.”

Enfim, o programa conseguiu de fato efetivar a inclusão social. Hoje, existe uma fila de professores da Unicamp querendo ensinar no ProFIS, de acordo com Knobel. Ele afirmou que os estudantes são diferenciados e que depois que entram nos cursos tradicionais, performam no mesmo nível dos estudantes que entraram pelo vestibular.

“Temos que pensar fora da caixa para conseguir não mudar nada que já existe, mas criar coisas novas”, concluiu o Acadêmico.


Acesse as outras matérias  do evento!

Conferência Livre do GT de Educação Superior: Primeira Sessão

Conferência Livre do GT de Ensino Superior: 3ª e 4ª Sessões

A gratuidade da universidade pública está longe de ser suficiente

Kaio Vitor Ferreira Costa tem 18 anos e vem de Rolim de Moura, município de 56 mil habitantes na zona rural de Rondônia, 480 km ao sul de Porto Velho. Filho de agricultores, cresceu na chácara familiar. Conta que entre suas primeiras lembranças está ter ganhado uma caixa de giz e um pequeno quadro, “onde aprendi a escrever o nome e fiz minhas primeiras continhas”.

O incentivo dos pais ao estudo rendeu frutos: Kaio foi três vezes medalhista da Obmep (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas), criada e realizada pelo Impa em todo o país desde 2005. Em 2023, ele concluiu o ensino médio.

Para jovens de família humilde, o passo seguinte não é evidente. A gratuidade da universidade pública é um instrumento crucial de mitigação da desigualdade social. Mas está longe de ser suficiente, pois as despesas de deslocamento e subsistência na cidade grande, para não falar no material didático, não estão ao alcance de todos. Muitos jovens promissores ficam pelo caminho, pela mais injusta das razões.

É preciso ir além, apoiando financeiramente os mais talentosos e mais necessitados. A própria Obmep-Impa oferece bolsas de estudos universitários financiadas por recursos públicos e privados. E agora o Impa está dando um passo maior nessa direção ao criar o Impa Tech, o seu curso de graduação em matemática da tecnologia e inovação.

(…)

Leia o artigo completo na Folha de S. Paulo.


 

O Acadêmico Marcelo Viana, diretor do Impa, na inauguração do IMPA Tech (Foto: Palácio do Planalto)

Acadêmico conquista o “grand slam” das palestras sobre ciência dos materiais vítreos

O Acadêmico Edgar Dutra Zanotto, professor sênior do Departamento de Engenharia de Materiais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e coordenador do Lab de Materiais Vítreos (LaMaV), foi agraciado com a Frontiers of Glass Science Lecture, um dos prêmios mundiais mais importantes da área de ciência dos materiais vítreos, concedido pela American Ceramic Society (ACerS).

Essa distinção é concedida anualmente a um cientista que tenha feito contribuições excepcionais para o avanço da ciência dos materiais vítreos. A lista de palestrantes anteriores desde 2013 inclui nomes de destaque dos Estados Unidos, Canadá, França, Alemanha e Japão.

A Frontiers of Glass Science Lecture se junta a outras três palestras de prestígio que o Professor já ministrou:

Willian E.S. Turner Memorial Lecture 2014 (Society of Glass Technology, Reino Unido)
Alfred Cooper Distinguished Speaker 2016 Lecture (ACerS, USA) e
Samuel Scholes Memorial Lecture 2019 (Alfred University, USA).

Com este prêmio, Zanotto é o primeiro pesquisador a completar o “grand slam” das palestras em sua área de expertise, um feito que consolida a posição do LaMaV como um dos principais grupos do planeta sobre materiais vítreos.

A palestra, intitulada “Desvendando a Nucleação de Cristais em Líquidos Super-resfriados e Vidros”, será ministrada em maio, em Las Vegas, nos Estados Unidos. Nela, o  Acadêmico compartilhará suas pesquisas sobre a cristalização de vidros, um tema fundamental para o entendimento e desenvolvimento de novos materiais.

Zanotto se mostrou surpreso e honrado com a premiação. “Ainda estou tentando descobrir quem me indicou secretamente, mas me sinto motivado a apresentar uma palestra que inspire a próxima geração de cientistas de materiais. É sempre prazeroso e motivador ver a ciência nacional brilhar no exterior”, comentou. “Aproveito a oportunidade para agradecer aos meus inúmeros estudantes e colaboradores, assim como ao apoio contínuo da Fapesp, Capes e CNPq durante quase cinco décadas décadas.”

Acadêmica Niède Guidon é contemplada com o Prêmio Almirante Álvaro Alberto 2024

Diretora presidente Emérita da Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM), a arqueóloga [e Acadêmica]  Niède Guidon será a laureada da edição 2024 do Prêmio Almirante Álvaro Alberto para a Ciência e Tecnologia, concedido pelo CNPq em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e com apoio da Marinha do Brasil. A cerimônia de premiação será na Escola Naval do Rio de Janeiro, no dia 8 de maio de 2024, [em cerimônia que também dará posse aos novos membros da Academia Brasileira de Ciências].

Graduada em História Natural pela Universidade de São Paulo, em 1959, e com doutorado em Pré-História, realizado na Université Paris 1 Pantheon-Sorbonne (1975), Guidon foi diretora presidente da FUMDHAM de 1986 a 2019 e é membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC). Ao longo de sua carreira, ela identificou mais de 700 sítios pré-históricos, entre os quais 426 paredes de pinturas antigas e evidências de habitações humanas antigas no Parque Nacional Serra de Capivara, no Piauí.

Responsável pela preservação, desenvolvimento e gestão desse parque, bem como pela proteção da flora e fauna ameaçadas de extinção, Guidon criou no parque um centro cultural e museu, além da FUMDHAM, no município piauiense de São Raimundo Nonato.

Reconhecendo a importância da participação local para o desenvolvimento social, a pesquisadora criou núcleos de apoio comunitário que prestam serviços sociais e cuidados de saúde e educação às comunidades locais, bem como treinam pessoal local em ecologia, restauro e pré-história.

Com seus estudos, Guidon gravou mais de 35 mil imagens, publicou mais de 100 artigos e formou número relevante de alunos de pós-graduação. Ela também foi premiada diversas vezes. Em 2005, recebeu a Ordem do Mérito Científico, Grã-Cruz, do MCTI; o Green Prize, Paliber; e o Prêmio Príncipe Klaus, esse último concedido pelo governo holandês. Em 2013 recebeu o Prêmio Fundação Conrado Wessel de Cultura. Em 2014, Guidon foi agraciada com o prêmio Cientista do Ano, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), e com o Prêmio Chevalier de La Légion d’Honneur, do governo francês. Por sua defesa à sustentabilidade, a pesquisadora recebeu, ainda, homenagem em 2010, no 5º Fórum Mundial de Meio Ambiente. Ela é bolsista de Produtividade em Pesquisa Sênior do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Sobre o prêmio

O Prêmio Álvaro Alberto constitui um reconhecimento aos cientistas brasileiros que contribuíram de forma significativa para a ciência e tecnologia do país e é concedido em caráter individual e indivisível, de forma anual, em sistema de rodízio, a uma das três grandes áreas do conhecimento: Ciências da Vida; Ciências da Terra e Engenharias; e Ciências Humanas e Sociais, Letras e Artes, área contemplada na edição de 2024.

Na mesma cerimônia de entrega do Prêmio Álvaro Alberto também ocorrerá a premiação dos contemplados este ano com a Menção Especial de Agradecimento e com o título de Pesquisador Emérito do CNPq. Instituída em 2005, a Menção Especial de Agradecimentos constitui reconhecimento a pessoas físicas ou jurídicas pelos serviços significativos prestados ao crescimento, desenvolvimento, aprimoramento e divulgação do CNPq no ano anterior à entrega da Menção. O título de Pesquisador Emérito, por seu turno, é outorgado aos pesquisadores brasileiros ou estrangeiros radicados no Brasil como reconhecimento do conjunto das respectivas obras científico-tecnológicas e do renome junto à comunidade científica.

Em 2024, recebem a Menção Especial de Agradecimentos a deputada federal pelo estado do Rio Grande do Sul e autora do Requerimento n° 428/2024, para instituição de Frente Parlamentar em defesa das universidades públicas, Maria do Rosário Nunes; a senadora pelo estado de Pernambuco e membro titular da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informática, Maria Teresa Leitão de Melo; a bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq, professora da Universidade de Brasília (UnB) e ex-presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), [a Acadêmica] Mercedes Bustamante; e uma pessoa jurídica, o Ministério da Igualdade Racial.

Entre os contemplados com o título de Pesquisador Emérito estão dois estudiosos que serão agraciados de forma póstuma: Antônio Ricardo Droher Rodrigues, pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), e Clóvis Caesar Gonzaga, que era professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Os demais agraciados com o título são o ex-presidente do CNPq, membro da Academia Brasileira de Ciência Agronômica (ABCA) e dad Academia Brasileira de Ciências, Evaldo Ferreira Vilela; Josefa Salete Barbosa Cavalcanti, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); Pedro Alberto Morettin, da Universidade de São Paulo (USP/IME); e Ulpiano Toledo Bezerra de Meneses, também da USP.

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