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OBMEP premia 650 estudantes e Lula com medalhas de ouro

OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas) premiou nesta terça-feira (11) 650 estudantes de todo o Brasil com a medalha de ouro da 18ª edição, realizada em 2023. O evento no Rio de Janeiro contou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a primeira-dama, Janja Lula da Silva, os ministros Camilo Santana (Educação) e Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovação), o prefeito do Rio, Eduardo Paes, e o diretor-geral do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), Marcelo Viana. 

Criador da OBMEP, como presidente, em 2005, Lula se emocionou ao receber uma homenagem especial do IMPA: a medalha honorária da olimpíada, junto com a primeira-dama, Janja. “De todos os títulos que tenho, acho que essa medalha de ouro significa muito para mim”, disse.

Em seu discurso, o presidente destacou o crescimento e o sucesso da Olimpíada, que reúne anualmente mais de 18 milhões de participantes. “Quero que todos tenham as mesmas chances de disputar oportunidades para vermos quem é quem na história desse país. O sucesso da OBMEP foi tão extraordinário, que tivemos na primeira edição 10 milhões de participantes, na segunda 14 milhões e chegamos a 18 milhões de alunos: 99,9% das prefeituras aderiram à Olimpíada de Matemática. A OBMEP está em mais de 56 mil escolas. É um sucesso extraordinário”, disse o presidente.

Para o ministro Camilo Santana, a Olimpíada “tem ajudado a melhorar a qualidade da educação básica deste país e melhora a integração entre as escolas”. “Quase 19 milhões de jovens participam da OBMEP. Não é um evento de competição, mas de integração com a ciência e com a tecnologia”. 

Parceiro do IMPA na criação do IMPA Tech, graduação inaugurada em abril no Porto Maravalley, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, contou a história do secretário municipal de Educação, Renan Ferreirinha, com a OBMEP. “A força do testemunho mais forte que tudo. Ferreirinha chegou à secretaria por um motivo muito simples: as medalhas que ele tem no peito. Ele vem de São Gonçalo, na periferia do Rio, estudou em escola pública e através da olimpíada de matemática, criada pelo Lula, conquistou vaga na Universidade Harvard (EUA) e virou secretário de educação da maior rede pública da América Latina. Vocês podem tudo o que quiserem”.

O diretor-geral do IMPA e membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Marcelo Viana, destacou o reencontro da premiação da OBMEP com o Rio de Janeiro e com a presidência da República. “É a primeira vez desde 2015 com a participação do presidente da República neste momento tão especial, em que o Brasil celebra os seus jovens mais talentosos. É uma enorme honra que o presidente Lula nos concede e pela qual manifesto a gratidão do IMPA e da OBMEP. O evento marca também, após um intervalo de seis anos, o regresso da cerimônia à Cidade Maravilhosa, graças a uma parceria com a prefeitura.’’

O Acadêmico Marcelo Viana, diretor do Inpa

Lula assinou o decreto que institui o programa “Mais Ciência na Escola”. “O programa vai fortalecer a cultura científica dentro das escolas, vai disseminar o letramento digital e implementar laboratório maker e bolsas para professores e alunos”, disse Luciana Santos.

Premiação

Animados, os medalhistas de ouro subiram ao palco representando seus estados para receber a tão sonhada medalha. A solenidade premiou os 650 mais bem colocados na 18ª edição da Olimpíada, com 55,3 mil escolas de 99,8% dos municípios brasileiros. Os premiados podem participar do Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC), que oferece aulas avançadas de matemática e bolsa de R$ 300 mensais do CNPq para alunos de escolas públicas. A primeira turma de graduação do IMPA Tech marcou presença no evento, com nove medalhistas de ouro da 18ª edição da OBMEP. 

Meninas Olímpicas e Multimedalhistas

Outro momento de destaque foi a entrega do “Troféu Meninas Olímpicas” para Luisa Batista Mesquita (DF), Maria Clara Fontes Silva (SE), Sara Miyuka Abe (SP) e Isabela Ruthner Dorn (CE). Desde 2017, o IMPA concede a distinção às alunas com melhor desempenho em cada nível da OBMEP. Também foram chamados ao palco 14 multimedalhistas da OBMEP – premiados na competição quatro, cinco ou seis vezes com a medalha de ouro.

Sobre a OBMEP

Criada em 2005 pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e realizada com apoio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), a competição é promovida com recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Ministério da Educação (MEC).

Destinada a estudantes do 6º ano do Fundamental ao 3º ano do Médio, a OBMEP contribui para estimular o estudo da Matemática e identificar jovens talentos da disciplina. Outros objetivos da iniciativa são promover a inclusão social por meio da difusão do conhecimento e contribuir para a melhoria da qualidade da educação básica, possibilitando que um maior número de alunos brasileiros acesse material didático de qualidade.

Acadêmico, inscreva-se para receber alunos pelo Programa Aristides Pacheco Leão 2024-2025

Começou hoje o prazo para que membros titulares e afiliados da Academia Brasileira de Ciência (ABC) manifestem interesse de receber estagiários de graduação através do Programa Aristides Pacheco Leão 2024 – 2025. O estágio será realizado num período mínimo de 35 dias e máximo de 50 dias, entre janeiro e julho de 2025.

Esta é a primeira vez que membros afiliados também poderão receber alunos. De acordo com as disposições do programa, cada titular poderá receber até dois alunos, enquanto cada afiliado poderá receber um aluno. Ao todo, serão disponibilizadas 120 bolsas com recursos para transporte e manutenção do aluno proporcional aos dias de estágio, além de até R$10 mil para a execução do projeto de Iniciação Científica (IC). Os recursos para o programa são concedidos pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

Para participar como orientador, manifeste sua intenção através deste formulário. O prazo limite para submissão é 28 de junho de 2024.

Os acadêmicos que aceitarem participar, serão orientados a se cadastrarem no sistema SAGe da FAPESP, para a submissão da proposta de projeto.

Clique aqui para saber todos os detalhes do PAPL 2024 – 2025.

Saiba mais

O Programa Aristides Pacheco Leão de Estímulo a Vocações Científicas (PAPL) foi criado pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) em 1994 para oferecer a universitários vocacionados para a atividade científica a oportunidade de estagiar em laboratórios dirigidos por membros titulares da ABC, com linhas de pesquisa definidas e reconhecidamente produtivas. 

O nome do programa é uma homenagem ao eminente neurofisiologista professor Aristides Pacheco Leão, que presidiu a ABC entre 1967 e 1981. Em 1993, tornou-se presidente emérito, em homenagem póstuma.

O objetivo é permitir que estudantes de graduação estagiem em instituição de pesquisa, sendo recebidos por pesquisadores membros titulares e afiliados da ABC. O estudante deverá ter contato com um projeto científico em andamento e deverá ajudar em sua execução.

Os recursos da chamada serão destinados a dois grupos:

– Grupo 1: bolsas na modalidade EVC (Estímulo a Vocações Científicas), de até R$ 20 mil cada uma, para alunos do estado de São Paulo visitando instituições de ensino e pesquisa em outros estados do Brasil.

– Grupo 2: bolsas na modalidade EVC, de até R$ 20 mil cada uma, para alunos de outros estados visitando instituições de ensino e pesquisa no estado de São Paulo.

Cada bolsa na modalidade EVC compreende recursos para manutenção do aluno e para realização do projeto, que serão concedidos como material de consumo e serviços de terceiros. Caso a quota destinada a cada grupo não seja atingida, ela poderá ser utilizada pelo outro grupo.

Na edição da chamada de 2024/2025, ano em que o PAPL completa 30 anos, foi ampliada de 25 para 60 a quantidade de bolsas disponibilizadas para cada grupo.

Esta edição também aumenta de um para dois o número de bolsistas que membros titulares da ABC podem supervisionar, e os membros afiliados podem supervisionar um bolsista. Todos os membros titulares e afiliados da ABC interessados em receber bolsistas EVC do programa PAPL deverão estar cadastrados no SAGe (Sistema de Apoio a Gestão da Fapesp).

Outra novidade neste ano é que o bolsista deverá compartilhar as informações da experiência da mobilidade e do tema de pesquisa, com linguagem acessível, através da confecção de material de divulgação científica no formato de livre escolha (vídeos, podcast, entre outros). O material será avaliado como Relatório Científico final do estágio, e poderá servir como divulgação da Chamada pela Fapesp e ABC.

O período da visita para a realização das atividades deverá ocorrer entre janeiro e julho de 2025. A duração da visita deverá ser de 35 a 50 dias.

Desespero, raiva e sensação de fracasso atingem cientistas climáticos diante da falta de ações efetivas

Leia matéria de Giuliana Miranda para Folha de SP, publicada em 2/6:

Ao ver as primeiras imagens das enchentes no Rio Grande do Sul, no começo do mês, a bióloga Erika Berenguer, pesquisadora da Universidade de Oxford e referência nos estudos sobre impactos do fogo nas florestas tropicais, voltou a ter problemas digestivos. Em regressão até aquele momento, o quadro de gastroparesia – mais conhecido como síndrome de atraso no esvaziamento gástrico– piorou. Ela passou a ter dores, inchaço no corpo e dificuldades para se alimentar.

Sem ter nenhum dos principais fatores de risco para a doença, o distúrbio foi atribuído pela equipe médica à exposição elevada ao estresse. Erika conta que, desde 2015, ano em que o El Niño contribuiu para incêndios devastadores na amazônia, vem enfrentando episódios de ansiedade e outras manifestações físicas relacionadas à situação da floresta e às mudanças climáticas. “Ainda é bem difícil de falar sobre isso”, afirma.

(…)

Em entrevista à Folha, o físico Paulo Artaxo, professor da USP (Universidade de São Paulo) e membro do IPCC, afirma que, nos últimos anos, há um desânimo notável entre parte dos cientistas da área climática. “Há uma sensação de desespero e de fadiga em parte da comunidade. Obviamente a gente vê isso”, afirma.

Segundo Artaxo, os pesquisadores têm se dividido entre duas vertentes. “Há quem pense que não tem mais o que fazer, que nós vamos extinguir 3 bilhões de pessoas no planeta e vamos perder boa parte da biodiversidade. E pronto, isso é um cenário do qual não tem volta”, exemplifica. “A outra metade, da qual eu faço parte, coloca que nós temos de desenvolver a melhor estratégia possível para orientar políticas públicas de redução de gases-estufa, que é a única coisa que pode ajudar a salvar o planeta.”

Artaxo afirma que a situação o tem motivado a falar cada vez mais sobre as alterações climáticas, tentando atingir o público mais abrangente possível. “Eu dou três ou quatro palestras por semana, desde universidades e escolas até para o agronegócio”, conta. El eavalia que o planeta está se encaminhando para um aquecimento médio de 3°C. “Muito poucas pessoas na sociedade têm noção do que isso significa”, avalia. “Nesse cenário, vamos ter eventos como esses do Rio Grande do Sul praticamente todos os meses.”

(…)

Leia a matéria na íntegra no site da Folha de SP

Crise climática e a saúde: integrar conceitos e unir esforços

Leia carta conjunta da ABC, ANM e SBPC sobre a situação do Rio Grande do Sul:

Crise climática e a saúde: integrar conceitos e unir esforços

A devastadora crise no sul do Brasil completa 30 dias como uma trágica consequência de eventos climáticos extremos. A comunidade científica já havia alertado para as condições de clima e geografia vulneráveis do Rio Grande do Sul, mas não foi prevista a magnitude dessa catástrofe, diferente de tudo que já se observou. Cientistas do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul divulgaram na imprensa estimativas de que 14.2 trilhões de litros de água foram despejados no estuário do Guaíba nos primeiros 7 dias da enchente. Isso corresponde à metade do volume de água do reservatório da usina de Itaipu, que tem o triplo do tamanho do Guaíba. Hoje se contabilizam 169 mortos, 50 desaparecidos, 600 mil desalojados em 471 cidades, estando a capital ainda duramente atingida. Os abrigos em todo estado acolhem hoje 50 mil pessoas. As redes de apoio comunitário são gigantescas e comovem pelo trabalho diligente, longe da luz dos holofotes. A ajuda chega de todo o país que solidariamente se mobiliza.

Na área da saúde preocupam os casos de leptospirose que passaram de um único registro nas semanas que antecederam o desastre, para mil registros na última semana de maio. Ainda não foram contabilizados os problemas de saúde decorrentes das interrupções em redes sensíveis como a dos cuidados de pacientes em situação crítica, transplantes e tratamentos oncológicos. Muitos desses tratamentos indispensáveis para manutenção de vidas foram interrompidos no meio do caminho. Os impactos em saúde mental chegam num momento em que a recuperação da pandemia do COVID-19 não estava consolidada. Lidar com o estresse pós-traumático e a depressão são desafios crescentes. A solidariedade e empatia não serão suficientes e procedimentos eficazes testados à luz da ciência devem ser implementados para atender a população em tempo hábil. É o momento de unir esforços para reconstruir o Rio Grande do Sul. E também tempo de reflexão. O lado mais sombrio dessa crise é seu aspecto premonitório. Os eventos climáticos extremos serão recorrentes e afetarão mais e mais as águas das bacias do RS, nossos mananciais, nossas matas e outros biomas. No Brasil e no mundo.

Hoje, quem percorre as ruas da cidade de Porto Alegre, observa um cenário de guerra. As imagens obtidas por satélite mostram os fluxos d’água entumecidos. A própria água que transborda tem a cor barrenta da terra que derrete, misturada com detritos orgânicos. A densidade da água com os sedimentos e a rapidez na descida das encostas estão associadas ao dano em estruturas como pontes. Como as bandeiras hasteadas ao contrário, no RS pessoas e animais estão nos telhados das casas, aeroportos estão submersos e embarcações foram encontradas sobre estaleiros nos locais onde o nível da água já baixou. Não é apenas um pedido de socorro. É mais um e dessa vez, agonizante sinal de alerta. Um alerta para que as leis existentes para lidar com desastres transicionem para legislações preventivas, com permanente gestão de riscos futuros.

As ações para atender as vítimas estão a caminho e o mundo acadêmico tem muito a contribuir para que a ciência ilumine as ações de saúde e auxilie no cálculo da retaguarda necessária. Há também que observar as inovações dos atendimentos on-line e a saúde digital – essa crise deve acelerar o uso da tecnologia como ferramenta central no funcionamento do SUS. Da área das engenharias surgem soluções para o manejo da água em casos de inundação, tornando tragédias como essa evitáveis. Em suma, a ciência terá protagonismo nas ações de saúde. Os cientistas já lideram a avaliação dos impactos do desastre e criação de modelos preditivos para informar estratégias de prevenção. Esse momento de crise é também a oportunidade de adequar o próprio conceito de saúde, que deve englobar o cuidado com o ambiente e considerar as alterações do clima. Todos esses elementos interagem e deles emerge o conceito de uma saúde única. A situação no Rio Grande do Sul é um exemplo eloquente da necessidade desse enfoque.

As Academias Nacional de Medicina e Brasileira de Ciências, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e o Ministério da Saúde trabalham unidos na mitigação da atual crise de saúde e prevenção de agravos. O futuro dos eventos climáticos extremos já chegou. Estejamos atentos ao que a ciência tem a dizer para preservar vidas e evitar futuras catástrofes.

Academia Nacional de Medicina (ANM), Academia Brasileira de Ciências (ABC) e Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)

ABC abre vaga para assessor de comunicação social

 

 

 

 

EDITAL DE ABERTURA DE PROCESSO SELETIVO Nº 04/2024

A ACADEMIA BRASILEIRA DE CIÊNCIAS torna publica a abertura do Processo Seletivo, para preenchimento da vaga de ASSESSOR DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, de acordo com as especificações abaixo:

SOBRE A VAGA

Setor: Gerência de Comunicação da ABC
Carga horária: 40h/semanais
Valor do salário mensal: R$ 6.544,26 (seis mil, quinhentos e quarenta e quatro reais e vinte e seis centavos)
Benefícios: vale refeição/alimentação, no valor de R$ 38,96 por dia + vale transporte + plano de saúde
Local de trabalho: Rio de Janeiro/RJ – PRESENCIAL

É exigido curso superior, com experiência de um ano em jornalismo (necessária a comprovação), redação excelente e inglês avançado.

É desejável experiência em jornalismo científico; em comunicação institucional; em cobertura de eventos científicos internacionais; em entrevistar pessoas em inglês; em gerenciamento de conteúdo em site, em sistema de webtexto; em postagem em redes sociais; em elaboração de relatórios institucionais. Todos esses itens devem ser comprovados.

É necessário ter disponibilidade para viagens.

As atividades do profissional contratado envolvem fazer a cobertura jornalística de eventos e atividades da ABC ou de parceiros; redigir textos curtos adequados à cada uma das redes sociais da ABC; assessorar o gerente na supervisão de estagiários, caso haja; analisar e sugerir a implantação de tecnologias disponíveis no mercado; assessorar o gerente no desenvolvimento de novas ideias para divulgação da ABC; substituir o gerente do setor, na sua ausência; participar de ações de marketing; outras atividades definidas em conjunto com a gerência de comunicação da ABC, a quem o contratado deve responder diretamente.

PROCESSO DE SELEÇÃO

O processo de seleção será conduzido por uma Comissão de Seleção a ser nomeada pela Diretoria. Ela deve ser formada por no mínimo 3 (três) membros, dos quais, no máximo, 1/3 deles serão funcionários ou dirigentes da ABC.

1. DAS ETAPAS

1.1 – Análise curricular (Etapa Eliminatória), que requer envio de:

1.1.a) Currículo em formato pdf contendo link do Linkedin e dos perfis das redes sociais que possui, além do link para CV Lattes;

1.1.b) Carta de apresentação de até uma lauda relatando seu percurso, interesses, objetivos profissionais e motivos pelos quais acha que tem perfil adequado para essa vaga;

1..1.c) Portfolio comprovando as experiências requeridas nesse Edital.

1.2 – Exame de redação

1.3 – Entrevista

OBS.: NÃO SERÃO CONSIDERADAS AS INSCRIÇÕES DE CANDIDATOS QUE NÃO ENVIAREM TODO O MATERIAL SOLICITADO.

2. INFORMAÇÕES PARA PARTICIPAÇÃO DO PROCESSO DE SELEÇÃO

  • O prazo para o envio do material necessário para Análise curricular será até o dia 27 de junho de 2024.
  • O envio dos currículos deve ser feito por meio de correio eletrônico vagas@abc.org.br com mensagem sob o título: VAGA GCOM | NOME DO CANDIDATO.
  • É vedada a participação no Processo de Seleção de parentes consanguíneos ou afins, de funcionários ou Membros da ABC.

3. DA CONVOCAÇÃO

  • A convocação far-se-á através de contato telefônico ou por e-mail. Conforme dados fornecidos no currículo do candidato.
  • A convocação do candidato selecionado ocorrerá obedecendo a ordem de classificação, caso o candidato ocupante do 1º lugar da ordem de classificação, não estiver disponível para ocupar a vaga, será chamado o candidato selecionado na ordem subsequente de classificação.

4. DISPOSIÇÕES FINAIS

Os casos omissos serão resolvidos pela Comissão de Seleção.

Rio de Janeiro, 27 de maio de 2024.
ACADEMIA BRASILEIRA DE CIÊNCIAS

Diversificação do Ensino Superior e Seus Subtemas

No dia 28 de maio, 3ª feira, às 16h, a quarta edição do Fórum ABC/SBPC de Educação Superior vai trazer Sabine Righetti (Unicamp) e José Francisco Soares (UFMG) para debaterem sobre a Diversificação do Ensino Superior e Seus Subtemas

O evento é on-line e será transmitido pelo YouTube da Academia Brasileira de Ciências.

A série de eventos é coordenada pelos Grupo de Trabalho de Educação Superior  da ABC.

 

Conheça os convidados:

Sabine Righetti (Unicamp)
Jornalista de ciência e pesquisadora do Labjor-Unicamp em comunicação científica. PhD em política científica pela Unicamp, com passagem por Stanford e Universidade de Michigan, recebeu quase dez prêmios em jornalismo — incluindo o José Reis (2023). Cofundadora e diretora da Agência Bori, serviço único no Brasil que apoia a cobertura da imprensa de todo o país à luz de evidências científicas.

 

 

 


José Francisco Soares (UFMG)
É professor emérito da UFMG. Foi presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) entre 2014 e 2016. Graduado em Matemática pela UFMG, mestre e doutor em Estatística, respectivamente, pelo Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), em 1977, e pela Universidade do Wisconsin-Madison. Pós-doutor em Educação pela Universidade de Michigan.

Sessão Plenária VI: Inteligência Artificial e Saúde

No dia 9 de maio, a última sessão plenária da Reunião Magna da ABC 2024, realizada no Museu do Amanhã, contou com apresentações de Antônio Luiz Pinho Ribeiro (UFMG), Helder Nakaya (USP) e Ana Estela Haddad (USP).

IA em Saúde: da invenção à implementação

Antônio Luiz Pinho Ribeiro é médico, com especialização em Clínica Médica e Cardiologia. É doutor em Medicina pela UFMG, de cuja Faculdade de Medicina é professor titular do Departamento de Clínica Médica. Atua também como coordenador de Pesquisa e Inovação do Centro de Telessaúde do Hospital das Clínicas da UFMG (HC-UFMG/MCTI) e como orientador pleno dos programas de pós-graduação de Infectologia e Medicina Tropical e Clínica Médica, entre outras atividades.

Estamos num momento de convergência entre o avanço dos métodos, o avanço do poder das máquinas e do avanço da capacidade de armazenar informações. A medicina se apropriou desses avanços de forma muito clara e passamos a ter um número muito grande de fontes de dados em saúde, desde os prontuários eletrônicos e os exames de laboratório, mas também governamentais, dados externos de redes sociais, dos celulares, relógios enfim gerando um número grande de informações que está transformando como o conhecimento médico, em saúde, se dá. Essa revolução chegou de forma mais acentuada em meados do século XX e desde então houve uma explosão de métodos de deep learning que possibilitam o rastreamento de problemas, de avaliação de prognóstico, de risco.

O grande problema é que esses modelos não foram incorporados na nossa prática como esperávamos, é uma revolução que ainda não se materializou em ferramentas na nossa prática clínica. Sobre os motivos: há o temos da própria classe médica de serem substituídos. Na verdade, a IA é uma ferramenta como tantas outras. A medicina já teve várias revoluções tecnológicas. Essa provavelmente vai mudar nossa prática, mas num horizonte visível ela não tem nenhuma perspectiva de substituir o trabalho do médico.

As dificuldades para a implementação são muito grandes, existe uma dificuldade regulatória, as agências estão tendo que se adaptar, o número de produtos incorporados ainda é restrito, pouco impactando na nossa prática clínica.

Ribeiro apresentou o exemplo da Rede de Telessaúde de Minas Gerais, na qual trabalha há 20 anos. Implantaram núcleos de telessaúde nas universidades do país, projeto que contou também com a contribuição de Ana Estela Haddad. Ampla gama de ações de telessaúde à distância educação e saúde e principalmente o telediagnóstico e o tele eletrocardiograma, teleatendimento a ambulâncias, além de outros procedimentos. Também trabalhamos com pesquisa em implementação de saúde digital e de inteligência artificial. A peça de resistência dessa rede é essa oferta nacional de telediagnóstico, que começou em MG, em 82 municípios, e com apoio do ministério da Saíde a rede se expandiu para 12 estados do país. Núcleos regionais de telessaúde nesses estados. Hoje são mais de 1400 pontos de atendimento com atendimento 24hs, com execução de mais de 7 mil ECGs por dia, laudados em 2 minutos. Um a cada dez eletros do SUS são feitos dessa forma. Isso gerou uma base de dados que se tornou uma das maiores do mundo e pareado com o SUS, que tem um sistema de dados muito organizado.  Nos últimos dois anos as aplicações de IA em saúde explodiram e temos inúmeros outros locais e parceiros.

Os dados do ECG servem para vários fins: para diagnóstico, para fazer o laudo, para triagem, monitoramento e rastreamento para identificação de outras doenças, como insuficiência cardíaca, e para predizer mortes, arritmias, infartos. O IA-ECG aumenta a acuidade dos resultados, reduz o tempo de trabalho e reduz custos. Um marcador interessante é quando a idade real do paciente e a idade do coração diferem em mais de oito anos, há um risco maior de morte, perceptível mesmo nos ECGs normais.

Estão estudando, em grupo com a Ester Sabino, como se pode pelos ECGs-IA identificar se a pessoa tem doença de Chagas, que é uma doença que mata silenciosamente, sem sintomas e, portanto, muitas vezes tb sem diagnóstico.

Resumindo, Ribeiro ressaltou que a IA abre novas possibilidades para os sistemas de saúde e para a prática clínica, que a implementação e incorporação na rotina das ferramentas de AI-ECG ainda não estão resolvidas e que o SUS brasileiro pode ter papel relevante na avaliação crítica da incorporação da IA em saúde.

A Nova Era da Saúde: O Impacto Transformador da IA na Prática e Pesquisa Médica

O bioinformata Helder Nakaya é doutor em Ciências Biológicas/Bioquímica pela Universidade de São Paulo (USP). É pesquisador sênior do Hospital Israelita Albert Einstein e membro do comitê científico da Sociedade Brasileira de Imunologia. É professor adjunto da Universidade Emory, em Atlanta, nos Estados Unidos, é docente e foi vice-diretor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP). É consultor da CEPI (Coalition for Epidemic Preparedness Innovations) e da IUIS (International Union of Immunological Societies) e membro do conselho consultivo científico do consórcio europeu da vacina do ebola e do Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados (IIASA). É do Comitê de Assessoramento Científico da Sclavo Vaccines Association, Itália. Foi membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências (2017-2021).

Nakaya começou comparando o médico ao computador. “O médico vai pegar uma lista de sintomas, exames, processar tudo na cabeça, interpretar, analisar as imagens e os resultados de exames de acordo com o que aprendeu, dar um diagnóstico e prescrever um tratamento. Do ponto de vista de um bioinformata, é igualzinho a um computador. Você tem um input, que é a inclusão dos dados, tem um processamento e tem um output, que seria o diagnóstico e o tratamento”, explicou.

Ele ainda acrescentou que na interpretação dos dados o médico leva em conta também a parte epidemiológica, a genética do paciente, casos anteriores que ele já tenha visto, artigos científicos relacionados, enfim, busca identificar alterações de padrões. “Imagina se conseguíssemos colocar na cabeça de um médico milhões de imagens, milhões de dados, milhões de artigos científicos… então é isso que a IA faz, torna mais eficiente o resultado do processamento. As possibilidades computacionais da IA são quase infinitas.”

Em seu laboratório no Einstein e na USP, Nakaya e seu grupo usam IA principalmente em medicina de precisão. Isso significa que pegam um grupo de pessoas que tem a mesma doença, foram vacinadas e tratadas da mesma forma, com o mesmo fármaco e observam que o desfecho da doença dentre essas pessoas é diferente. “Algumas ficam bem, outras nem tanto, tem pessoas que morrem. Isso vai depender de fatores genéticos, idade, sexo, estresse, enfim, diversos fatores que influenciam o desfecho médico.  Nós conseguimos medir milhares de componentes”, explicou. 

O bioinformata esclareceu que seu grupo consegue medir a atividade 30 mil genes, milhares de proteínas, metabólitos, enfim, uma quantidade imensa de dados. Apenas algoritmos de machine learning, relata, permitem que se processe essa rede complexa no pedacinho que importa para o profissional predizer se aquela pessoa vai morrer de febre amarela depois da infecção aguda, ou se aquela mãe que foi infectada com zika na gravidez vai dar origem a um bebê com microcefalia, enfim, “obtemos informações precisas sobre as perspectivas do indivíduo”. Na verdade, isso não é muita novidade. Nakaya explicou que hoje temos as tecnologias, mas que Hipócrates, o “pai” da medicina, já dizia, em 480 a.C., que “é mais importante conhecer a pessoa que tem a doença do que a doença que a pessoa tem”. 

Ao longo desses anos, o grupo de Nakaya desenvolveu diversas ferramentas computacionais para ajudar os profissionais a fazerem essas análises complexasmuito com o Sistema Único de Saúde (SUS).  Como admirador profundo do SUS, Nakaya apontou um problema do sistema: as bases de dados descentralizadas. “Tem uma base pra HIV, uma base pra malária, uma base pra dengue… Se conseguimos linkar duas bases, por exemplo, como fizemos com um grupo de 15 mil pessoas no Amazonas, podemos ver que quem tem HIV tem mais chance de também ter malária. Isso para um gestor é importantíssimo, saber que comorbidades podem existir para tomar decisões médicas ou até em políticas públicas.

O problema de integrar as bases de dados é o seguinte: a forma de entrar com os dados muitas vezes é diferente. “Um Luiz Mendonça está com z numa base e com s em outra base, o nome da mãe está incompleto numa delas ou com uma letra trocada, enfim, a mesma pessoa está em várias bases com esses erros e isso impede que o cruzamento de dados seja feito de forma correta”, observou. Então existem métodos probabilísticos e determinísticos, como: “se o CPF for igual, então é a mesma pessoa”. Mas têm muitas falhas.

Nakaya ficou pensando sobre como achar um método que seja bom. “Então me lembrei de um programa antigo, que compara de forma muito rápida e muito eficaz bilhões de sequências de DNA, é chamado de BLAST, e começamos a usá-lo”, relatou. O método envolve pegar os dados pessoais e “transformar em DNA”, e funcionou, permitiu a linkagem.

“E com isso descobrimos uma imensa quantidade de dados repetidos, redundâncias, informações perdidas ou excessivas, apenas por conta dos métodos probabilísticos e determinísticos”, contou. Agora o grupo está tentando encriptar em DNA para proteger os dados sensíveis. 

Outra linha do laboratório é o de visão computacional.  “Começamos a usá-la para detectar parasitas, primeiro com tripanossomas da doença de Chagas e depois para Leishmania. Usamos também vídeos”, relatou. Um exemplo é um programa que detecta estresse respiratório em bebês, respirações anormais, feito com vídeos — o médico pode ver  o bebê e observar a respiração. Fizeram também um modelo que detecta lesões de monkey pox com boa acurácia. “O meu sonho é criar um scanner portátil no qual se coloque o software que está por trás disso tudo, que possa ser levado para regiões remotas do país.

Outro problema que procuramos lidar é com os dados referentes às novas publicações, revistas, artigos, em cada área. Hoje, a quantidade de informação nova é imensa. “Não conseguimos ler 45 milhões de artigos, mas uma máquina consegue ler. Então fizemos esssee programa e criamos grafos de conhecimentos, nos quais a gente conecta doenças, drogas, genes e assim conseguimos usar os cientistas para fazer perguntas, ter insights a partir desses grafos de conhecimento. Usamos também para fazer reposicionamento de fármacos e para ver o que os brasileiros mais publicam, desde 1993.

Nakaya referiu-se ainda ao projeto de uso dos grandes modelos de linguagem, como o ChatGPT. “Temos uma riqueza muito grande nas anamneses médicas, quando o médico anota os sintomas, exames etc. O problema é que quando tentamos ler esse material e organizar essa informação usando mineração de textos e as regras anteriores normais temos problemas, porque encontramos abreviações, erros de digitação, ausência de acentos, enfim, fica difícil organizar. E são milhões de dados relevantes que não são usados para pesquisa por conta disso. Então nossa ideia é pegar esses dados através de uma IA e organizar, usar para vigilância, para sabermos quando houver um surto, ou para hipóteses diagnósticas. Conseguimos fazer isso até em tempo real. O modelo consegue adicionar coisas que o médico não falou, por ter toda a base de dados organizada por trás. Faz diagnóstico, sugere exames, faz prescrição médica, baseado no contexto específico. E é muito útil, porque se são 15 minutos de consulta e o médico passa dez minutos anotando, ele perde a parte mais importante, que é a interação médico-paciente.

Finalmente, Nakaya focou na questão maior, que é quando vamos conseguir todas as doenças e prevenir a velhice. “Bom, é difícil prever o futuro, porque nós, humanos, somos pensadores lineares, conseguimos compreender a realidade e extrapolar um pouquinho — mas é difícil pensar nisso quando é algo exponencial. E exponencial é exatamente como o nosso conhecimento evoluiu ao longo de 150.000 anos. É difícil entender esse crescimento exponencial”. Ele deu um exemplo interessante: o Projeto Genoma Humano. “Ao longo de 14 anos, foram investidos 2.7 bilhões de dólares. Até a metade do projeto, após sete anos, somente 1% do genoma estava sequenciado. No entanto, nos set anos seguintes os 99% faltantes foram sequenciados. Isso é ser exponencial. Quando muda uma tecnologia, no ano seguinte isso já pode estar impactando a vida de todo mundo”, destacou.

A ciência evolui de forma incremental e, às vezes acontecem esses grandes saltos da ciência, as mudanças de paradigma. Os modelos atuais de IA, de acordo com Nakaya, estão ajudando a ciência de forma incremental. “No momento em que isso se tornar uma super inteligência é que vamos ver as coisas explodirem, de uma forma que nem poderíamos prever. E aí virá a nova era da medicina, com a economia da IA”, pontou. O bioinformata realtou que já existe um chatbot melhorado, que imita uma enfermeira até no jeito de falar e consegue ter empatia, se relacionar com a pessoa com que ela está lidando, não é só um algoritmo de perguntas e respostas. “Acho que isso vai ter um impacto enorme na saúde mental”, refletiu.

Só que não adianta criar uma IA fantástica que fique restrita a um número pequeno de pessoas privilegiadas. Agora, a questão é de escala. “Temos que conseguir baratear esses recursos para que haja equidade e universalidade no acesso. Tem um bonde chegando. A gente pode se empenhar pra pegar esse bonde ou ficar distraído. Dizem que informação é o novo petróleo. Então o DATASUS é o nosso pré-sal”, concluiu.

Transformação Digital do SUS: Programa SUS Digital

Ana Estela Haddad é doutora em Ciências Odontológicas pela Universidade de São Paulo  (USP), onde é professora titular do Departamento de Ortodontia e Odontopediatria da Faculdade de Odontologia (FOUSP) e docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciências Odontológicas. Atualmente é membro do Comitê Assessor da Rede Universitária de Telemedicina (RUTE) e do Grupo SAITE (Saúde, Inovação, Tecnologia e Educação) de Pesquisa do CNPq. É coordenadora adjunta do Núcleo de Apoio à Pesquisa em Políticas Públicas para a Metrópole (NAP Escola da Metrópole) e coordenadora da Estação Multicêntrica de Estudos e Tendências de Recursos Humanos em Saúde (FOUSP-ABENO) da Rede de Observatórios de Recursos Humanos em Saúde (Ministério da Saúde/OPAS). É uma das representantes do Brasil na Red de Lideres por la Primera Infância, rede latino-americana integrada por líderes de 28 países. Atualmente é secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde.

Ana Estela referiu-se às palestras anteriores, lembrando que todos os programas e projetos citados demandam muitas camadas de trabalho. “Quando pensamos na política de saúde, o que é necessário para a gente chegar a fazer isso crescer em termos populacionais e não individuais, vemos que o DATASUS é realmente um grande passo já andado”, observa. Ela explica que na gestão da ministra Nísia Trindade no Ministério da Saúde foi criada a Secretaria de Informação e Saúde Digital, para a qual os dados são fundamentais. À frente da nova Secretaria Ana Estela contextualizou o SUS: são 2,8 bilhões de atendimentos por ano, sendo que 70% da população brasileira depende do Sistema Único de Saúde (SUS). “Nenhum país no mundo com mais de 100 milhões de habitantes oferece um Sistema Único de Saúde, só o Brasil”, ressaltou.

Conforme já foi visto nas sessões anteriores do evento, sabemos dos riscos com tecnologias emergentes, como a IA. “Temos, por exemplo, o risco de vieses. Por isso é importante conhecer a entrada dos bancos de dados, como eles são formados, que informações são essas que estamos colocando e a relação com as informações que vão sair do outro lado. Tem a questão da segurança da informação, da proteção de dados. Hoje os dados de saúde são muito preciosos e estamos sob constante ataque. O DATASUS é muito monitorado e é sempre tensa essa questão. Essa secretaria que foi formada tem essa missão: acelerar a transformação digital do SUS, mas com uso técnico e crítico dessas novas tecnologias”, firmou.

As aplicações de IA na Saúde englobam a atenção integral à saúde, vigilância em saúde; pesquisa, desenvolvimento e inovação em saúde; formação e educação permanente dos trabalhadores e profissionais de saúde; gestão do SUS, que envolve planejamento, monitoramento e avaliação. Dentre os desafios a enfrentar, Ana Estela destacou a necessidade de superar a fragmentação, reunindo as informações num só lugar; implementar o uso de diferentes tecnologias; garantir a segurança da informação; assegurar a proteções privacidade dos dados; construir uma visão nacional; e garantir a governança e soberania dos dados.

O objetivo de tudo isso é viabilizar o acesso universal num sistema de saúde que é público. É também empoderar o cidadão, que tem direito à posse do seu prontuário para tomar as melhores decisões no seu autocuidado, dar continuidade a esse cuidado”. Ana Estela ressalta que o cidadão precisa de cuidado integrado de promoção, de continuidade e de prevenção. “A informação é um bem público. Com grandes bancos de dados podems fazer predições, fazer vigilância em saúde, perceber quando uma epidemia começa a aparecer e começar a atuar preventivamente. Além de melhorar a qualidade de vida do cidadão, que é prioridade, isso também resulta numa redução de custos.”

Diversos setores foram criados na Secretaria conduzida por Ana Estela, visando possibilitar a implementação de todas as IAs previstas, como o Laboratório de Inovação em Saúde Digital e o Índice Nacional de Maturidade em Saúde Digital, ferramenta criada para diagnosticar a situação de cada estado e município e apoiar os respectivos gestores; e a criação da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), que é o caminho para centralizar e universalizar os dados de saúde. Ana Estela destacou que já existe o SUS Digital para o Cidadão, app para celular que é a porta de entrada do cidadão para acesso aos serviços do SUS com qualidade, apontando no sentido da autonomia do sujeito.

E qual o benefício que a RNDS traz? segundo Ana Estela, essa plataforma materializa a ideia de um prontuário único eletrônico do cidadão. “Com os dados de saúde reunidos numa única plataforma é possível acompanhar todo o histórico clínico de uma paciente. Na prática, quer dizer que se a paciente tomou uma vacina em Manaus quando estava visitando sua mãe, seu registro de saúde vai ter esse dado. Essa ferramenta alcança os povos indígenas e todos os outros periféricos”, conclui.

Asfixia financeira

Leia matéria de Mariana Serafini para Carta Capital, publicada em 16/5:

Sob o pretexto de garantir mais “flexibilidade na gestão financeira”, o governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, pretende abocanhar 30% dos recursos da Fapesp, a principal agência de fomento à pesquisa do estado de São Paulo. A notícia surpreendeu a comunidade científica, a alertar para o risco de interrupção dos projetos em andamento e até mesmo para um cenário de suspensão do pagamento de bolsas aos pesquisadores.

Na proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2025, encaminhada pelo Executivo à Assembleia Legislativa, o governo incluiu um artigo que permite reduzir o repasse de 1% das Receitas Tributárias do Estado à Fundação, previsto na Constituição estadual desde 1989, para 0,7%. O corte é estimado em 600 milhões de reais. O impacto vai muito além das pesquisas desenvolvidas nas universidades paulistas, notadamente nas estaduais USP, Unicamp e Unesp. “Milhares de startups e pequenas empresas foram financiadas pela Fapesp nos últimos 27 anos. Vinte e dois centros de pesquisa em parcerias com grandes empresas dependem da estabilidade desses investimentos, atuando em temas como aeronaves inovadoras e produção de hidrogênio de baixo carbono. Outros 22 centros de pesquisa na fronteira do conhecimento cuidam de temas como tratamento de câncer, doenças genéticas e novos materiais, além de dez modernos centros de Inteligência Artificial”, elenca o alerta do Conselho Superior da Fapesp, que busca reverter a decisão no Legislativo.

A supressão de recursos ameaça cerca de 4 mil projetos de curto e médio prazo e quase 10 mil bolsistas. “Seria desastroso”, avalia [o Acadêmico] Renato Janine Ribeiro, ex-ministro da Educação, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência [e membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC)]. “Essa desvinculação de receitas significa que o governador quer fugir da responsabilidade constitucional de investir em certas áreas, como educação e ciência, para investir em outras.”

Na avaliação de Ribeiro, também professor de Filosofia da USP, a proposta compromete a autonomia orçamentária da agência de fomento, que se destaca no cenário nacional pela eficiência e qualidade. “A Fapesp é uma referência para o Brasil. Muitos estados tentam copiar o modelo e não conseguem, não é fácil estipular um valor mínimo de recursos tributários para a ciência como foi feito em São Paulo.” As universidades públicas, acrescenta o ex-ministro, têm o orçamento quase todo comprometido com as despesas cotidianas, como a folha de pagamento, serviços de manutenção e contas de água e luz. Enquanto isso, os recursos da Fapesp são destinados especificamente à pesquisa. “É o que chamamos de orçamento livre, porque a instituição tem autonomia para decidir para onde vai destinar esses recursos e consegue garantir os projetos do começo ao fim.” Segundo ele, a proposta do Executivo pode atingir “uma das grandezas do nosso estado, que é o financiamento em ciência e inovação”.

A cientista [e Acadêmica] Mayana Zatz, bióloga molecular e geneticista, membro do Conselho Superior da Fapesp [e membra titular da ABC], explica que o grande trunfo da instituição é ter seu orçamento comprometido no longo prazo, porque só dessa forma é possível garantir o andamento das pesquisas. “Quando a ­Fapesp aprova um projeto, ela não entrega o dinheiro ao pesquisador, ela administra esse recurso e vai liberando de acordo com a demanda. Isso dá a impressão de que está sobrando dinheiro, mas ele já está todo comprometido.”

O desfinanciamento da Fapesp, acrescenta Zatz, também ameaça o futuro dos jovens pesquisadores. “Devido à falta de garantias e de estrutura, o Brasil está perdendo seus melhores cérebros há tempos”, lamenta. O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, estima que 6,7 mil pesquisadores abandonaram o País nos últimos anos, em busca de melhores condições.

Já a biomédica Helena Nader, presidente da Academia Brasileira de Ciência, teme um efeito dominó. “Quando São Paulo faz essa aberração, ele sinaliza para os outros estados que ciência não é relevante. E, ao dizer que ciência e educação não são relevantes, vira as costas para o século XXI, que é o século do conhecimento.” A professora destaca que a Fapesp não investe apenas em pesquisa básica, mas também em projetos com aplicações práticas nas áreas de saúde, agricultura e engenharia, entre outras. Financiou, por exemplo, diversos estudos orientados para a transição energética, incluindo inovações na geração de energias renováveis e tecnologias para armazenamento de energia em veículos elétricos.

Desde que a proposta chegou à Assembleia Legislativa, vários deputados da oposição correram para protocolar emendas à Lei de Diretrizes Orçamentárias, visando preservar o financiamento da Fapesp. Celso Giannazi, do PSOL, destaca que nenhum governo até hoje havia ousado mexer nesse recurso, e isso acende um sinal de alerta. Ele acredita que há margem de diálogo para tentar convencer deputados do centro, e mesmo da direita, a barrar a proposta do Executivo. O deputado Simão Pedro, do PT, acrescenta que o texto não deve ser votado na Casa nas próximas três semanas. Enquanto isso, tem intensificado o trabalho corpo a corpo com colegas da base governista. “Tenho conversado com os deputados do PSDB e acredito ser possível reverter esse retrocesso. Uma característica desse governo é não aceitar que seus projetos avancem com emendas. Freitas prefere mudar a própria proposta. Vamos fazer pressão para que isso aconteça.”

Zatz afirma que os cientistas também estão mobilizados, pedindo aos deputados para vetar a proposta, e ainda tentam agendar uma conversa com o governador. “Acreditamos que é possível convencê-lo a declinar”, afirma. Em nota, a Secretaria da Fazenda, responsável pelo planejamento da LDO, garante que “não há previsão de utilização do dispositivo até o momento”. •

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