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Nota da ABC em apoio e defesa da Fapesp

 

NOTA DA ACADEMIA BRASILEIRA DE CIÊNCIAS EM APOIO E DEFESA DA FAPESP

A Academia Brasileira de Ciências (ABC) manifesta forte preocupação e indignação em relação à proposta de lei de diretrizes orçamentárias, apresentada pelo Executivo estadual de São Paulo à Assembleia Legislativa. A proposta prevê o corte de 30% no orçamento da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) em 2025 – na prática, pode resultar na perda anual de até R$ 600 milhões.

A Fapesp foi a primeira agência estadual de fomento à ciência e à inovação. Ao longo de mais de 60 anos de história, a fundação tem cumprido, com primor, seu papel de dar apoio à pesquisa científica e solidamente amparar o desenvolvimento científico e tecnológico do Estado de São Paulo.

O novo projeto de diretrizes orçamentárias apresenta uma gravíssima ameaça às pesquisas e iniciativas inovadoras de empresas e instituições apoiadas pela Fapesp. Universidades como USP, Unicamp e Unesp se consolidaram nos últimos anos no topo de rankings com a contribuição do financiamento de pesquisas por meio da fundação. Laboratórios, centros de inovação e startups também recebem apoio da Fapesp, que financia cerca de 10 mil bolsas para pesquisadores.

É preciso reverter especialmente e com urgência o artigo 22 do projeto enviado à Alesp, o qual permite desvincular até 30% das receitas de órgãos e fundações – medida que não constava nas leis orçamentárias em anos anteriores.

Caso a proposta seja mantida, o Estado de São Paulo corre o risco de perder a dianteira de uma frente que sempre liderou: o de ser um exemplo no investimento em ciência, tecnologia e inovação. Uma medida que deve trazer prejuízos não só à ciência e educação, mas também à economia paulista, vinculada diretamente aos avanços trazidos pelas pesquisas estimuladas pela Fapesp ao longo dos últimos anos.

 

Rio de Janeiro, 8 de maio de 2024

 

Helena Nader
Presidente da Academia Brasileira de Ciências

Inscrições prorrogadas para o prêmio ‘Mulheres na Ciência’

Foi prorrogado o prazo de inscrição para o prêmio “Mulheres na Ciência”, realizado pelo Grupo L’Oréal no Brasil, em parceria com a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Unesco no Brasil. Pesquisadoras têm até 10 de junho para concluir sua candidatura ao programa. A iniciativa premia, todos os anos, sete cientistas com uma bolsa-auxílio de R$ 50 mil nas áreas de Ciências da Vida, Ciências Físicas, Ciências Químicas e Matemática. O programa tem como objetivo  reconhecer e promover a participação das mulheres na ciência, apoiar cientistas promissoras no país e favorecer o equilíbrio dos gêneros no cenário da Ciência no Brasil. 

Dados da Capes (Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), mostra que 54,2% dos alunos matriculados no stricto sensu são do gênero feminino. Apesar disso, esse equilíbrio não se estende para os cargos de liderança acadêmica. Uma pesquisa  feita pelo Laboratório de Estudos sobre Educação Superior (LEES) da Unicamp mostra que o número de mulheres docentes nas universidades cresceu apenas 1% em 18 anos. Dentre os principais problemas enfrentados na carreira estão barreiras invisíveis do gênero como a falta de financiamento dos estudos e a maternidade.

Diante deste cenário, Helena Nader, primeira presidente mulher da Academia Brasileira de Ciências (ABC), destaca que a inclusão de mulheres na ciência é fundamental para promover diversidade e avanço nas pesquisas, mas para isso, é necessário garantir ferramentas e ambientes seguros para que elas possam desenvolver as suas carreiras. “Existem barreiras que estão relacionadas ao papel social da mulher, como a maternidade e a responsabilidade do cuidar, que impactam diretamente no crescimento profissional dessas cientistas e precisam ser contemplados para garantir a equidade na ciência”, ressalta.

Para isso, o prêmio ‘Para Mulheres na Ciência’ desenvolveu um processo de candidatura diferenciado para mulheres com e sem filhos. O programa recebe candidaturas de mulheres sem filhos que tenham concluído o doutorado a partir de 1º de janeiro de 2016, sendo que para mulheres com um filho, o prazo se estende por mais um ano e, para mulheres que tenha dois ou  mais filhos, o prazo adicional é de dois anos.

Para participar, a cientista deve ter residência estável no Brasil, desenvolver projetos de pesquisa em instituições nacionais, entre outros requisitos. O regulamento completo e mais informações sobre o programa estão disponíveis no site. As vencedoras serão divulgadas durante o segundo semestre deste ano. 

Especialista em geometria algébrica complexa, a pesquisadora do IMPA [e membra titular da ABC] Carolina Araujo foi uma das cientistas brasileiras premiadas pelo “Para Mulheres na Ciência”, em 2008.

Reunião Magna discutirá impactos da Inteligência Artificial com palestrantes nacionais e internacionais

Quais os impactos da inteligência artificial (IA) e como garantir que ela seja usada de maneira ética? O assunto será o ponto central da Reunião Magna 2024 da Academia Brasileira de Ciências (ABC), que levará ao público os diferentes olhares da comunidade científica sobre a influência dessa tecnologia em áreas como ciência, educação e saúde. O evento acontecerá entre 7 e 9 de maio no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas neste link.

Com o tema “Inteligência Artificial e as Ciências: Oportunidades e Riscos”, a Reunião Magna terá a presença de palestrantes nacionais e internacionais. A primeira conferência magna vai ser na terça-feira (7), às 11h30, com Vinton G. Cerf, um dos arquitetos da Internet moderna, vice-presidente do Google e um dos responsáveis por identificar novas tecnologias e aplicativos para a empresa. A conferência de Cerf será sobre inteligência artificial e ciências. Ranveer Chandra, diretor de tecnologia para agricultura alimentar da Microsoft, mostrará ao público, na quinta-feira (9), às 11h30, como a inteligência artificial pode ser usada na agricultura sustentável.

O evento contará também com a conferência do físico Matthias Scheffler, diretor emérito do Fritz Haber Institute, parte da Max Planck Society. Scheffler defende que toda a informação tenha um conjunto de características que facilitem a análise de dados e o uso delas pelas IAs. Já o sociólogo Nick Couldry, professor da London School Of Economics, mostrou, em um dos seus trabalhos recentes, como as informações fornecidas para empresas ao se usar serviços online são usadas para lucrar. Em sua conferência, ele irá abordar a IA na perspectiva do chamado colonialismo de dados, conceito que aborda a apropriação de dados na era digital.

Também estão confirmadas as participações de Margaret Martonosi, professora de ciência da computação da Universidade de Princeton, que vai abordar oportunidades e riscos da IA, e da antropóloga Karen Strier, professora da Universidade De Wisconsin-Madison e membro correspondente da ABC, que falará sobre inteligência artificial e o futuro dos primatas. A programação completa pode ser vista aqui.

“Ao mesmo tempo em que temos conferências importantes de cientistas dos EUA e Europa, temos vários pesquisadores e pesquisadoras brasileiras discutindo o papel da IA no contexto brasileiro e como poderíamos avançar nessa área. Vamos cobrir temas críticos e fundamentais para o avanço da economia e da qualidade de vida no país, e também  discutir temas de pesquisa de ponta do exterior”, explica o professor emérito da UFMG Virgílio Almeida, membro titular da ABC e um dos coordenadores da Reunião Magna deste ano.

Ganhos que educação, saúde e agricultura podem ter com as IAs

A agenda conta ainda com conferências sobre outros temas que têm sido alvo de debates no país e no mundo em relação à inteligência artificial. Em uma delas, o uso de IAs generativas e as dificuldades e benefícios que isso pode trazer à educação básica serão pontos debatidos pelo presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e membro titular da ABC, Renato Janine Ribeiro, pela professora de inteligência artificial na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Teresa Ludermir, e por Naomar Monteiro de Almeida Filho, professor aposentado da Universidade Federal da Bahia (UFBA). IAs generativas são as ferramentas que conseguem criar textos e outros conteúdos semelhantes aos feitos por uma pessoa, como o ChatGPT.

Em outro debate, a secretária nacional de informação e saúde digital do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad, o biólogo e pesquisador sênior do Hospital Israelita Albert Einstein Helder Nakaya e o médico e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Antonio Ribeiro irão se debruçar sobre os principais resultados que as IAs podem trazer para área de saúde –desde os impactos para a prática médica até as mudanças para a política nacional de informação e saúde digital do SUS.

A programação conta ainda com conferência de especialistas sobre a regulação da inteligência artificial, além de debates sobre os principais avanços já alcançados na área, o uso de IAs na agricultura e previsões sobre o futuro da sociedade com essa tecnologia. Confira a lista completa de palestrantes e temas aqui.

Novos membros da ABC e entrega do Prêmio Almirante Álvaro Alberto 2024 

Ao fim do segundo dia da Reunião Magna, na quarta-feira (8), será realizada a cerimônia de diplomação dos novos membros titulares e correspondentes da ABC, na Escola Naval do Rio de Janeiro, também no centro da cidade. Confira aqui os nomes dos eleitos. A solenidade, para convidados, também irá marcar a entrega do Prêmio Almirante Álvaro Alberto 2024 à arqueóloga Niède Guidon, diretora presidente emérita da Fundação Museu do Homem Americano.

Considerada a maior láurea científica do país, o prêmio é concedido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com a Marinha do Brasil. É um reconhecimento pelo trabalho de pesquisadores que atuam pelo desenvolvimento da ciência no país.

Ao longo de sua carreira, Niède Guidon identificou mais de 700 sítios pré-históricos, sendo 426 deles paredes de pinturas antigas e evidências de habitações humanas antigas no Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí (PI). A arqueóloga foi uma das principais responsáveis pelo desenvolvimento e conservação do parque.

“Niède Guidon é uma mulher que sempre esteve à frente dos seus tempos. Ela mostra de forma clara, na minha visão, a chegada do homem nas Américas não há cerca de 13 mil anos, mas nos últimos 100 mil anos. Poderia ter ficado só na produção científica e só isso já bastaria, mas não para ela. Niède montou uma fundação em São Raimundo Nonato, no Piauí, e criou o Parque Nacional da Serra da Capivara. E lutou contra muitos para manter aquela unidade de conservação. Parabéns à Marinha do Brasil, parabéns ao MCTI e parabéns ao CNPq por ter indicado essa grande brasileira para a premiação”, afirma a presidente da ABC, Helena Nader.


CREDENCIAMENTO DE IMPRENSA

Jornalistas interessados em acompanhar os eventos devem enviar nome, veículo e telefone para henriquegimenescorcovadoestrategica܂com܂br até às 17h do dia 6 de maio.

SERVIÇO:
Reunião Magna da Academia Brasileira de Ciências
Data:
7, 8 e 9 de maio
Local: Museu do Amanhã. Praça Mauá, Centro, Rio de Janeiro.
Horário: de 8h15 às 17h

Assessoria de Imprensa:
Corcovado Comunicação Estratégica

Henrique Gimenes
(21) 99383-0031 / henriquegimenes@corcovadoestrategica.com.br

Natália Cancian
(61) 98175-0172 / nataliacancian@corcovadoestrategica.com.br

Carla Russo
(21) 99196-4250 / carlarusso@corcovadoestrategica.com.br

Raphael Gomide
(21) 98734-5544 / rgomide@corcovadoestrategica.com.br


Veja a programação (PT) (EN) e inscreva-se aqui.

Conheça aqui os palestrantes


EVENTO COM TRADUÇÃO SIMULTÂNEA E EMISSÃO DE CERTIFICADOS DE PARTICIPAÇÃO PRESENCIAL


SERVIÇO
• Data: 07 – 09/05/2024
• Formato: Presencial
• Local: Museu do Amanhã – RJ.
• Informações: Gabriella Fialho de Mello. E-mail: gfmello@abc.org.br. Tel: (21) 3907-8100 r. 8148

 

*A imagem que compõe o logotipo da Reunião Magna 2024 da ABC foi gerada via inteligência artificial. A composição foi efetuada por um humano. =)

Conheça os palestrantes da Reunião Magna da ABC!

O principal evento da Academia Brasileira de Ciências, a Reunião Magna, está chegando. Será realizada nos dias 7, 8 e 9 de maio, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.

A agenda está quase fechada, com a maioria dos palestrantes confirmados. As Conferências Magnas, que são seis, já estão todas confirmadas!

No dia 7 de maio, 3a feira, teremos o sociólogo NICK COULDRY, da London School of Economics, cuja pesquisa é voltada para estudos de mídia e comunicações, cultura e poder, e teoria social. Hoje, a construção da realidade é cada vez mais influenciada por algoritmos e processos de dados que rastreiam nossas atividades em plataformas online ou ao usar objetos “conectados” (a “internet das coisas”). Será que a teoria social pode revelar como, mesmo quando nos sentimos mais autênticos e conectados aos outros, ainda podemos estar profundamente envolvidos nas engren,agens do poder? 

No mesmo dia, contaremos com a presença do vice-presidente do Google, VINTON CERF. Ele é um dos arquitetos da Internet moderna, tendo co-projetado o protocolo TCP/IP que define como os computadores se comunicam em um sistema em rede. Desde 2005 ele trabalha no Google, onde agora é responsável pelo desenvolvimento de negócios do setor público para produtos e serviços avançados baseados na Internet. Ele é membro do Comitê Consultivo da NASA e do Comitê de Visitas para Tecnologia Avançada do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos EUA. 

 

No dia 8 de maio, 4a feira, a primeira Conferência Magna será apresentada pela professora de Ciência da Computação da Universidade de Princeton, MARGARET MARTONOSI. Seu trabalho inclui a ferramenta de modelagem de energia amplamente utilizada Wattch e o projeto de rede de sensores móveis ZebraNet da Universidade de Princeton para o design e implantação real de coleiras de rastreamento de zebras no Quênia. 

Na mesma data, contaremos com a palestra de MATTHIAS SCHEFFLER, físico teórico alemão da Sociedade Max-Planck. Ele é especialmente conhecido por suas contribuições para a teoria do funcional da densidade e para a mecânica quântica de muitos elétrons, bem como por seu desenvolvimento de abordagens multiescala. Nos últimos anos, ele tem se concentrado cada vez mais em conceitos em métodos científicos centrados em dados e no objetivo de que os dados da ciência dos materiais devem ser “encontráveis e prontos para a inteligência artificial”. 

 

Finalmente, no dia 8 de maio, 5a feira, a primeira Conferência Magna será do cientista da computação RANVEER CHANDRA, diretor de Pesquisa para a Indústria e o CTO de AgriFood na Microsoft. Lidera o Grupo de Pesquisa em Redes na Microsoft Research, em Redmond, nos EUA. Anteriormente, Ranveer foi cientista-chefe da Microsoft Azure Global. Sua pesquisa foi incorporada em diversos produtos da Microsoft, incluindo wi-fi virtual no Windows 7 em diante, wi-fi de baixo consumo de energia no Windows 8, perfis de energia no Visual Studio, baterias definidas por software no Windows 10 e o protocolo do controlador sem fio no XBOX One. Ele iniciou o Projeto FarmBeats na Microsoft em 2015 e também liderou o projeto de pesquisa de bateria e o projeto de redes de espaços em branco na Microsoft Research, tendo implementado a primeira rede de espaços em branco urbana do mundo. 

A última Conferencista Magna é a antropóloga KARIN STRIER, professora da Universidade de Wisconsin-Madison. É uma autoridade internacional sobre o macaco muriqui do norte, ameaçado de extinção, que ela estuda desde 1982 na Mata Atlântica brasileira. Sua pesquisa de campo pioneira e de longo prazo tem sido fundamental para os esforços de conservação desta espécie e tem sido influente na ampliação das perspectivas comparativas sobre a diversidade comportamental e ecológica dos primatas. Atualmente, ela é co-presidente da Rede InterAmericana de Ciências (IANAS), junto com Helena Nader, presidente da Academia Brasileira de Ciências.

 


Veja a programação (PT) (EN) e conheça todos os palestrantes 

O EVENTO É GRATUITO, MAS REQUER INSCRIÇÃO, EM FUNÇÃO DA LOTAÇÃO DO AUDITÓRIO DO MUSEU DO AMANHÃ

INSCREVA-SE AQUI

Panorama Atual do Ensino Superior no Brasil

No dia 30 de abril, 3ª feira, às 16h, a terceira edição do Fórum ABC/SBPC de Educação Superior vai trazer Luiz Roberto L. Curi (CNE) e Elizabeth Balbachevsky (USP) para apresentarem um Panorama Atual do Ensino Superior no Brasil.

Confira! O evento é on-line e será transmitido pelo YouTube da Academia Brasileira de Ciências.

A série de eventos é coordenada pelos Acadêmicos Aldo Zarbin e Sylvio Canuto.

 

Os palestrantes:

Luiz Roberto L. Curi (CNE)

Sociólogo e doutor em Economia, ambos pela Unicamp. É conselheiro e atual presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE). Atuou no CNPq, no CGEE, foi presidente do INEP/Ministério da Educação. Atuou também no Governo do Estado de São Paulo e na Prefeitura de Campinas, entre outros destacados cargos de gestão.

 

 

Elizabeth Balbachevsky (USP)

Doutora em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP, onde é livre docente pelo Departamento de Ciência Política e professora associada no mesmo departamento. É vice-coordenadora do Núcleo de Pesquisa sobre Políticas Públicas da USP (NUPPs/USP). Desenvolve pesquisas na área de políticas de ciência, inovação e ensino superior, além de estudos na área de comportamento político.

 

 

 

 


SERVIÇO:

Evento: Fórum ABC/SBPC de Educação Superior
Tema:  Panorama Atual do Ensino Superior no Brasil
Palestrantes: Luiz Roberto L. Curi (CNE) e Elizabeth Balbachevsky (USP)
Local: YouTube da ABC
Data: 30 de abril, 3a feira
Hora: 16h

Cogumelos da Amazônia que produzem a própria luz começam a ser desvendados pela ciência

Leia matéria de Ana Lúcia Azevedo para O Globo, publicada em 21/04:

O brilho da biodiversidade ilumina a noite da Amazônia. Novas espécies de cogumelos bioluminescentes, que produzem a própria luz e só brilham na escuridão, têm sido descobertas por cientistas, num trabalho pioneiro. São criaturas ainda pouco conhecidas, que podem revelar alguns dos mecanismos que produzem a variedade das formas de vida amazônica e fazer avançar a tecnologia desenvolvida a partir desta riqueza natural.

De dia, eles passam quase despercebidos. É à noite que se revelam e transformam o chão da mata em céu de estrelas. Vários desses fungos já eram conhecidos pelos povos da floresta. Na região de São Gabriel da Cachoeira, município na fronteira do Amazonas com a Colômbia e a Venezuela, eles são os “iluminadores” das trilhas usadas pelo povo Baniwa nas noites sem luar.

— Os fungos são o princípio e o fim da vida na floresta — afirma a micologista (especialista em fungos) Noemia Ishikawa, líder do Grupo de Pesquisas Cogumelos da Amazônia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). [Ela foi membra afiliada da Academia Brasileira de Ciências no período 2009-2014].

Maioria feminina

O grupo liderado por Ishikawa descobriu cerca de 30 espécies (com e sem bioluminescência) nos últimos 12 anos. A mais recente, chamada Mycena lamprocephala, acaba de ser descrita na revista científica Phytotaxa, num estudo que teve como principal autora a micologista Célia Soares, outra integrante do grupo, composto quase que só por mulheres.

São elas que se embrenham pelas trilhas à noite em busca das chamadas “luzes vivas”. O cogumelo descrito por Soares não se mostra com facilidade de dia e levou três anos para ser classificado.

A pesquisadora Noemia Ishikawa com cogumelo de forma insólita; esporos são tão abundantes que formam nuvens. | Foto: Michael Dantas

É uma minúscula criatura (o “chapeuzinho” mede menos de 10 mm) marrom, sem charme aparente, que se multiplica em folhas e galhos mortos. Mas à noite, ele emite luz verde, em pulsos, como uma pequena estrela. Como esses cogumelos se aglomeram em grande número, formam tapetes de luz.

(…)
 
Ishikawa começou a investigar os cogumelos que brilham fascinada pelo que lhe mostraram os povos originários da Amazônia. Para várias culturas, os cogumelos e suas luzes da noite tanto são aliados nas trilhas quanto suscitam mistérios espirituais. A ciência também se deparou com enigmas.

— Não sabemos, por exemplo, por que brilham. Pode ser para se defender ou para atrair alguma outra criatura que os beneficiem. Estamos começando a arranhar a superfície de mistérios tão grandes quanto a própria floresta — diz Ishikawa.

Micoturismo

Ela e seu grupo têm realizado ainda um outro tipo de trabalho com os fungos, o micoturismo, para gerar renda para comunidades amazônicas. O nome alude à micologia, o estudo dos fungos. E tem funcionado.

Os visitantes aprendem, por exemplo, a conhecer os fungos comestíveis. A riqueza de formas, aromas e sabores de fungos da Amazônia impressiona quem pensa que prato com cogumelo se resume a shitake e três ou quatro espécies encontradas em supermercados.

Também são levados a ver fungos que “explodem” ao ser tocados, lançando nuvens de esporos no ar.

Ishikawa diz que por trás do micoturismo e da identificação de espécies há também o esforço de formar cientistas especializados altamente qualificados na própria Amazônia.

— Nosso grupo faz desde análises moleculares à taxonomia (classificação de organismos). Também temos um forte trabalho de campo, quase todo feito por mulheres. São expedições pesadas, de muitos dias de caminhada pela selva, como a feita na Cabeça do Cachorro (Amazonas). Mostramos que é possível — frisa Ishikawa.

Leia a matéria na íntegra no site de O Globo

Por que cientistas criticam programa federal que prevê R$ 1 bi para reverter fuga de cérebros

Leia matéria de Roberta Jansen para o Estadão, publicada em 20/4:

O anúncio do programa do CNPq, órgão de fomento à pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia, para repatriar cientistas brasileiros vivendo no exterior caiu como uma bomba no meio acadêmico, uma parte dele em greve por reivindicação salarial.

  • O novo programa federal oferece bolsas de valores de R$ 10 mil a R$ 13 mil e verba para montar laboratório, além de plano de saúde e auxílio aposentadoria.
  • O objetivo declarado é combater a “fuga de cérebros”, dando aos cientistas incentivos para voltarem ao Brasil.

Cientistas de diversas instituições de pesquisa do País, além de entidades representativas da classe, como a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SPBC), consideram a repatriação de talentos uma iniciativa importante, mas criticaram a nova bolsa.

Ao Estadão, o presidente do CNPq, [o Acadêmico] Ricardo Galvão, disse que essa é uma iniciativa em meio a diversas outras do governo federal cujo objetivo é melhorar a infraestrutura das universidades e instituto federais e a indústria, abrindo vagas de emprego.

Afirmou ainda entender a revolta dos pesquisadores, por conta do sucateamento da ciência nos últimos anos, mas explicou que o montante não é suficiente para resolver o problema.

(…)

Após uma década sem aumento, as bolsas de pós-graduação foram reajustadas no ano passado. A do mestrado foi de R$ 1,5 mil para R$ 2,1 mil e a do doutorado, de R$ 2,2 mil para R$ 3,1 mil. As bolsas de pós-doutorado subiram de R$ 4,1mil para R$ 5,2 mil. O valor total para todo o Brasil é de R$ 2,3 bilhões.

Já o novo programa, para trazer de volta mil expatriados, tem bolsas de R$ 10 mil a R$ 13 mil, além de verba para laboratório, plano de saúde e auxílio de aposentadoria, com investimento total de R$ 1 bilhão.

Na análise dos críticos, não faz sentido concentrar tanto recurso nos pesquisadores que estão no exterior e tão pouco nos que trabalham aqui.

(…)

“O momento agora é de reconstruir a ciência com o material humano que está aqui no Brasil, gente que se formou aqui e gente que estudou lá fora e retornou por conta própria”, afirmou a bióloga Ana Lúcia Tourinho, da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), que fez doutorado na Universidade de Harvard, nos EUA. “Precisamos valorizar essas pessoas que estão aqui para que, daqui a dez anos, os pesquisadores que estão no exterior tenham vontade de voltar para cá. Hoje, não tem ninguém querendo voltar.”

Este é um outro ponto crucial levantado pelos críticos. Embora as bolsas do novo programa sejam muito mais altas do que as oferecidas por aqui, elas não seriam competitivas para pesquisadores brasileiros empregados em universidades nos Estados Unidos, Canadá ou Europa. Seriam atrativas apenas para os alunos que estão terminando a pós-graduação fora e não têm convite para trabalhar por lá.

“Nesse caso, não é repatriação de cérebros, né? Serão mesmo as melhores cabeças que estamos trazendo?”, questiona a biomédica Helena Nader, presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC). “Já temos aqui no Brasil muitos doutores que estão sem emprego, por que não contratar essas pessoas, então? Dar esse valor de bolsa para elas? Vamos trazer mais gente para ficar sem emprego? O valor das bolsas daqui aumentou, mas ainda está muito aquém da necessidade dos estudantes, não oferece plano de saúde nem tíquete refeição. As nossas universidades estão sem concurso e sem previsão de crescimento.”

(…)

Leia a matéria na íntegra no Estadão

Em palestra a empresários, ganhadores do Prêmio Nobel destacam a importância da pesquisa básica

Leia matéria de José Tadeu Arantes para Agência Fapesp, publicada em 19/4:

“Tem sido energizante e também exaustivo”: assim o escocês David MacMillan, Prêmio Nobel de Química em 2021, resumiu suas impressões sobre a visita ao Brasil. Depois de participar de um evento na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e de outro na Universidade de São Paulo (USP), MacMillan iniciava sua última apresentação no país, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na avenida Paulista, em São Paulo. Junto com ele, estavam o francês (nascido no Marrocos) Serge Haroche, Prêmio Nobel de Física de 2012, e a norueguesa May-Britt Moser, Prêmio Nobel de Medicina de 2014.

Sempre acompanhados pelo neurocientista Adam Smith, diretor científico da Nobel Prize Outreach, o serviço de divulgação da Fundação Nobel, os três ganhadores do Prêmio Nobel participaram de uma rodada de eventos enfeixados pelo título “Creating our future together with Science” (Criando o nosso futuro juntos com a ciência).

O ciclo, promovido pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) em parceria com a Fundação Nobel, com apoio da Fapesp, não visou explorar em profundidade os temas que levaram esses três pesquisadores a receber a mais prestigiosa premiação do mundo. Mas trazê-los para um contato informal com a comunidade universitária, no caso da Uerj e da USP, e com tomadores de decisões, no caso da Fiesp. O fio condutor foi a valorização da ciência, em um contexto de negacionismo, que se espalhou pelo mundo como uma pandemia.

Na contramão dessa tendência, Haroche citou algumas grandes realizações da ciência nos anos recentes, como a comprovação experimental da existência das ondas gravitacionais e a torrencial descoberta de exoplanetas. O problema, segundo o veterano pesquisador, já com 79 anos, é que ocorre atualmente uma forte predominância de projetos ambiciosos, de cima para baixo, enquanto deveria ser criado um ambiente que favorecesse uma ciência de baixo para cima. “Os resultados, às vezes, vêm de áreas inesperadas. A história nos dá muitos exemplos de pesquisas básicas que, tempos depois, propiciaram grandes aplicações tecnológicas. O princípio físico do laser foi visualizado por Einstein em 1916. Hoje, o laser é um componente fundamental do sistema mundial de comunicações. Precisamos estimular a ciência básica em todas as direções possíveis e esperar que as aplicações venham. E, antes da ciência, necessitamos de educação básica. Para isso, é imprescindível garantir bons salários para os professores”, disse.

Nessa trilha de valorização dos resultados recentes da ciência, MacMillan lembrou as pesquisas destinadas a retardar o processo de envelhecimento, que avançaram muito nas últimas décadas. E, diante de uma plateia formada majoritariamente por pessoas ligadas ao segmento empresarial, enfatizou a necessidade de interação e colaboração entre a academia e a indústria, afirmando que seu grupo de pesquisa, na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, mantém atualmente pelo menos 15 acordos de colaboração com empresas farmacêuticas. “Obtivemos da indústria um aporte de US$ 100 milhões para a pesquisa”, contou.

Além de uma conversa até certo ponto informal entre os três cientistas, animada pelo diretor científico Smith, May-Britt Moser participou também de um painel sobre “Como aumentar a diversidade na ciência”. Com a presença de interlocutores brasileiros, o painel destacou as limitações que ainda existem para a participação de mulheres, negros e grupos minoritários no processo científico. “Existe, infelizmente, uma situação pendular no mundo. Na Noruega, as universidades eram muito abertas para o mundo todo. Agora, estão mais fechadas, voltando-se, principalmente, para estudantes europeus”, falou.

Mas, perguntada sobre o que diria para uma menina que, como ela mesma na infância, manifestasse muita curiosidade científica, Moser foi enfática: “Por que eu deveria dizer para uma menina algo diferente do que eu diria para um menino? Precisamos quebrar essas caixas, esses rótulos. Embora eu ame ser avó, não quero ser definida como avó. Vivam uma vida sem rótulos. Sejam anjos de luz!”, clamou. E fez questão de repetir a fórmula: “Vivam uma vida sem rótulos. Sejam anjos de luz!”.

Entre vários convidados, participaram do encontro na Fiesp Erika Lanner, CEO e diretora do Nobel Prize Museum em Estocolmo (Suécia); Helena Nader, presidente da Academia Brasileira de Ciências; Marco Antonio Zago, presidente do Conselho Superior da FAPESP; Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente da FAPESP, e Pedro Wongtschowski, membro do Conselho Superior da FAPESP e do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp. Zago ressaltou a importância da “liberdade de pesquisa e a responsabilidade das agências de fomento para uma ciência realmente criativa”.


Leia a matéria original, aberta, no site da Agência Fapesp

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