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Está em curso projeto para criar o acervo digital da Academia Brasileira de Ciências

Como parte das comemorações do centenário da Academia Brasileira de Ciências (ABC), em 2016, o historiador e membro titular José Murilo de Carvalho coordenou um projeto de pesquisa sobre o passado da instituição. Com colaboração do paleontólogo e Acadêmico Diógenes de Almeida Campos e do físico e historiador da ciência Ildeu de Castro Moreira, o resultado final foi materializado na exposição “100 Anos da Academia Brasileira de Ciências” – montada nas cidades de Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Porto Seguro – e na publicação de um livro comemorativo com o mesmo nome.

Detalhes da exposição “100 Anos da Academia Brasileira de Ciências”, no Museu do Amanhã, em 2016 | Acervo ABC

Outras publicações também foram lançadas, são elas: a revista de divulgação científica Academia Brasileira de Ciências e os Caminhos da Pesquisa Científica no Brasil – Uma História Entrelaçada, o gibi 18 Cientistas Brasileiros e suas Contribuições e o e-book 100 Anos da ABC, estes dois últimos voltados ao público infanto-juvenil. Para além dos produtos finais, o projeto trouxe à tona o acervo riquíssimo da ABC, formado por documentos, correspondências, publicações e manuscritos de acadêmicos vivos e falecidos, além de gravações de entrevistas, conferências, palestras e atividades realizadas por personalidades célebres da ciência, tecnologia e educação do país e do mundo.

José Murilo de Carvalho | Universidade Federal de Santa Maria/Reprodução

José Murilo de Carvalho faleceu em 2023, aos 84 anos, deixando um legado grandioso na forma como o Brasil compreende sua própria história. No que diz respeito à ABC, as descobertas trazidas por sua pesquisa serão agora eternizadas na forma de um acervo digital que levará seu nome. No mesmo ano, foi criada uma comissão organizadora sob coordenação dos membros titulares Patrícia Torres Bozza e Diógenes de Almeida Campos. A equipe científica conta ainda com os Acadêmicos Débora Foguel (UFRJ) e Paulo Cruz Terra (UFF) e com os pesquisadores Luisa Massarani (Fiocruz) e Ildeu de Castro Moreira (UFRJ).

Foi assim que, em 2024, a partir de uma parceria firmada com o Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) e com financiamento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), começaram os trabalhos para a criação do Centro José Murilo de Carvalho de Memória Histórica da ABC.

O termo de acordo para dar o pontapé inicial foi assinado durante a Reunião Magna de 2024, evento mais importante do calendário da ABC. O projeto prevê que a documentação dos Acadêmicos vivos e dos projetos em curso ficarão na sede da Academia, no Rio de Janeiro, enquanto documentos ligados aos acadêmicos já falecidos e aos projetos já concluídos irão juntar-se à Biblioteca Henrique Morize do MAST – onde já estão os livros e publicações da Biblioteca Aristides Pacheco Leão, da ABC, desde 2007.

Helena Nader assina termo de cooperação para criação de acervo histórico da ABC | Foto: Marcos André Pinto

Primeira etapa já começou

O trabalho envolve a recuperação, organização e catalogação e digitalização do acervo da ABC, composto de documentos em diversos formatos produzidos desde 1916. O objetivo final é compor uma base de dados, com a descrição de cada documento, que permita o acesso público, de forma digital, por pesquisadores, estudantes e qualquer outra pessoa interessada na história da ciência brasileira. O acervo será hospedada no site da ABC e será inspirado na base de dados Zenith do Arquivo de História da Ciência (AHC) do MAST.

A primeira etapa foi iniciada e envolve a higienização, recuperação e organização do acervo, com base nas diretrizes do Laboratório de Conservação e Restauração de Documentos em Papel (Lapel/MAST), e ocorre sob a supervisão de seus especialistas. Está etapa será seguida pela identificação, seleção e organização dos documentos, que terá curadoria dos historiadores Moema Rezende Vergara (MAST e Unirio) e Paulo Cruz Terra (ABC e UFF).

O acervo terá uma linha do tempo da história da ABC em paralelo com a da ciência brasileira; uma galeria de ex-presidentes; uma página especial sobre a criação da Rádio Sociedade, primeira emissora de rádio do país; destaques para cientistas históricos que se tornaram membros correspondentes, como Marie Curie e J. Robert Oppenheimer; visitantes ilustres; posicionamentos políticos históricos da ABC; colaborações com outras academias e instituições ligadas à ciência, tecnologia, inovação e educação nacionais e internacionais; eventos; prêmios, medalhas e muito mais. Como parte de seu compromisso com a pesquisa brasileira, a ABC acredita que o acervo será de valor inestimável para o campo de estudo em História da Ciência no Brasil.

Visita de Einstein ao Observatório Nacional, em que estavam presentes o presidente da ABC e diretor do Observatório Nacional à época, Henrique Morize, e os Acadêmicos José Frazão Milanez, Lelio Itapuambyra Gama, Domingos Fernandes da Costa, Alix Corrêa Lemos, Alfredo Lisboa e Ignacio Manoel Azevedo do Amaral | Acervo ABC

Em um momento tão delicado para a ciência nacional, em que pesquisadores e instituições sofrem ataques e o negacionismo científico cresce, a ABC também se dispõe a pensar ações mais amplas para divulgação científica. Para valorizar o presente é preciso conhecer o passado, e, para isso, é preciso memória.

Diretoria da ABC em 23/11/2022 visita obra do Museu Nacional: 11 dos 13 membros da Diretoria da ABC foram recebidos pelo diretor do museu, o Acadêmico Alexander Kellner, para uma visita guiada. À esquerda, o diretor Álvaro Prata; o vice-presidente regional para o NE e ES, Anderson Gomes; o vp regional para SP, Glaucius Oliva; o vp regional para o Sul, Ruben Oliven; o diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner; a presidente da ABC, Helena Nader; o diretor Roberto Lent; a vp regional para o RJ, Patricia Bozza; o vice-presidente da ABC, Jailson Bittencourt; agachadas, a diretora Maria Vargas e a vp regional para MG e CO, Mercedes Bustamante | Acervo ABC

Diversificação do Ensino Superior e Seus Subtemas

No dia 28 de maio, 3ª feira, às 16h, a quarta edição do Fórum ABC/SBPC de Educação Superior vai trazer Sabine Righetti (Unicamp) e José Francisco Soares (UFMG) para debaterem sobre a Diversificação do Ensino Superior e Seus Subtemas

O evento é on-line e será transmitido pelo YouTube da Academia Brasileira de Ciências.

A série de eventos é coordenada pelos Grupo de Trabalho de Educação Superior  da ABC.

 

Conheça os convidados:

Sabine Righetti (Unicamp)
Jornalista de ciência e pesquisadora do Labjor-Unicamp em comunicação científica. PhD em política científica pela Unicamp, com passagem por Stanford e Universidade de Michigan, recebeu quase dez prêmios em jornalismo — incluindo o José Reis (2023). Cofundadora e diretora da Agência Bori, serviço único no Brasil que apoia a cobertura da imprensa de todo o país à luz de evidências científicas.

 

 

 


José Francisco Soares (UFMG)
É professor emérito da UFMG. Foi presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) entre 2014 e 2016. Graduado em Matemática pela UFMG, mestre e doutor em Estatística, respectivamente, pelo Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), em 1977, e pela Universidade do Wisconsin-Madison. Pós-doutor em Educação pela Universidade de Michigan.

Saiba tudo sobre a Reunião Magna da ABC

MATÉRIAS REUNIÃO MAGNA 2024


 

Sessão Plenária I: Inteligência Artificial e Regulação

Sessão Plenária II: Avanços da Computação e Inteligência Artificial

Sessão Plenária III: Especulando Sobre o Futuro Com a Inteligência Artificial

Sessão Plenária IV: Inteligência Artificial, Educação e ChatGPT

Sessão Plenária V: Inteligência Artificial e Agricultura

Sessão Plenária VI: Inteligência Artificial e Saúde

 

Conferências Magnas

Vinton Cerf: IA ainda não compreende contextos

Nick Couldry: “IA não é inteligência, nem é artificial”

Margaret Martonosi: desenvolvimento de IA requer pegada de carbono acoplada

Matthias Scheffler: o número de materiais possíveis é praticamente infinito

Ranveer Chandra: agricultura de precisão feita com smartphones

Karen Strier: tecnologias de IA podem contribuir com a conservação das espécies

 


Inscrições prorrogadas para o prêmio ‘Mulheres na Ciência’

Foi prorrogado o prazo de inscrição para o prêmio “Mulheres na Ciência”, realizado pelo Grupo L’Oréal no Brasil, em parceria com a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Unesco no Brasil. Pesquisadoras têm até 10 de junho para concluir sua candidatura ao programa. A iniciativa premia, todos os anos, sete cientistas com uma bolsa-auxílio de R$ 50 mil nas áreas de Ciências da Vida, Ciências Físicas, Ciências Químicas e Matemática. O programa tem como objetivo  reconhecer e promover a participação das mulheres na ciência, apoiar cientistas promissoras no país e favorecer o equilíbrio dos gêneros no cenário da Ciência no Brasil. 

Dados da Capes (Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), mostra que 54,2% dos alunos matriculados no stricto sensu são do gênero feminino. Apesar disso, esse equilíbrio não se estende para os cargos de liderança acadêmica. Uma pesquisa  feita pelo Laboratório de Estudos sobre Educação Superior (LEES) da Unicamp mostra que o número de mulheres docentes nas universidades cresceu apenas 1% em 18 anos. Dentre os principais problemas enfrentados na carreira estão barreiras invisíveis do gênero como a falta de financiamento dos estudos e a maternidade.

Diante deste cenário, Helena Nader, primeira presidente mulher da Academia Brasileira de Ciências (ABC), destaca que a inclusão de mulheres na ciência é fundamental para promover diversidade e avanço nas pesquisas, mas para isso, é necessário garantir ferramentas e ambientes seguros para que elas possam desenvolver as suas carreiras. “Existem barreiras que estão relacionadas ao papel social da mulher, como a maternidade e a responsabilidade do cuidar, que impactam diretamente no crescimento profissional dessas cientistas e precisam ser contemplados para garantir a equidade na ciência”, ressalta.

Para isso, o prêmio ‘Para Mulheres na Ciência’ desenvolveu um processo de candidatura diferenciado para mulheres com e sem filhos. O programa recebe candidaturas de mulheres sem filhos que tenham concluído o doutorado a partir de 1º de janeiro de 2016, sendo que para mulheres com um filho, o prazo se estende por mais um ano e, para mulheres que tenha dois ou  mais filhos, o prazo adicional é de dois anos.

Para participar, a cientista deve ter residência estável no Brasil, desenvolver projetos de pesquisa em instituições nacionais, entre outros requisitos. O regulamento completo e mais informações sobre o programa estão disponíveis no site. As vencedoras serão divulgadas durante o segundo semestre deste ano. 

Especialista em geometria algébrica complexa, a pesquisadora do IMPA [e membra titular da ABC] Carolina Araujo foi uma das cientistas brasileiras premiadas pelo “Para Mulheres na Ciência”, em 2008.

Reunião Magna discutirá impactos da Inteligência Artificial com palestrantes nacionais e internacionais

Quais os impactos da inteligência artificial (IA) e como garantir que ela seja usada de maneira ética? O assunto será o ponto central da Reunião Magna 2024 da Academia Brasileira de Ciências (ABC), que levará ao público os diferentes olhares da comunidade científica sobre a influência dessa tecnologia em áreas como ciência, educação e saúde. O evento acontecerá entre 7 e 9 de maio no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas neste link.

Com o tema “Inteligência Artificial e as Ciências: Oportunidades e Riscos”, a Reunião Magna terá a presença de palestrantes nacionais e internacionais. A primeira conferência magna vai ser na terça-feira (7), às 11h30, com Vinton G. Cerf, um dos arquitetos da Internet moderna, vice-presidente do Google e um dos responsáveis por identificar novas tecnologias e aplicativos para a empresa. A conferência de Cerf será sobre inteligência artificial e ciências. Ranveer Chandra, diretor de tecnologia para agricultura alimentar da Microsoft, mostrará ao público, na quinta-feira (9), às 11h30, como a inteligência artificial pode ser usada na agricultura sustentável.

O evento contará também com a conferência do físico Matthias Scheffler, diretor emérito do Fritz Haber Institute, parte da Max Planck Society. Scheffler defende que toda a informação tenha um conjunto de características que facilitem a análise de dados e o uso delas pelas IAs. Já o sociólogo Nick Couldry, professor da London School Of Economics, mostrou, em um dos seus trabalhos recentes, como as informações fornecidas para empresas ao se usar serviços online são usadas para lucrar. Em sua conferência, ele irá abordar a IA na perspectiva do chamado colonialismo de dados, conceito que aborda a apropriação de dados na era digital.

Também estão confirmadas as participações de Margaret Martonosi, professora de ciência da computação da Universidade de Princeton, que vai abordar oportunidades e riscos da IA, e da antropóloga Karen Strier, professora da Universidade De Wisconsin-Madison e membro correspondente da ABC, que falará sobre inteligência artificial e o futuro dos primatas. A programação completa pode ser vista aqui.

“Ao mesmo tempo em que temos conferências importantes de cientistas dos EUA e Europa, temos vários pesquisadores e pesquisadoras brasileiras discutindo o papel da IA no contexto brasileiro e como poderíamos avançar nessa área. Vamos cobrir temas críticos e fundamentais para o avanço da economia e da qualidade de vida no país, e também  discutir temas de pesquisa de ponta do exterior”, explica o professor emérito da UFMG Virgílio Almeida, membro titular da ABC e um dos coordenadores da Reunião Magna deste ano.

Ganhos que educação, saúde e agricultura podem ter com as IAs

A agenda conta ainda com conferências sobre outros temas que têm sido alvo de debates no país e no mundo em relação à inteligência artificial. Em uma delas, o uso de IAs generativas e as dificuldades e benefícios que isso pode trazer à educação básica serão pontos debatidos pelo presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e membro titular da ABC, Renato Janine Ribeiro, pela professora de inteligência artificial na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Teresa Ludermir, e por Naomar Monteiro de Almeida Filho, professor aposentado da Universidade Federal da Bahia (UFBA). IAs generativas são as ferramentas que conseguem criar textos e outros conteúdos semelhantes aos feitos por uma pessoa, como o ChatGPT.

Em outro debate, a secretária nacional de informação e saúde digital do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad, o biólogo e pesquisador sênior do Hospital Israelita Albert Einstein Helder Nakaya e o médico e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Antonio Ribeiro irão se debruçar sobre os principais resultados que as IAs podem trazer para área de saúde –desde os impactos para a prática médica até as mudanças para a política nacional de informação e saúde digital do SUS.

A programação conta ainda com conferência de especialistas sobre a regulação da inteligência artificial, além de debates sobre os principais avanços já alcançados na área, o uso de IAs na agricultura e previsões sobre o futuro da sociedade com essa tecnologia. Confira a lista completa de palestrantes e temas aqui.

Novos membros da ABC e entrega do Prêmio Almirante Álvaro Alberto 2024 

Ao fim do segundo dia da Reunião Magna, na quarta-feira (8), será realizada a cerimônia de diplomação dos novos membros titulares e correspondentes da ABC, na Escola Naval do Rio de Janeiro, também no centro da cidade. Confira aqui os nomes dos eleitos. A solenidade, para convidados, também irá marcar a entrega do Prêmio Almirante Álvaro Alberto 2024 à arqueóloga Niède Guidon, diretora presidente emérita da Fundação Museu do Homem Americano.

Considerada a maior láurea científica do país, o prêmio é concedido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com a Marinha do Brasil. É um reconhecimento pelo trabalho de pesquisadores que atuam pelo desenvolvimento da ciência no país.

Ao longo de sua carreira, Niède Guidon identificou mais de 700 sítios pré-históricos, sendo 426 deles paredes de pinturas antigas e evidências de habitações humanas antigas no Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí (PI). A arqueóloga foi uma das principais responsáveis pelo desenvolvimento e conservação do parque.

“Niède Guidon é uma mulher que sempre esteve à frente dos seus tempos. Ela mostra de forma clara, na minha visão, a chegada do homem nas Américas não há cerca de 13 mil anos, mas nos últimos 100 mil anos. Poderia ter ficado só na produção científica e só isso já bastaria, mas não para ela. Niède montou uma fundação em São Raimundo Nonato, no Piauí, e criou o Parque Nacional da Serra da Capivara. E lutou contra muitos para manter aquela unidade de conservação. Parabéns à Marinha do Brasil, parabéns ao MCTI e parabéns ao CNPq por ter indicado essa grande brasileira para a premiação”, afirma a presidente da ABC, Helena Nader.


CREDENCIAMENTO DE IMPRENSA

Jornalistas interessados em acompanhar os eventos devem enviar nome, veículo e telefone para henriquegimenescorcovadoestrategica܂com܂br até às 17h do dia 6 de maio.

SERVIÇO:
Reunião Magna da Academia Brasileira de Ciências
Data:
7, 8 e 9 de maio
Local: Museu do Amanhã. Praça Mauá, Centro, Rio de Janeiro.
Horário: de 8h15 às 17h

Assessoria de Imprensa:
Corcovado Comunicação Estratégica

Henrique Gimenes
(21) 99383-0031 / henriquegimenes@corcovadoestrategica.com.br

Natália Cancian
(61) 98175-0172 / nataliacancian@corcovadoestrategica.com.br

Carla Russo
(21) 99196-4250 / carlarusso@corcovadoestrategica.com.br

Raphael Gomide
(21) 98734-5544 / rgomide@corcovadoestrategica.com.br


Veja a programação (PT) (EN) e inscreva-se aqui.

Conheça aqui os palestrantes


EVENTO COM TRADUÇÃO SIMULTÂNEA E EMISSÃO DE CERTIFICADOS DE PARTICIPAÇÃO PRESENCIAL


SERVIÇO
• Data: 07 – 09/05/2024
• Formato: Presencial
• Local: Museu do Amanhã – RJ.
• Informações: Gabriella Fialho de Mello. E-mail: gfmello@abc.org.br. Tel: (21) 3907-8100 r. 8148

 

*A imagem que compõe o logotipo da Reunião Magna 2024 da ABC foi gerada via inteligência artificial. A composição foi efetuada por um humano. =)

Conheça os palestrantes da Reunião Magna da ABC!

O principal evento da Academia Brasileira de Ciências, a Reunião Magna, está chegando. Será realizada nos dias 7, 8 e 9 de maio, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.

A agenda está quase fechada, com a maioria dos palestrantes confirmados. As Conferências Magnas, que são seis, já estão todas confirmadas!

No dia 7 de maio, 3a feira, teremos o sociólogo NICK COULDRY, da London School of Economics, cuja pesquisa é voltada para estudos de mídia e comunicações, cultura e poder, e teoria social. Hoje, a construção da realidade é cada vez mais influenciada por algoritmos e processos de dados que rastreiam nossas atividades em plataformas online ou ao usar objetos “conectados” (a “internet das coisas”). Será que a teoria social pode revelar como, mesmo quando nos sentimos mais autênticos e conectados aos outros, ainda podemos estar profundamente envolvidos nas engren,agens do poder? 

No mesmo dia, contaremos com a presença do vice-presidente do Google, VINTON CERF. Ele é um dos arquitetos da Internet moderna, tendo co-projetado o protocolo TCP/IP que define como os computadores se comunicam em um sistema em rede. Desde 2005 ele trabalha no Google, onde agora é responsável pelo desenvolvimento de negócios do setor público para produtos e serviços avançados baseados na Internet. Ele é membro do Comitê Consultivo da NASA e do Comitê de Visitas para Tecnologia Avançada do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos EUA. 

 

No dia 8 de maio, 4a feira, a primeira Conferência Magna será apresentada pela professora de Ciência da Computação da Universidade de Princeton, MARGARET MARTONOSI. Seu trabalho inclui a ferramenta de modelagem de energia amplamente utilizada Wattch e o projeto de rede de sensores móveis ZebraNet da Universidade de Princeton para o design e implantação real de coleiras de rastreamento de zebras no Quênia. 

Na mesma data, contaremos com a palestra de MATTHIAS SCHEFFLER, físico teórico alemão da Sociedade Max-Planck. Ele é especialmente conhecido por suas contribuições para a teoria do funcional da densidade e para a mecânica quântica de muitos elétrons, bem como por seu desenvolvimento de abordagens multiescala. Nos últimos anos, ele tem se concentrado cada vez mais em conceitos em métodos científicos centrados em dados e no objetivo de que os dados da ciência dos materiais devem ser “encontráveis e prontos para a inteligência artificial”. 

 

Finalmente, no dia 8 de maio, 5a feira, a primeira Conferência Magna será do cientista da computação RANVEER CHANDRA, diretor de Pesquisa para a Indústria e o CTO de AgriFood na Microsoft. Lidera o Grupo de Pesquisa em Redes na Microsoft Research, em Redmond, nos EUA. Anteriormente, Ranveer foi cientista-chefe da Microsoft Azure Global. Sua pesquisa foi incorporada em diversos produtos da Microsoft, incluindo wi-fi virtual no Windows 7 em diante, wi-fi de baixo consumo de energia no Windows 8, perfis de energia no Visual Studio, baterias definidas por software no Windows 10 e o protocolo do controlador sem fio no XBOX One. Ele iniciou o Projeto FarmBeats na Microsoft em 2015 e também liderou o projeto de pesquisa de bateria e o projeto de redes de espaços em branco na Microsoft Research, tendo implementado a primeira rede de espaços em branco urbana do mundo. 

A última Conferencista Magna é a antropóloga KARIN STRIER, professora da Universidade de Wisconsin-Madison. É uma autoridade internacional sobre o macaco muriqui do norte, ameaçado de extinção, que ela estuda desde 1982 na Mata Atlântica brasileira. Sua pesquisa de campo pioneira e de longo prazo tem sido fundamental para os esforços de conservação desta espécie e tem sido influente na ampliação das perspectivas comparativas sobre a diversidade comportamental e ecológica dos primatas. Atualmente, ela é co-presidente da Rede InterAmericana de Ciências (IANAS), junto com Helena Nader, presidente da Academia Brasileira de Ciências.

 


Veja a programação (PT) (EN) e conheça todos os palestrantes 

O EVENTO É GRATUITO, MAS REQUER INSCRIÇÃO, EM FUNÇÃO DA LOTAÇÃO DO AUDITÓRIO DO MUSEU DO AMANHÃ

INSCREVA-SE AQUI

Fórum de Educação Superior ABC/SBPC debate avaliação das instituições acadêmicas

No dia 30 de abril, aconteceu a terceira edição do Fórum da Educação Superior ABC/SBPC, com o título “Panorama do Ensino Superior no Brasil”. Organizado pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) e pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o encontro contou com o sociólogo e economista Luiz Roberto Curi, atual presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE) e ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep); e com a cientista política Elizabeth Balbachevsky, vice-coordenadora do Núcleo de Pesquisa sobre Políticas Públicas da USP (NUPPs/USP).

O ensino superior brasileiro enfrenta uma crise de demanda. Em 2022,  apenas 23% das vagas abertas em graduação foram preenchidas. É bem verdade que a taxa de preenchimento de vagas nas instituições públicas federais e estaduais, em torno de 74%, foi bem superior à média nacional, mas como o grosso das vagas abertas, 95%, se deu em instituições particulares, o cenário das públicas se torna pouco representativo do padrão geral do ensino superior no Brasil. Mas mesmo no ensino público a situação não é animadora, a taxa média de evasão, ou seja, de alunos que não concluem o curso, é de 52%.

Esse cenário, num país em que menos de um quarto dos jovens de 18 a 24 anos ingressam no ensino superior, é preocupante e coloca o futuro do país em cheque. Com o avanço nas tecnologias de automatização e inteligência artificial, o que o Brasil faz é deixar que a grande maioria de seus jovens fique confinada à empregos precarizados. “Não provemos aos nossos jovens capacidade de competir no mundo moderno”, sumarizou Balbachevsky.

Ocupação de vagas no ensino superior em 2022. Gráfico apresentado por Luiz Curi. Dados: MEC/Inep – Censo da Educação Superior

Avaliação não reflete o que a sociedade espera do ensino superior

O Brasil é um dos poucos países do mundo que institui uma obrigação legal de processos avaliativos das instituições de ensino superior. Esse esforço regulatório ganhou corpo em 1996 com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que organizou e sistematizou uma série de iniciativas descoladas que já existiam. “Essas primeiras experiências de avaliação foram bem sucedidas pois as comissões tinham autonomia, com avaliadores reconhecidos e que escolhiam quem entrava e que parâmetros seguir, não recebiam um calhamaço de regras pronto”, avaliou Luiz Curi.

Para o palestrante, isso começou a mudar depois que a competência da avaliação foi centralizada no Inep e se consolidou com a criação do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes). “O processo se tornou mais sistemático, deixou de ser focado nos avaliadores, mas sim no procedimento. A regulação até 2005 era orientada pela avaliação, e depois se inverteu. A avaliação passou a ser focada mais em normas e limites para evitar o mal-feito, mas que limitavam o bem-feito e a experimentação”.

Diante disso, Curi avalia que a reforma regulatória é um dos principais desafios do Ministério da Educação atualmente. “É importante ter uma avaliação que não vise o conforto da instituição para continuar a perseguir a expansão acrítica de matriculas, mas que vise o melhor para a sociedade brasileira”, sumarizou.

Modelos engessados de educação superior

Se por um lado a educação superior tem o papel fundamental de criar competências e uma população especializada, por outro, o sistema tem uma característica muito perceptível de hierarquização da sociedade, que muitas vezes joga contra o objetivo da inclusão. “Se continuarmos entendendo que 80% dos nossos jovens são formados num ensino com valor hierárquico menor que os 20% formados pelas universidades públicas, continuaremos alimentando desigualdade”, avaliou Elizabeth Balbachevsky.

Nesse cenário, a expansão das cotas e ações afirmativas foi um passo importante, mas que nunca será suficiente dada a própria incapacidade das instituições públicas de acolherem toda a demanda por diplomas do país. “O que temos hoje é um ambiente em que as universidades públicas se veem obrigadas a servir de vitrine para um modelo tradicional de educação e não conseguem se dinamizar. Ao mesmo tempo, as métricas para a avaliação são construídas dentro desse modelo e acabam servindo pouco para avaliar experiências com objetivos completamente diferentes”, completou.

Para ela, o objetivo de expansão do ensino superior demanda que cada vez mais formatos e desenhos institucionais sejam aceitos e valorizados. “A universidade tradicional sempre foi pensada como um instrumento de formação das elites. Um ensino que se massifica não pode ficar preso a esse modelo”.

Isso vale também para os programas de pós-graduação. “O modelo stricto sensu foi pensado como um mecanismo de reprodução da profissão acadêmica, mas agora ele precisa responder a uma demanda muito mais ampla, que só o mercado acadêmico não absorve. Para formar pessoas para outros mercados precisamos construir um modelo muito mais flexível, precisamos olhar com mais carinho para os mestrados e – por que não? – doutorados profissionais”, avaliou.

Os participantes do debate. Os Acadêmicos Aldo Zarbin e Santuza Teixeira coordenam a iniciativa

A questão do Ensino à Distância

A pandemia acelerou inúmeras transformações, uma delas foi a proliferação do ensino à distância (EAD). Hoje, matriculados no EAD já são 40% dos alunos de ensino superior brasileiro e a tendência é de que ultrapassem o número do presencial ainda nesta década. O EAD particular é o modelo de ensino superior que mais abriu vagas no último ano, mas existem preocupações legítimas relacionadas à qualidade. “Há uma defasagem absurda no EAD na proporção de professores e estudantes. Há instituições com 700 mil alunos com cerca de 200 professores, enquanto no presencial temos instituições com 40 mil alunos e 400 professores”, relatou Curi.

Mas para Balbachevsky, é preciso ter cuidado para separar o joio do trigo. Num país como o Brasil, em que a média de idade dos alunos é alta e a maior parte deles se desdobra para conciliar responsabilidades familiares e profissionais com a educação, o modelo EAD é fundamental. “Ele tem um custo de entrada e de saída muito mais baixo, mais atrativo. Mas o modelo precisa ganhar corpo, ser levado à sério, não pode ser uma estratégia de instituições privadas para cortar custos e aumentar receitas. No nosso país, com tantas regiões afastadas, eu consigo imaginar o EAD sendo fundamental, por exemplo, na formação de professores e na capacitação de servidores públicos de cidades interioranas, e em diversas outras áreas também”.

Assista ao debate completo:

Panorama Atual do Ensino Superior no Brasil

No dia 30 de abril, 3ª feira, às 16h, a terceira edição do Fórum ABC/SBPC de Educação Superior vai trazer Luiz Roberto L. Curi (CNE) e Elizabeth Balbachevsky (USP) para apresentarem um Panorama Atual do Ensino Superior no Brasil.

Confira! O evento é on-line e será transmitido pelo YouTube da Academia Brasileira de Ciências.

A série de eventos é coordenada pelos Acadêmicos Aldo Zarbin e Sylvio Canuto.

 

Os palestrantes:

Luiz Roberto L. Curi (CNE)

Sociólogo e doutor em Economia, ambos pela Unicamp. É conselheiro e atual presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE). Atuou no CNPq, no CGEE, foi presidente do INEP/Ministério da Educação. Atuou também no Governo do Estado de São Paulo e na Prefeitura de Campinas, entre outros destacados cargos de gestão.

 

 

Elizabeth Balbachevsky (USP)

Doutora em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP, onde é livre docente pelo Departamento de Ciência Política e professora associada no mesmo departamento. É vice-coordenadora do Núcleo de Pesquisa sobre Políticas Públicas da USP (NUPPs/USP). Desenvolve pesquisas na área de políticas de ciência, inovação e ensino superior, além de estudos na área de comportamento político.

 

 

 

 


SERVIÇO:

Evento: Fórum ABC/SBPC de Educação Superior
Tema:  Panorama Atual do Ensino Superior no Brasil
Palestrantes: Luiz Roberto L. Curi (CNE) e Elizabeth Balbachevsky (USP)
Local: YouTube da ABC
Data: 30 de abril, 3a feira
Hora: 16h

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