O sequenciamento do genoma do coronavírus por pesquisadores brasileiros em apenas dois dias exemplifica o potencial das parcerias. O trabalho de desvendar cepas (subtipos) desse vírus tem sido feito por vários países e levado, em média, 15 dias. A rapidez das equipes do Instituto Adolfo Lutz, da Faculdade de Medicina da USP e da Universidade de Oxford (Reino Unido) foi possível porque há um ano já existe um projeto, o Cadde, criado para desenvolver novas técnicas rápidas e baratas para monitorar epidemias em tempo real. O Cadde foi um desdobramento da Rede Zika, criada com o surto de zika vírus, e originalmente concentrada em arboviroses, como dengue e zika.

Agora, especialistas brasileiros e representantes dos dois ministérios compartilharão dados na Rede Vírus MCTIC, criada oficialmente na semana passada, que mira o coronavírus, a influenza (gripe comum) e outras viroses emergentes e visa integrar pesquisas e definir prioridades. Participarão da rede a Academia Brasileira de Ciências, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Sociedade Brasileira de Virologia e universidades federais. Esta semana, será feita uma teleconferência com cientistas de EUA, Canadá, Índia, Austrália e Reino Unido.

Jerson Lima Silva

“A vantagem de trabalhar em rede é que diferentes laboratórios podem dividir as tarefas”, afirma Jerson Lima Silva, presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio (Faperj) e membro titular da ABC.

Lima lembra que o Brasil não tem laboratório nível 4 de biossegurança para pesquisa com vírus que requerem essa classificação. Para o novo coronavírus, a Organização Mundial da Saúde (OMS) pede estrutura nível 3 para experimentos com animais, o que é preciso para pesquisar vacinas. Na Fiocruz e na Universidade Federal do Rio (UFRJ), por exemplo, há laboratórios desse nível.

O Ministério da Ciência disse que a demanda de verba para a Rede Vírus ainda será avaliada segundo as prioridades.

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