No dia 3 de março, a Sala de Reuniões do Instituto de Farmacologia e Biologia Molecular (Infar), na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), foi palco de um encontro que reafirmou a força da ciência brasileira e o poder transformador da formação científica de excelência. O I Encontro Aristides Pacheco Leão reuniu cerca de 35 participantes — entre estudantes de iniciação científica, pós-graduandos, pós-doutorandos e docentes dos Departamentos de Bioquímica, Biofísica e Microimunoparasitologia — em um ambiente marcado por troca, inspiração e compromisso com o futuro.
A abertura foi realizada pela professora Juliana Dreyfuss, coordenadora do Infar, que deu as boas-vindas aos presentes e destacou a importância de criar espaços institucionais dedicados à valorização das novas gerações de pesquisadores. Na sequência, a professora Helena Nader, atual presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), apresentou o histórico e a relevância do Programa Aristides Pacheco Leão de Estímulo a Vocações Científicas (PAPL), iniciativa da ABC criada em 1994 e que veio crescendo, com períodos de interrupção por falta de recursos. Desde 2022, conta com a sólida parceria da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Nader contextualizou o programa como uma ação estratégica de formação científica no Brasil, voltada à inserção de jovens talentos em laboratórios coordenados por membros titulares da ABC. Mais do que um estágio, trata-se de uma imersão em ambientes de pesquisa de excelência, onde os estudantes têm acesso a infraestrutura avançada, metodologias de ponta e à convivência direta com cientistas que constroem a história da ciência nacional.
Também participaram do encontro os professores Sergio Schenkman, Luiz Juliano Neto e Maria Aparecida Juliano — todos membros titulares da Academia Brasileira de Ciências. Em suas falas, destacaram a alegria e a responsabilidade de receber estudantes do programa em seus laboratórios. Ressaltaram que são jovens altamente selecionados, dedicados e com grande potencial de crescimento científico.
Os bolsistas presentes na Escola Paulista de Medicina/Unifesp no ano de 2025 foram: Amir Mady, Eshiley Shaiane Costa Mendes, Ingrid Souza de Jesus, Willian Vinícius Fazan dos Santos e Yasmyn Fernandes. Além deles, participou também a egressa Bianca Souza, integrante do programa na edição de 2024, que compartilhou sua trajetória após a experiência no PAPL.

As apresentações revelaram não apenas projetos científicos promissores, mas processos profundos de transformação. Ao ingressarem nos laboratórios, esses estudantes ampliam sua visão de mundo e da ciência. Aprendem a operar técnicas que lhes permitem “enxergar o invisível”, frase fabulosa usada por um dos bolsistas — ou seja, visualizar interações moleculares, compreender mecanismos celulares complexos, interpretar dados obtidos por equipamentos que antes sequer imaginavam existir. É nesse ambiente que muitos desabrocham: ganham autonomia, confiança intelectual e clareza de propósito.
O programa não apenas qualifica tecnicamente: ele forma cientistas. Estimula pensamento crítico, rigor metodológico, ética e colaboração. Muitos desses estudantes mantêm vínculos com os laboratórios após o término do estágio, ingressam na pós-graduação e seguem trajetórias acadêmicas consolidadas, fortalecendo a ciência brasileira de dentro para fora.
A questão que permeou o encontro — “Há futuro para jovens cientistas no Brasil?” — encontrou resposta nas próprias histórias compartilhadas. Sim, há futuro. E ele se constrói com investimento consistente em formação científica, com políticas estruturadas de incentivo e com o compromisso institucional de formar lideranças intelectuais.
A ciência é elemento estruturante para o desenvolvimento socioeconômico de uma nação. Ela impulsiona inovação, sustenta avanços na saúde, na tecnologia e na indústria, fortalece a soberania e amplia oportunidades. Em um cenário político e socioeconômico desafiador, programas como o Aristides Pacheco Leão assumem papel estratégico no fortalecimento do capital humano e intelectual do país.
O I Encontro Aristides Pacheco Leão foi, portanto, mais do que um evento acadêmico: foi uma afirmação coletiva de que investir em jovens talentos é investir no futuro do Brasil.