A Academia Brasileira de Ciências (ABC) participou virtualmente da 31ª Reunião da Comissão Mista Brasil–Alemanha de Cooperação em Ciência, Tecnologia e Inovação, realizada em 24 de abril, em Berlim, destacando a importância da cooperação científica internacional e da diplomacia científica.
A ABC foi representada por seu secretário-executivo de Relações Internacionais, Marcos Cortesão, que apresentou as ações multilaterais desenvolvidas em parceria com a Academia Nacional de Ciências Leopoldina, da Alemanha. A apresentação foi realizada de forma conjunta pelas duas Academias, com o representante da Leopoldina abordando as iniciativas bilaterais e o representante da ABC destacando a atuação conjunta em fóruns multilaterais internacionais.
Em sua fala, Cortesão ressaltou a vocação internacional da ABC e seu compromisso com a diplomacia científica, especialmente em um contexto global marcado pelo avanço do negacionismo científico e por crescentes incertezas geopolíticas. Segundo ele, a cooperação multilateral baseada na ciência é essencial para a construção de um mundo mais equilibrado, multipolar e orientado pelo desenvolvimento sustentável, pela equidade e pelo bem comum.
Entre os exemplos de atuação conjunta, o representante da ABC destacou a colaboração no âmbito do Science 20 (S20), grupo de engajamento científico do G20, no qual a ABC e a Academia Leopoldina atuam de forma alinhada para assegurar recomendações independentes e cientificamente robustas. Também foi ressaltada a parceria no contexto da InterAcademy Partnership (IAP), rede global de Academias de Ciências, assim como a cooperação no processo preparatório para a COP30, realizada em Belém. Coordenada pela ABC, essa iniciativa reuniu mais de 30 Academias de Ciências de diferentes regiões do mundo, incluindo a Leopoldina, e resultou na declaração “A Scientific Call for COP30 – Science Academies United for Climate Action”, que enfatiza o papel das florestas tropicais como ecossistemas essenciais e importantes sumidouros de carbono.
As ações bilaterais entre as duas academias foram apresentadas por Thomas Plötze, assessor sênior do Departamento de Relações Internacionais da Academia Leopoldina, que ressaltou tratar‑se de uma cooperação consolidada há mais de uma década em temas estratégicos da sustentabilidade. Entre as iniciativas destacam‑se os workshops para jovens cientistas sobre gestão sustentável de recursos hídricos, realizados desde 2013, que promoveram intercâmbio científico e resultaram em relatórios com recomendações para políticas públicas. A parceria inclui ainda publicações conjuntas, como o relatório lançado em 2025 sobre sustentabilidade e circularidade na aquicultura, além de estudos sobre gestão da água em áreas urbanas (2014 e 2017) e mineração sustentável e paisagens pós-mineração (2019). O representante da Leopoldina também destacou a realização de webinários e debates públicos, como o evento dedicado à contribuição da aquicultura sustentável para a segurança alimentar no Brasil e na Europa, que reuniu especialistas, gestores públicos e representantes do setor produtivo de ambos os países.
Presente na reunião também estava o Acadêmico Alvaro Toubes Prata, na condição de atual diretor-presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). A Embrapii é um dos principais pontos de contato entre o setor privado industrial brasileiro e a pesquisa produzida no mundo acadêmico, contribuindo para impulsionar a inovação nacional pelo compartilhamento de riscos.
Em sua intervenção final, Marcos Cortesão reafirmou o compromisso da ABC em dar continuidade à colaboração com a Academia Leopoldina, fortalecendo os laços de cooperação e amizade entre Brasil e Alemanha e ampliando a contribuição das Academias para o apoio aos seus respectivos governos na formulação de políticas públicas baseadas em evidências, especialmente no enfrentamento dos grandes desafios nacionais e globais.