ABC 110 anos: ciência, diálogo e interesse público 

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A Academia Brasileira de Ciências completa 110 anos como uma das instituições mais consistentes na defesa da ciência no país. Desde sua criação, agrega pesquisadores de excelência, produz análises qualificadas e contribui continuamente para a formulação de políticas públicas. Sua atuação ajudou a estruturar o sistema nacional de ciência e tecnologia e a inserir o conhecimento no centro das decisões estratégicas, ao longo de diferentes períodos. 

Sua parceria com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência tem sido decisiva nesse processo. Juntas, as duas instituições atuam na mobilização da comunidade científica e na interlocução com o Estado, assegurando que a ciência e a educação permaneçam entre as prioridades nacionais. Ambas são hoje lideradas por mulheres, o que reforça, de forma concreta, a presença feminina nos espaços de decisão e evidencia que o lugar das mulheres é onde sua competência e trajetória as conduzem. 

A atuação internacional, por meio da The World Academy of Sciences (TWAS), da InterAcademy Partnership (IAP) e da Rede Interamericana de Academias de Ciências (IANAS), amplia a presença do Brasil em redes de cooperação científica e reforça o intercâmbio com outros países, ao dar visibilidade à produção nacional e fortalecer agendas compartilhadas. 

Com cerca de mil membros, a ABC reúne pesquisadores com produção científica reconhecida e atuação contínua e combativa nas discussões nacionais. Sob a presidência da professora Helena Nader, a instituição dá continuidade a uma trajetória marcada por lideranças como Luiz Davidovich e o saudoso Jacob Palis, que consolidaram sua credibilidade e capacidade de intervenção qualificada no debate público. 

O fortalecimento da ciência como prioridade pública tem sido impulsionado pela articulação entre o Estado e a sociedade. A carta encaminhada ao Presidente da República pela ABC e pela SBPC, em outubro passado, sintetiza essa compreensão ao afirmar: “A ciência e a educação não são despesas correntes: são investimentos produtivos com retorno garantido. Cada real investido em pesquisa e inovação retorna à sociedade multiplicado em forma de produtividade, empregos qualificados, redução de desigualdades e segurança nacional”. Essa visão encontra correspondência na orientação do governo do presidente Lula, que tem reposicionado a ciência e a inovação como políticas de Estado, com a recomposição de instrumentos, de escala e de planejamento de longo prazo. Nesse contexto, a Financiadora de Estudos e Projetos tem sido cada vez mais orientada a atuar de forma estratégica, ampliando seu papel no fortalecimento das capacidades nacionais. 

No recém-lançado Manifesto dos 110 anos, a Academia Brasileira de Ciências demonstra a amplitude de sua atuação e reafirma sua confiança na capacidade transformadora do conhecimento e seu compromisso com um Brasil mais justo, democrático, sustentável e baseado na ciência. 

Em um cenário internacional marcado por transformações profundas, em que ciência e tecnologia definem o posicionamento das nações, a atuação da Academia permanece atual e necessária. Fica o nosso reconhecimento por sua trajetória e pela qualidade de sua contribuição à vida pública brasileira. 

Celebrar os 110 anos da Academia é reconhecer uma história construída com rigor, independência e compromisso com o país. Que a Academia Brasileira de Ciências continue exercendo seu papel com a mesma lucidez e consistência, contribuindo para decisões mais qualificadas e para o fortalecimento do conhecimento como base do desenvolvimento. E que o Brasil saiba, diante das escolhas que se apresentam, afirmar esse caminho com clareza e responsabilidade nas próximas eleições.  

Vida longa à ABC. 

Luiz Antônio Elias
Presidente da FINEP
 

(GCOM ABC)