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Por dentro dos sensores eletroquímicos

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Publicado em 3/04/2018

Com a mãe ao lado, sentado no sofá, um garoto pequeno assiste TV. A programação é interrompida por uma propaganda sobre a síndrome da imunodeficiência adquiria, a Aids, na sigla em inglês. A doença tomava grandes proporções nos anos 80 e a mídia começava a alertar para os seus riscos. Atento e curioso, o garoto garante para a mãe: “Quando crescer, quero ser cientista, para poder curar doenças como essa e várias outras.” Foi assim, com menos de 1dez anos de idade, que Thiago Regis Longo Cesar da Paixão , pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), afirmou que trabalharia fazendo ciência.

Primogênito de três irmãos, passou boa parte da infância sendo criado pelos avôs maternos, Ida e Miguel, na capital de São Paulo. Como muitos garotos da idade, adorava jogar futebol, brincadeira preferida nas horas livres. Mas Thiago era dessas crianças que não se contentam com explicações simples e buscava entender o porquê e como das coisas. Adorava observar insetos e, ainda na escola, suas maiores afinidades eram com as ciências exatas: química, física e matemática.

Às vésperas do vestibular, a escolha do curso não foi tarefa difícil. Chegado aos números, colocou química como a primeira opção de todas as universidades para as quais aplicou e se decidiu pela USP. Lá, entrou em contato com a área de química analítica, estudando o desenvolvimento de novos métodos de análise utilizando sensores eletroquímicos. “Minha preferência pela química analítica estava estabelecida de maneira irreversível. Além disso, o ambiente agradável e estimulante do laboratório, bem como os novos desafios do desenvolvimento de sensores eletroquímicos, me levaram a ingressar na pós-graduação para me aprofundar nessa área de pesquisa”, conta Thiago.

Após concluir o mestrado, Thiago, que já havia adquirido uma larga experiência na pesquisa de eletroanalítica, decidiu se dedicar ao estudo de quimiométricos. Nesse período, conseguiu notar que o conhecimento era muito pouco aplicado à área de eletroanalítica, sobre a qual já tinha muito conhecimento. Foi então que, após uma palestra, entrou em contato com o conceito de línguas eletrônicas e decidiu iniciar um projeto de pós-doutorado que alia sensores eletroquímicos e a discriminação de amostras de alimentos por meio da interpretação quimiométrica dos resultados extraídos por técnicas eletroanalíticas.

A pesquisa de Thiago Paixão lida, basicamente, com o desenvolvimento de sensores, que têm aplicações das mais diversas como diagnósticos em geral, ferramentas de combate ao terrorismo e de testagem da qualidade dos alimentos. Para Thiago, é esta capacidade de criar tecnologias que facilitam a vidas das pessoas que faz a ciência valer a pena. “É isso que me encanta na ciência. A possibilidade de melhorar a qualidade de vida.”


(Thaís Soares para NABC)



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