A edição da Science de 22 de setembro abre com um editorial escrito pelo climatologista Carlos Nobre, membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC), e pela ecóloga Marielos Peña-Claros. Ambos são co-presidentes do Painel Científico para a Amazônia (SPA, da sigla em inglês), um esforço internacional de centenas de cientistas e personalidades para trazer dados de ponta sobre o bioma e buscar soluções para sua preservação.

O texto alerta para a rapidez com que a destruição florestal caminha para se tornar irreversível e aponta para a urgência de se criar uma economia sustentável na região. A necessidade de que políticos e tomadores de decisão se envolvam na questão faz com que os pesquisadores clamem por um Painel Intergovernamental para o bioma, nos moldes do que já existe para as mudanças climáticas. Cabe reforçar que ambos desafios – preservação da Amazônia e mudanças climáticas – estão intimamente interligados.

Leia o editorial:

Uma abordagem regional para salvar a Amazônia

No início de agosto deste ano, uma cúpula de alto nível foi realizada em Belém, Brasil, onde os oito países amazônicos discutiram o futuro da Amazônia. As nações reconheceram que a Amazônia está muito próxima de atingir um ponto crítico para se transformar em um ecossistema degradado. O resultado das discussões foi a Declaração de Belém, um plano ambicioso para proteger e conservar as florestas amazônicas e para apoiar os povos indígenas e as comunidades locais. A preocupação surgiu, no entanto, porque não conseguiram chegar a acordo sobre atingir a desflorestação zero até 2030 e sobre evitar novas explorações de combustíveis fósseis na Amazónia. A Declaração também carece de indicadores específicos e mensuráveis. Os ministros das Relações Exteriores têm, portanto, um papel muito importante no aperfeiçoamento da agenda e dos prazos para que a Declaração de Belém possa ser implementada.

Por mais de três décadas, a ciência apontou para os riscos de a Amazônia atingir um ponto crítico. Vários estudos recentes demonstram agora quão próximo está: a estação seca no sul da Amazónia prolongou-se entre 4 a 5 semanas ao longo dos últimos 40 anos, a mortalidade de espécies de árvores que gostam de humidade aumentou e a perda de árvores está a transformar as florestas em uma fonte de carbono em vez de um sumidouro de carbono.

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Leia o editorial completo na Science.

Carlos Nobre e Marielos Peã-Claros, co-presidentes do Painel Científico para a Amazônia