Entrega da Medalha José Israel Vargas na UFMG

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A Medalha José Israel Vargas por Mérito em Pesquisa Científica, instituída pelo Departamento de Química da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 2018, homenageia pesquisadores de destaque no Brasil que tenham contribuído especialmente com o desenvolvimento da química. A cerimônia de outorga das medalhas de 2024 e 2025 foi realizada no dia 27 de março de 2026, sendo homenageados os Acadêmicos Aldo Zarbin (2024) e Maria Vargas (2025).

A medalha leva o nome de José Israel Vargas (1928-2025), professor emérito da UFMG, cientista renomado e ex-ministro da Ciência e Tecnologia. A honraria é um dos principais reconhecimentos da química no país, com edições anteriores agraciando a Acadêmica Alaíde Braga de Oliveira (2022) e o vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências, Jailson Bittencourt de Andrade (2019). A primeira edição, em 2018, homenageou o próprio Vargas.

O reitor da UFMG, Alessandro Fernandes Moreira, estava na mesa de abertura e recebeu os homenageados. Após apresentações sobre a trajetória de José Israel Vargas, feitas pelos professores eméritos do Departamento de Química da UFMG Carlos Alberto Lombardi Filgueiras, Dorila Piló Veloso e Heloiza Helena Ribeiro Schor, foi realizada a entrega das medalhas pela chefe do Departamento de Química da UFMG, Arilza Porto.

Os homenageados, então, fizeram seus agradecimentos.

Maria Vargas, filha de José Vargas, estava bastante emocionada. Ela lembrou que a medalha foi criada quando seu pai estava com 90 anos e ainda atuava do Departamento de Química orientando ICs e discutindo ciência. “Essa homenagem da UFMG o emocionou bastante na época e ele assistiu as premiações enquanto pôde”, lembrou. Destacou a coincidência da homenagem estar sendo realizada exatamente 50 anos depois do ingresso dela no bacharelado em química da UFMG.

Maria destacou a falta que sentia de seu pai naquele momento, pois ele estaria feliz e orgulhoso. “Que essa medalha sirva também como tributo à influência que ele teve em toda a minha vida, como ser humano, como professor, como pesquisador.” Agradeceu a todos os seus professores, orientadores, mentores, colegas e sobretudo aos seus alunos.

Para encerrar, leu dois trechos da entrevista Vida e Ciência feita com seu pai pelo historiador e professor José Carlos Sebe, em 2013. O primeiro era sobre o ofício de professor e o segundo, sobre sua relação com a ciência. Quando o entrevistador lhe perguntou o que achava mais importante de tudo que tinha feito, onde sua marca ficaria, seu pai respondeu que a atividade mais importante de sua vida havia sido a de professor, “o ofício de pescador de homens”. Se disse orgulhoso pelas três filhas terem se tornado professoras universitárias e que lhe dava muita alegria acompanhar o percurso de seus ex-alunos. Mais adiante, quando perguntado sobre que mensagem teria a deixar para os jovens, ele disse: “Fazer ciência, buscar compreender a estranha máquina do mundo, como dizia Camões, é uma dádiva deslumbrante, porque é a chave de muitas portas, porque permite o exercício da racionalidade, o respeito à verdade, o não reconhecimento de autoridade de qualquer tipo que não seja baseada na verdade e na justiça.”

A chefe do Departamento de Química da UFMG, Arilza Porto, entregando as medalhas à Maria Vargas e Aldo Zarbin | Fotos: Divulgação ICEX/UFMG

A seguir, foi a vez de Aldo Zarbin (UFPR) receber sua medalha. Ele fez diversos agradecimentos, ressaltou a paixão que move os cientistas e a importância do reconhecimento nessa profissão. “E ganhar uma medalha como essa me emociona demais, especialmente por ter o nome de José Israel Vargas. Eu sei o tamanho desse nome e o tamanho desse homem”, destacou. Comentou sobre a alegria de estar recebendo a medalha junto com Maria Vargas, que o ajudou em sua tese, orientada na Unicamp pelo grande Acadêmico Oswaldo Luis Alves, falecido em 2021. Desenvolveram alguns compostos e publicaram três artigos juntos, e ainda trabalharam por um tempo na Sociedade Brasileira de Química (SBQ), o que o fez considerá-la, de fato, uma amiga.

Zarbin contou também que quando surgiu a oportunidade de fazer um concurso para a Universidade Federal do Paraná, ele como fã do poeta paranaense Paulo Leminski lembrou-se de um poema que dizia: “Não discuto com o destino. O que pintar, eu assino.” E passou no concurso, entrando para a universidade que na época, em 1997, só tinha mestrado, ainda não tinha doutorado na química, e hoje tem um curso de pós-graduação nota 7 na Capes. “Fico muito feliz de ter feito parte desta história”, disse Zarbin.

Sobre os homenageados

Bacharel em química pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Maria Vargas obteve seu título de e PhD em química pela Universidade de Cambridge (Reino Unido), onde foi pesquisadora do Sidney Sussex College (1983-86) e professora (1986-87). Foi também professora na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) entre 1988 e 2003 e depois professora titular da Universidade Federal Fluminense (UFF), no Departamento de Química Inorgânica, até 2019.

Eleita membro da Academia Brasileira de Ciências em 2006, Maria foi membro da sua Diretoria no triênio 2022-2025. Atua na implantação e desenvolvimento do Projeto Memória da ABC desde 2024. É representante da ABC no Conselho Institucional Museu Nacional Vive desde 2022 e no Júri do Programa Para Mulheres na Ciência L’Oréal-Unesco-ABC desde 2014. É também membro do Conselho Técnico Científico do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), desde 2023.

Seus principais interesses científicos incluem a química bioinorgânica de compostos organometálicos de metais de transição. Dedica-se à divulgação do tema da ética na pesquisa e milita na Comissão Permanente de Equidade de Gênero da UFF. Atuou na Sociedade Brasileira de Química (SBQ) em diversos cargos e períodos, tendo sido homenageada pela instituição com a Medalha Simão Mathias em 2009 e com o Prêmio Vanderlan da Silva Bolzani, em 2019. Foi agraciada com a Ordem Nacional do Mérito Científico no grau Comendador, em 2010, e Grã-Cruz, em 2018.

Graduado, mestre e doutor em química pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com estágio de pós-doutorado no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), Aldo Zarbin é professor titular do Departamento de Química da Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde é líder do Grupo de Química de Materiais (GQM). Coordena o Instituto Nacional de Nanomateriais para a Vida (INCT NanoVida).

Suas principais linhas de pesquisa estão relacionadas à síntese e caracterização de materiais em escala nanométrica (como nanotubos, grafeno e outras formas de carbono, nanocompósitos, nanopartículas metálicas, materiais 2D, polímeros condutores e análogos do azul da Prússia) em interfaces líquido/líquido, e estudo da aplicação destes nanomateriais em sensores, dispositivos fotovoltaicos, baterias, capacitores e catalisadores.

Zarbin é sócio efetivo da Sociedade Brasileira de Química, da qual foi presidente (2016-2018). Foi vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) entre 2025 e 2027. Entre os títulos que recebeu, destacam-se o de membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC), o de Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico, entregue pela Presidência da República do Brasil em 2023, o de fellow da Royal Society of Chemistry (RSC).

Foi reconhecido entre os dois dos pesquisadores mais influentes na sua área de atuação no mundo pela Universidade de Stanford (EUA). É pesquisador 1A do CNPq.

Assista a transmissão na íntegra aqui

(Elisa Oswaldo-Cruz para ABC, 31/3/2026)