Simpósio Conexões para Fortalecer a Ciência na América Latina 2026

Teve início nesta terça-feira (25/08) o Simpósio Conexões para Fortalecer a Ciência na América Latina 2026 (Connections to Sustain Science in Latin America Symposium 2026), encontro internacional que reúne pesquisadores, profissionais de saúde, representantes governamentais, organizações da sociedade civil e do setor produtivo para discutir desafios científicos estratégicos para as Américas. Realizado em Itatiba, no interior de São Paulo, o evento segue até o dia 27 de agosto e é promovido pela Academia Brasileira de Ciências (ABC), em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), a Rede Interamericana de Academias de Ciências (IANAS) e as Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos (NASEM). A atividade é patrocinada pela Chan Zuckerberg Initiative.

Foto de grupo oficial do simpósio

A edição de 2026 reúne aproximadamente 100 participantes provenientes de 17 países das Américas, refletindo o caráter internacional da iniciativa. O perfil do público evidencia o caráter multidisciplinar do encontro, reunindo participantes de diferentes áreas do conhecimento e setores de atuação: 64% estão vinculados a universidades e instituições de pesquisa, 16% a órgãos governamentais, 13% atuam em organizações não governamentais, 3% pertencem ao setor de saúde e 4% são oriundos da indústria.

O simpósio foi concebido para fortalecer conexões científicas e estimular colaborações internacionais entre pesquisadores em início e meio de carreira. A maior parte dos participantes é formada por cientistas, engenheiros e profissionais da área médica com até 15 anos de doutoramento, faixa considerada estratégica para a consolidação da próxima geração de lideranças científicas da região. O programa busca ampliar redes de cooperação, incentivar abordagens interdisciplinares e estimular o intercâmbio entre pesquisadores de diferentes países e setores.

Mesa de abertura traçou um panorama dos participantes

Abertura

O primeiro dia foi marcado pela recepção dos participantes e pela abertura oficial dos trabalhos, que enfatizou a importância da cooperação científica regional diante de desafios cada vez mais complexos e transnacionais. Em sua fala de abertura, a presidente da ABC, Helena B. Nader, deu as boas-vindas aos participantes destacando a importância do Connections to Sustain Science in Latin America Symposium 2026 como uma iniciativa voltada ao fortalecimento da comunidade científica da América Latina e do Caribe por meio da cooperação internacional. Ela ressaltou a presença de pesquisadores, representantes de instituições científicas e especialistas de diferentes países das Américas, enfatizando que a diversidade de experiências e perspectivas reunidas no encontro constitui um dos seus maiores ativos.

Helena Nader agradeceu o apoio das instituições parceiras responsáveis pela realização do simpósio, frisando que o sucesso da iniciativa demonstra a importância das alianças institucionais para ampliar oportunidades de desenvolvimento científico e fortalecer a integração regional. A presidente da ABC destacou que a proposta do programa vai além da realização de um encontro científico pontual. Segundo ela, o objetivo é contribuir para a construção de um ecossistema capaz de sustentar a ciência na região a longo prazo, criando condições para que ela cresça, se renove e produza impactos duradouros para a sociedade. Nesse contexto, lembrou que desafios como as mudanças climáticas, as crises sanitárias, a perda da biodiversidade e os eventos extremos ultrapassam fronteiras nacionais e exigem respostas baseadas na colaboração entre países e disciplinas.

Ao abordar os objetivos do programa, Nader destacou dois pilares fundamentais da iniciativa: ampliar o acesso ao conhecimento científico e estimular a colaboração entre pesquisadores. Segundo ela, o fortalecimento de ferramentas e espaços de intercâmbio é essencial para democratizar o acesso à informação científica, fomentar novas parcerias internacionais e promover a circulação de ideias.

A presidente da ABC enfatizou ainda que o foco central do simpósio são os pesquisadores em início e meio de carreira, considerados fundamentais para o futuro da ciência nas Américas. Segundo ela, iniciativas como o Connections buscam ampliar o acesso desses jovens cientistas às fronteiras do conhecimento, fortalecer suas redes profissionais, estimular colaborações inovadoras e prepará-los para assumir posições de liderança em suas áreas de atuação.

Encerrando sua participação, Helena Nader incentivou os participantes a aproveitarem todas as oportunidades oferecidas pelo encontro, tanto nas sessões científicas quanto nos momentos informais de convivência. Para ela, muitas das colaborações mais importantes surgem justamente das conexões estabelecidas entre pesquisadores de diferentes países e especialidades, capazes de gerar projetos e parcerias que perduram muito além do simpósio.

Presidente da ABC participou virtualmente da abertura

Já o presidente da FAPESP e membro titular da ABC, Marco Antonio Zago, destacou que o principal objetivo do simpósio é criar conexões duradouras entre jovens pesquisadores das Américas, tanto no plano científico quanto no humano. Ao dar as boas-vindas aos participantes, ressaltou que a ciência contemporânea depende da interação entre diferentes disciplinas, instituições e países, condição essencial para o avanço da pesquisa na região.

Zago observou que os temas centrais do encontro, como oceanos, Amazônia e sustentabilidade, eventos extremos, inteligência artificial aplicada às ciências da vida e biomedicina, refletem desafios complexos que exigem abordagens interdisciplinares e diálogo entre ciência e políticas públicas. Segundo ele, cabe aos cientistas produzir conhecimento rigoroso, comunicar evidências com clareza e contribuir para decisões que impactam a sociedade.

Em sua fala, também ressaltou o papel transformador das novas tecnologias na pesquisa científica, lembrando a contribuição pioneira da FAPESP para o sequenciamento do genoma da bactéria Xylella fastidiosa e apontando a inteligência artificial como uma das grandes forças de mudança da ciência atual. Apesar das oportunidades trazidas por essas ferramentas, enfatizou que a criatividade, o pensamento crítico, o rigor metodológico e a responsabilidade ética continuam sendo atributos insubstituíveis dos pesquisadores.

Ao finalizar, incentivou os participantes a aproveitarem o encontro para apresentar suas pesquisas, trocar experiências e construir colaborações que possam se estender muito além do simpósio, fortalecendo a comunidade científica das Américas.

Marco Antonio Zago, presidente da Fapesp, falou durante a abertura

Por sua vez, Karen Strier, copresidente da Rede Interamericana de Academias de Ciências (IANAS), apresentou aos participantes a trajetória e a missão da organização, destacando seu papel como uma importante plataforma de articulação científica no continente. Fundada para promover a cooperação entre as academias nacionais de ciências das Américas, a IANAS atua no fortalecimento da pesquisa, da educação científica e do assessoramento a políticas públicas baseadas em evidências. Em sua apresentação, Strier destacou alguns dos programas mais consolidados da rede, entre eles o Women for Science, voltado à ampliação da participação e da liderança das mulheres na ciência; as iniciativas relacionadas à segurança e gestão dos recursos hídricos, por meio do Water Program; a iniciativa voltada à Amazônia, dedicada à conservação ambiental, ao desenvolvimento sustentável e ao fortalecimento da capacidade científica da região; e a mais recente frente de trabalho voltada para a Antártica, criada para ampliar a colaboração científica regional em temas relacionados às mudanças climáticas e aos ecossistemas polares.

Strier também ressaltou a satisfação da IANAS em integrar a organização do Connections to Sustain Science in Latin America Symposium 2026, destacando que a rede de academias associadas contribui para expandir o alcance e o impacto da iniciativa em toda a região. Segundo ela, a capilaridade proporcionada pelas academias nacionais fortalece a circulação de conhecimento e aproxima jovens pesquisadores de diferentes países e áreas do conhecimento. Ao final, enfatizou que a cooperação regional é um elemento essencial para enfrentar desafios científicos compartilhados pelas Américas e construir uma comunidade científica cada vez mais integrada.

Apresentação de Karen Strier, co-presidente da Ianas

Por fim, a secretária internacional da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos (NAS), Cherry Murray, destacou a satisfação de participar do simpósio em sua primeira missão internacional desde que assumiu o cargo, em junho deste ano. Responsável por coordenar as relações internacionais da instituição, promover parcerias científicas globais e fortalecer iniciativas de diplomacia científica, Murray afirmou ser especialmente significativo iniciar essa nova etapa de atuação em um encontro realizado no Brasil e voltado ao fortalecimento da cooperação científica nas Américas.

Durante sua intervenção, ela observou que, apesar da recente nomeação, já possui uma visão abrangente do cenário científico internacional por também atuar como tesoureira do InterAcademy Partnership (IAP), organização que reúne academias de ciências, medicina e engenharia de todo o mundo para promover a colaboração científica e o assessoramento a políticas públicas baseadas em evidências. Nesse contexto, destacou a importância da Rede Interamericana de Academias de Ciências (IANAS), uma das quatro redes regionais que integram o IAP, ao lado das redes da África, Ásia e Europa.

Murray concluiu a sua fala ressaltando que iniciativas como o Connections to Sustain Science in Latin America Symposium demonstram o valor das parcerias entre academias científicas e instituições de fomento para ampliar oportunidades de intercâmbio e apoiar o desenvolvimento de novas lideranças científicas. Segundo ela, a articulação entre pesquisadores e instituições de diferentes países é essencial para enfrentar desafios globais e construir uma comunidade científica cada vez mais conectada.

Cherry Murray, presidente da Academia Nacional dos EUA, foi a última a falar durante a abertura

Leia sobre os outros dias do evento:

1º dia do simpósio internacional aborda oceanos e Amazônia

Jovens pesquisadores ampliam rede de conexões em evento internacional da ABC

Último dia de simpósio internacional traz debates sobre biomedicina e financiamento

(Marcos Cortesão e Vitor Vieira para ABC, 26/08/2026)