A programação da tarde de 25 de agosto do Simpósio Conexões para Fortalecer a Ciência na América Latina 2026 (Connections to Sustain Science in Latin America Symposium) foi dedicada às primeiras sessões científicas, que abordaram os temas “Oceanos” e “Amazônia e Sustentabilidade”. Em seguida, os participantes acompanharam uma sessão de pôsteres precedida por flash talks, apresentações de um minuto nas quais os pesquisadores tiveram a oportunidade de introduzir seus trabalhos e interesses científicos.
Oceanos
Coordenada por Luisa Dueñas, da Universidade Nacional da Colômbia, e Ivonne Montes, do Instituto Geofísico do Peru, a primeira sessão temática do simpósio foi dedicada aos oceanos, abordando desafios científicos e socioeconômicos relacionados ao papel dos ambientes marinhos na regulação do clima global, na conservação da biodiversidade e no desenvolvimento sustentável.
A pesquisadora Laure Zanna, da Universidade de Nova York (NYU), apresentou avanços no uso de inteligência artificial para modelagem climática, mostrando como novas ferramentas baseadas em aprendizado de máquina podem reproduzir o comportamento dos sistemas oceânicos com velocidade muito superior à dos modelos climáticos tradicionais. Segundo ela, essas tecnologias têm potencial para democratizar o acesso a simulações climáticas avançadas, ampliando as possibilidades de pesquisa e colaboração científica em escala global.
Na sequência, a bióloga marinha Diva Amon, da organização SpeSeas e da Universidade da Califórnia em Santa Barbara, trouxe uma perspectiva caribenha sobre a pesquisa em águas profundas. Em sua apresentação, destacou a necessidade de promover uma ciência mais equitativa e inclusiva, especialmente em regiões onde grande parte dos dados e amostras biológicas historicamente foi transferida para instituições estrangeiras. A pesquisadora defendeu o fortalecimento da capacidade científica local e a participação mais ativa dos países do Caribe na produção e utilização do conhecimento sobre os ecossistemas marinhos profundos.
Encerrando a sessão, Henri Vallès, da Universidade das Índias Ocidentais, apresentou um panorama da pesca baseada em dispositivos agregadores de peixes ancorados (aFADs) no Caribe insular. O pesquisador mostrou que essa atividade tem se tornado cada vez mais importante para a subsistência de comunidades pesqueiras da região e pode contribuir para aumentar a resiliência do setor diante das mudanças climáticas. No entanto, alertou para a necessidade de investimentos em monitoramento, regulamentação e cooperação regional para garantir a sustentabilidade dos estoques pesqueiros e dos benefícios socioeconômicos associados a essa prática.
Em conjunto, as apresentações evidenciaram a diversidade de temas que envolvem os oceanos, desde novas ferramentas tecnológicas para compreender as mudanças climáticas até questões de governança, conservação e uso sustentável dos recursos marinhos, reforçando a importância da cooperação internacional para enfrentar os desafios associados aos ecossistemas oceânicos.

Amazônia e Sustentabilidade
Coordenada por Andrea Encalada, da Universidad San Francisco de Quito (Equador), e Juliana Hipólito, do Instituto Nacional da Mata Atlântica (Brasil), a segunda sessão do dia foi dedicada ao tema Amazônia e Sustentabilidade, reunindo apresentações sobre mudanças climáticas, desmatamento, saúde pública e a aplicação do conhecimento científico na formulação de soluções para os desafios da região amazônica.
Abrindo a sessão, Sabina Ribeiro, da Universidade Federal do Acre (UFAC), discutiu caminhos para fortalecer a resiliência socioecológica da Amazônia diante das pressões exercidas pelas mudanças climáticas, pela alteração do uso da terra e pela ocorrência cada vez mais frequente de eventos extremos. A pesquisadora destacou o potencial dos sistemas agroflorestais como instrumentos capazes de conciliar conservação da biodiversidade, mitigação climática e desenvolvimento sustentável, ressaltando, porém, que a efetividade dessas soluções depende de financiamento adequado, capacitação técnica e do engajamento ativo das comunidades locais.
Na sequência, Fernando Garcia Menendez, da North Carolina State University, apresentou estudos sobre os benefícios associados à redução do desmatamento na América do Sul. Segundo o pesquisador, políticas voltadas à contenção da perda florestal não contribuem apenas para a redução das emissões de gases de efeito estufa, mas também podem gerar importantes ganhos para a saúde pública ao diminuir a poluição atmosférica provocada pelas queimadas. Seus estudos indicam que o controle do desmatamento tem potencial para evitar milhares de mortes prematuras relacionadas à má qualidade do ar, reforçando a necessidade de integrar políticas climáticas, ambientais e sanitárias.
Encerrando a sessão, Claudia Vega, do Centro de Inovação Científica Amazônica (CINCIA), no Peru, apresentou experiências desenvolvidas na Amazônia peruana para enfrentar os impactos da mineração artesanal de ouro, uma das principais causas de desmatamento e contaminação por mercúrio na região. A pesquisadora destacou como evidências científicas produzidas por equipes multidisciplinares têm sido utilizadas para orientar ações de restauração ambiental, monitoramento e formulação de políticas públicas. Segundo ela, a experiência demonstra que a ciência alcança seu maior impacto quando consegue transformar conhecimento em ações concretas capazes de apoiar a tomada de decisões e promover soluções sustentáveis.
Em conjunto, as apresentações mostraram que a construção de um futuro sustentável para a Amazônia depende da integração entre pesquisa científica, formulação de políticas públicas e participação das comunidades locais. Os debates reforçaram ainda a importância de abordagens interdisciplinares para enfrentar desafios complexos que conectam meio ambiente, saúde, desenvolvimento econômico e justiça social em toda a região amazônica.

Flash Talks e sessão de pôsteres estimulam novas conexões científicas
As atividades científicas do primeiro dia foram encerradas com uma dinâmica sessão de Flash Talks, na qual os pesquisadores selecionados para a exposição de pôsteres tiveram a oportunidade de apresentar, em apenas um minuto, um breve panorama de suas pesquisas e interesses científicos.
Ao todo, 26 jovens pesquisadores participaram da atividade, compartilhando com os demais participantes os principais objetivos, resultados e desafios de seus trabalhos. As apresentações funcionaram como um convite para que os presentes visitassem os respectivos pôsteres na atividade seguinte, aprofundando discussões, trocando experiências e explorando possíveis oportunidades de colaboração.

Na sequência, os participantes se reuniram na sessão de pôsteres, um dos momentos mais importantes para a interação entre os pesquisadores. Além de conhecerem em maior detalhe os projetos desenvolvidos por colegas de diferentes instituições e países, os participantes puderam discutir metodologias, resultados preliminares e perspectivas de pesquisa, ampliando as possibilidades de formação de redes de cooperação.
A dinâmica evidenciou um dos principais diferenciais do Connections to Sustain Science in Latin America Symposium: seu caráter fortemente interdisciplinar. Ao reunir especialistas de áreas tão diversas quanto biologia, saúde, engenharia, oceanografia, ciências ambientais, computação e políticas públicas, o encontro cria um ambiente propício para o surgimento de conexões inesperadas entre temas e abordagens de pesquisa.
Nesse contexto, pesquisadores de campos distintos podem identificar desafios comuns, metodologias complementares e oportunidades de atuação conjunta que dificilmente emergiriam em eventos mais especializados. Essa interação amplia as possibilidades de inovação e abre novos horizontes para colaborações científicas que transcendem fronteiras disciplinares e geográficas.
Mais do que uma oportunidade para divulgar resultados científicos, as Flash Talks e a sessão de pôsteres reforçaram um dos objetivos centrais do simpósio: aproximar a nova geração de lideranças científicas das Américas e criar condições para que parcerias, projetos e ideias inovadoras possam surgir a partir das conexões estabelecidas ao longo do encontro.

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