Último dia de simpósio internacional traz debates sobre biomedicina e financiamento

As atividades do terceiro e último dia do Simpósio Conexões para Sustentar a Ciência na América Latina 2026 (Connections to Sustain Science in Latin America Symposium) tiveram início com uma sessão dedicada às oportunidades de financiamento e colaboração científica, reunindo representantes de importantes instituições de apoio à pesquisa das Américas. O objetivo foi apresentar aos participantes diferentes mecanismos de fomento, programas de cooperação internacional e iniciativas voltadas ao desenvolvimento de redes científicas e à formação de lideranças em pesquisa.

Participaram da sessão James Lyke, representante do Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DoD); Mariano Francisco Laplane, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep); Sepi Moghadam, da Google.org; Rodrigo Durán, do Centro Nacional de Inteligência Artificial do Chile (Cenia); e Denise Pires de Carvalho, presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Primeira mesa discutiu oportunidades de financiamento

James Lyke, diretor interino do Southern Office of Aerospace Research and Development (SOARD) do DoD, apresentou as oportunidades de financiamento à pesquisa básica oferecidas pela instituição para pesquisadores e universidades da América Latina. Vinculado ao Air Force Office of Scientific Research (AFOSR), o SOARD atua como principal canal de interação entre a comunidade científica latino-americana e os programas de pesquisa da Força Aérea norte-americana, com foco na identificação e no apoio a projetos de excelência científica em áreas estratégicas da ciência e da engenharia. Em sua apresentação, Lyke destacou que o objetivo central do escritório é apoiar a melhor pesquisa fundamental produzida na região, reconhecendo que avanços disruptivos frequentemente surgem de investigações motivadas pela curiosidade científica e pela busca de novos conhecimentos. O palestrante também apresentou mecanismos de financiamento voltados à realização de projetos colaborativos, visitas técnicas, intercâmbios acadêmicos e seminários científicos, iniciativas que buscam aproximar pesquisadores latino-americanos de laboratórios e instituições de pesquisa dos Estados Unidos.

James Lyke apresentou oportunidade oferecidas pelo Departamento de Defesa (DoD) dos EUA

Mariano Francisco Laplane, assessor da FINEP, apresentou a visão da agência sobre o papel da cooperação internacional no fortalecimento da ciência, da tecnologia e da inovação no Brasil. Em sua exposição, ressaltou que a atuação da FINEP busca criar condições para que pesquisadores, empresas e instituições brasileiras participem de forma mais ativa das redes globais de produção de conhecimento e desenvolvimento tecnológico. Segundo ele, a cooperação internacional é um instrumento fundamental para ampliar o acesso a conhecimentos e tecnologias de fronteira, promover o compartilhamento de infraestrutura científica avançada, otimizar recursos e reduzir os riscos inerentes às atividades de pesquisa e inovação. Laplane destacou ainda que a FINEP mantém um amplo conjunto de parcerias com agências de fomento e organismos internacionais, apoiando chamadas conjuntas, projetos colaborativos e iniciativas voltadas à formação de redes de pesquisa. Essas ações contribuem para fortalecer a presença brasileira em fóruns dedicados à busca de soluções para desafios globais e para ampliar a qualificação de recursos humanos em áreas estratégicas. Laplane enfatizou, por fim, o papel da FINEP no financiamento de projetos alinhados à Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI), reafirmando o compromisso da agência com o desenvolvimento de capacidades científicas e tecnológicas capazes de impulsionar o crescimento econômico e social do país.

Mariano Laplane apresentou a visão da Finep sobre cooperação internacional

Sepi Hejazi Moghadam, responsável pela área de Foundations of Science da Google.org, apresentou as iniciativas da organização voltadas ao fortalecimento da pesquisa científica e ao avanço responsável da inteligência artificial. Em sua exposição, destacou o compromisso da Google.org com a ampliação do acesso a ferramentas computacionais, infraestrutura tecnológica e oportunidades de capacitação para a comunidade científica global. Segundo Moghadam, a organização busca apoiar pesquisas capazes de gerar benefícios concretos para a sociedade, promovendo ao mesmo tempo práticas mais inclusivas, colaborativas e equitativas na produção do conhecimento. Ela ressaltou ainda a importância de aproximar pesquisadores de diferentes regiões e contextos institucionais, especialmente em países em desenvolvimento, de forma a ampliar a diversidade de perspectivas envolvidas na construção das soluções científicas e tecnológicas do futuro. O palestrante também mencionou iniciativas voltadas ao apoio à pesquisa em inteligência artificial, à formação de talentos e ao desenvolvimento de redes internacionais de colaboração científica, destacando o potencial dessas ações para acelerar descobertas e ampliar seu impacto social.

Sepi Moghadam apresentou as iniciativas da Google

Na sequência, Rodrigo Durán, diretor executivo do Centro Nacional de Inteligência Artificial (CENIA) do Chile, apresentou um panorama do desenvolvimento do ecossistema de inteligência artificial na América Latina e destacou as iniciativas conduzidas pela instituição para promover pesquisa, inovação e cooperação regional na área. Em sua fala, enfatizou que o avanço da inteligência artificial na região depende não apenas do desenvolvimento tecnológico, mas também da formação de recursos humanos qualificados, da criação de ambientes favoráveis à inovação e da articulação entre academia, governos e setor produtivo. Durán destacou projetos desenvolvidos pelo CENIA para estimular a transferência de conhecimento, apoiar o desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial voltadas a desafios sociais e econômicos e fortalecer a integração regional. Também apresentou o trabalho realizado no âmbito do Índice Latino-Americano de Inteligência Artificial (ILIA), iniciativa que acompanha a capacidade dos países da região em áreas como infraestrutura, pesquisa, governança e formação de talentos. Segundo ele, a cooperação entre os países latino-americanos será fundamental para ampliar a competitividade científica e tecnológica da região e garantir que os benefícios da inteligência artificial sejam distribuídos de forma mais ampla e inclusiva.

Rodrigo Durán trouxe um panorama da IA na América Latina

Encerrando a sessão, Denise Pires de Carvalho, presidente da CAPES, apresentou as iniciativas da fundação voltadas à formação de recursos humanos altamente qualificados e à internacionalização da ciência brasileira. Em sua exposição, destacou o papel da CAPES no apoio à pós-graduação, por meio da concessão de bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado, bem como de programas destinados a fortalecer a cooperação acadêmica e científica com instituições de excelência no exterior. Segundo destacou, a formação de pesquisadores é um elemento central para o desenvolvimento científico e tecnológico do país e para a construção de soluções capazes de enfrentar desafios sociais, econômicos e ambientais cada vez mais complexos. A presidente da CAPES ressaltou ainda a importância de ampliar as oportunidades de mobilidade acadêmica e de estimular a participação de jovens cientistas em redes internacionais de pesquisa, destacando que a produção de conhecimento de ponta depende cada vez mais da cooperação entre instituições e pesquisadores de diferentes países. Ao concluir sua apresentação, reafirmou o compromisso da CAPES com a excelência da pós-graduação brasileira e com o fortalecimento da inserção internacional da ciência produzida no país.

Denise Pires de Carvalho trouxe as iniciativas da Capes

Biomedicina e ômicas encerram as sessões científicas do simpósio

Após um intervalo para o café, os participantes retornaram às atividades científicas para a sessão dedicada a Biomedicina e Ômicas, uma das áreas temáticas do simpósio. A sessão reuniu pesquisadores que atuam na fronteira do conhecimento em genômica, biologia molecular, bioinformática e medicina de precisão, explorando como novas tecnologias de análise biológica estão ampliando a compreensão de doenças complexas e abrindo caminhos para diagnósticos e tratamentos mais eficazes. Participaram da sessão Mayra Furlan-Magaril, da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM); Mariana Boroni, do Instituto Nacional de Câncer (INCA); Juan Pablo Tosar, do Institut Pasteur de Montevideo, no Uruguai; e Leandro Machado Colli, chefe do Serviço de Oncologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP).

Abrindo a sessão, Mayra Furlan-Magaril, do Instituto de Fisiologia Celular da UNAM, apresentou resultados de pesquisas voltadas à compreensão dos mecanismos genéticos envolvidos no câncer de mama. A pesquisadora mostrou como alterações estruturais no genoma podem modificar a organização tridimensional do DNA dentro das células, influenciando diretamente a ativação de genes associados ao desenvolvimento tumoral. Utilizando abordagens que combinam análise da arquitetura do genoma e sequenciamento de células individuais, sua equipe identificou rearranjos genéticos capazes de alterar padrões de expressão gênica em diferentes subtipos de câncer de mama. Segundo Furlan-Magaril, esses estudos ajudam a compreender por que tumores aparentemente semelhantes podem apresentar comportamentos distintos e responder de maneira diferente aos tratamentos. Os resultados também apontam para a identificação de novos alvos terapêuticos e reforçam o potencial das abordagens ômicas para o avanço da medicina de precisão no tratamento do câncer.

Na sequência, Mariana Boroni, líder do Laboratório de Bioinformática e Biologia Computacional do INCA, discutiu o papel das abordagens multiômicas e da inteligência artificial no avanço da oncologia de precisão. Em sua apresentação, destacou que a integração de dados genômicos, transcriptômicos, proteômicos e clínicos tem permitido compreender de forma mais aprofundada a heterogeneidade dos tumores e identificar biomarcadores capazes de auxiliar no prognóstico e na definição de tratamentos mais personalizados. Utilizando o câncer de ovário como exemplo, Boroni mostrou como modelos computacionais podem revelar características associadas à evolução da doença e à resposta terapêutica. A pesquisadora ressaltou, porém, que muitos dos bancos de dados atualmente utilizados para desenvolver essas ferramentas não representam adequadamente a diversidade genética e populacional de países como o Brasil. Segundo ela, essa limitação reforça a importância de iniciativas voltadas à construção de atlas tumorais nacionais, capazes de refletir as particularidades biológicas e clínicas das populações dos países da América Latina. Para Boroni, o futuro da oncologia de precisão depende do desenvolvimento de bases de dados mais inclusivas, que permitam gerar diagnósticos e tratamentos mais precisos e equitativos.

Juan Pablo Tosar, pesquisador do Institut Pasteur de Montevideo, apresentou avanços recentes na área dos RNAs extracelulares e suas potenciais aplicações em diagnóstico e terapias. Em sua exposição, destacou que essas moléculas, presentes em fluidos biológicos como sangue e urina, vêm despertando crescente interesse por sua capacidade de fornecer informações sobre processos fisiológicos e patológicos de forma minimamente invasiva. Tosar mostrou que parte significativa desses RNAs existe fora das vesículas extracelulares tradicionalmente estudadas, apresentando mecanismos próprios de estabilização que lhes permitem resistir à degradação no ambiente extracelular. Suas pesquisas têm demonstrado que fragmentos derivados de RNAs transportadores e ribossomais podem formar estruturas altamente estáveis, abrindo novas perspectivas para sua utilização como biomarcadores. Segundo o pesquisador, essas características tornam os RNAs extracelulares candidatos promissores para aplicações em biópsia líquida, permitindo o acompanhamento de doenças a partir de amostras biológicas de fácil obtenção. Tosar também discutiu o potencial dessas moléculas para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas e ressaltou a importância de aprofundar a compreensão dos mecanismos que regulam sua produção, transporte e função biológica.

Primeira mesa científica abordou biomedicina e ciências ômicas

Leandro Machado Colli, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP Ribeirão Preto, abordou os desafios da oncologia de precisão a partir da crescente compreensão da complexidade biológica do câncer. Iniciando sua apresentação com a pergunta “Que tipo de doença é o câncer?”, o pesquisador destacou que a enfermidade não pode ser compreendida apenas sob a perspectiva genética, mas como o resultado da interação entre múltiplas dimensões biológicas, incluindo fatores celulares, metabólicos, imunológicos, ambientais e evolutivos. Segundo ele, embora avanços recentes tenham ampliado significativamente as opções terapêuticas, apenas uma fração dos pacientes responde aos tratamentos disponíveis, especialmente às imunoterapias, enquanto persistem desafios relacionados à toxicidade e aos elevados custos do tratamento. Para enfrentar essas limitações, Colli apresentou o estudo CLARA, que integra dados clínicos, exames de imagem, informações genômicas, transcriptômicas, epigenéticas, microbioma e outras abordagens ômicas para construir modelos biológicos mais abrangentes do comportamento tumoral. Os resultados apresentados indicam que a combinação de múltiplas camadas de informação permite compreender melhor a heterogeneidade dos pacientes, identificar biomarcadores associados à resposta terapêutica e apontar novos alvos para tratamento. Ao concluir, ressaltou que a crescente complexidade da oncologia exige um esforço igualmente amplo de colaboração entre pesquisadores, instituições e diferentes áreas do conhecimento.

Sessão de encerramento destaca legado e perspectivas futuras

Após três dias de intensas atividades científicas e de networking, o simpósio foi encerrado com uma sessão dedicada à reflexão sobre os resultados alcançados e as perspectivas futuras da iniciativa. Participaram da mesa de encerramento Helena B. Nader, presidente da ABC; Raul Machado Neto e Marcio de Castro, da Fapesp; e Dalal Najib, das Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos (NASEM). Em suas intervenções, os representantes das instituições organizadoras ressaltaram a qualidade das discussões realizadas ao longo do encontro, a diversidade dos participantes e o potencial das conexões estabelecidas durante o simpósio para gerar novas colaborações científicas em escala regional e internacional. Também enfatizaram que o evento representa apenas uma etapa de um esforço mais amplo voltado ao fortalecimento da comunidade científica das Américas, especialmente entre pesquisadores em início e meio de carreira.

Em sua fala de encerramento, a presidente da ABC, Helena B. Nader, destacou que o Connections to Sustain Science in Latin America Symposium 2026 representou muito mais do que um encontro científico. Segundo ela, a iniciativa faz parte de um esforço contínuo voltado à construção de uma comunidade científica mais integrada e resiliente na América Latina e no Caribe, capaz de enfrentar desafios cada vez mais complexos por meio da cooperação internacional e da troca de conhecimentos entre diferentes áreas do saber. Ao avaliar os resultados do simpósio, Helena Nader ressaltou que os debates realizados ao longo dos três dias demonstraram a importância de superar barreiras disciplinares, institucionais e geográficas na busca por soluções para problemas globais. Temas como mudanças climáticas, conservação dos oceanos, sustentabilidade da Amazônia, eventos extremos, inteligência artificial aplicada às ciências da vida e biomedicina evidenciam, segundo ela, que as grandes questões contemporâneas exigem abordagens integradas e a colaboração de pesquisadores com diferentes formações e experiências. A presidente da ABC também enfatizou que o programa foi concebido com base em dois pilares centrais: ampliar o acesso ao conhecimento científico e fortalecer as oportunidades de intercâmbio e colaboração entre pesquisadores. Nesse contexto, destacou a relevância de iniciativas como a plataforma ACALConecta e das atividades promovidas pelo programa Connections, que buscam criar mecanismos permanentes para aproximar cientistas da região, facilitar o compartilhamento de informações e estimular a formação de redes de cooperação duradouras. Dirigindo-se especialmente aos pesquisadores em início e meio de carreira, Helena Nader afirmou que o principal legado do encontro está nas relações construídas durante o simpósio. Para ela, muitas das colaborações científicas mais relevantes surgem em momentos de diálogo informal, troca de experiências e descoberta de interesses comuns. Por isso, incentivou os participantes a manterem contato após o encerramento do evento, transformando as conexões estabelecidas em novas pesquisas, projetos conjuntos, intercâmbios acadêmicos e iniciativas de impacto regional. Encerrando sua participação, a presidente da ABC reforçou que sustentar a ciência na América Latina significa criar condições para que novas gerações de pesquisadores possam desenvolver carreiras sólidas, atuar em ambientes colaborativos e contribuir para a produção de conhecimento capaz de beneficiar toda a sociedade. Segundo ela, o verdadeiro sucesso do simpósio será medido pelos frutos que essas conexões produzirão nos próximos anos.

Presidente da ABC, Helena Nader discursou no encerramento do simpósio

Raul Machado Neto, chefe de Relações Institucionais da Fapesp, destacou que o principal legado do Connections to Sustain Science in Latin America Symposium 2026 está nas conexões criadas entre os participantes ao longo dos três dias de atividades. Em sua fala, agradeceu às instituições organizadoras e parceiras, incluindo a Academia Brasileira de Ciências (ABC), as Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos (NASEM), a Rede Interamericana de Academias de Ciências (IANAS), a Chan Zuckerberg Initiative e a própria FAPESP, além de reconhecer o trabalho das equipes responsáveis pela concepção e execução do evento. Também fez um agradecimento especial aos profissionais que atuaram diretamente na organização do simpósio, ressaltando o esforço coletivo necessário para transformar a iniciativa em realidade. Ao dirigir-se aos participantes, Machado Neto afirmou que um dos maiores acertos do programa foi a seleção de um grupo altamente qualificado de pesquisadores em início e meio de carreira provenientes de diferentes países e áreas do conhecimento. Segundo ele, o objetivo do encontro foi justamente criar oportunidades para que esses cientistas estabelecessem relações profissionais em uma etapa estratégica de suas trajetórias, com potencial para evoluir para colaborações e parcerias de longo prazo. “É por isso que o evento se chama Connections to Sustain Science”, observou. O representante da FAPESP também destacou que iniciativas como essa refletem o amadurecimento dos esforços de internacionalização da ciência na América Latina. Se, no passado, essas ações estavam voltadas principalmente para a formação de capacidades científicas, hoje elas buscam cada vez mais estabelecer parcerias entre grupos e instituições já consolidados, capazes de colaborar em pé de igualdade e com benefícios mútuos. Para ele, a construção dessas redes internacionais de pesquisa é essencial para ampliar o impacto da ciência produzida na região e para enfrentar desafios que transcendem fronteiras nacionais.

Raul Machado Neto, da Fapesp, falou ao final do evento

Por sua vez, Marcio de Castro, diretor científico da FAPESP, destacou em sua fala de encerramento que o principal legado do simpósio não está apenas nas discussões realizadas ao longo dos três dias de atividades, mas nas conexões que foram estabelecidas entre os participantes e que poderão gerar novas iniciativas de pesquisa no futuro. Segundo ele, desafios como mudanças climáticas, sustentabilidade, saúde, energia e desenvolvimento econômico não podem ser enfrentados a partir de uma única disciplina, instituição ou país, exigindo respostas científicas igualmente integradas e colaborativas. Castro ressaltou que a América Latina reúne uma extraordinária diversidade biológica, ambiental, cultural e científica e, por isso, deve ocupar um papel central na construção de soluções para os grandes desafios globais. Para que isso aconteça, afirmou, é necessário fortalecer os ecossistemas científicos da região por meio de investimentos contínuos em pesquisa, infraestrutura moderna, compartilhamento de conhecimento e ampliação das redes de colaboração entre universidades, institutos de pesquisa, governos, empresas e sociedade. Marcio de Castro enfatizou ainda a importância da participação dos jovens pesquisadores presentes no encontro, observando que a cooperação científica se torna verdadeiramente sustentável quando é construída a partir de relações de confiança entre cientistas. Segundo ele, muitas das conversas iniciadas durante o simpósio poderão se transformar em projetos conjuntos, intercâmbios, novas redes de pesquisa e colaborações de longo prazo. Ao concluir, destacou que a sustentabilidade deve ser pensada não apenas sob a ótica ambiental, mas também como um compromisso com a própria ciência, envolvendo instituições sólidas, mecanismos duradouros de financiamento, parcerias internacionais estáveis e oportunidades para as novas gerações de pesquisadores. Para ele, o verdadeiro sucesso do evento será medido pelos resultados que surgirem a partir das conexões construídas durante o encontro.

Marcio de Castro, também da Fapesp, falou na sessão final

Encerrando a sessão, Dalal Najib, diretora sênior de Desenvolvimento de Capacidades das Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos (NASEM), destacou que o sucesso do Connections to Sustain Science in Latin America Symposium 2026 é resultado da construção de parcerias baseadas na reciprocidade, na confiança e no compartilhamento de responsabilidades entre as instituições envolvidas. Ao agradecer à ABC, à IANAS, à FAPESP e à Chan Zuckerberg Initiative pelo apoio à iniciativa, ressaltou que a cooperação sustentável depende da combinação de competências, perspectivas e recursos complementares. Najib enfatizou ainda que o Connections vai além do formato tradicional de conferência científica, por se tratar de um programa concebido para colocar pesquisadores em início e meio de carreira no centro das discussões. Segundo ela, os próprios participantes ajudam a moldar a programação científica e a conduzir os debates, tornando o encontro um espaço privilegiado para o surgimento de novas ideias e colaborações. A diretora destacou que a seleção para participar do programa constitui um importante reconhecimento acadêmico e lembrou que muitos ex-participantes de iniciativas semelhantes se tornaram líderes destacados em suas áreas de atuação. A representante da NASEM também chamou atenção para o caráter interdisciplinar do simpósio, concebido para estimular o intercâmbio de conhecimentos entre diferentes áreas da ciência. Além das discussões científicas, ressaltou a importância dos momentos informais de convivência, que permitem aos participantes construir relações de confiança, compartilhar experiências e estabelecer vínculos duradouros. Segundo ela, essas conexões humanas representam um dos principais resultados do programa e constituem a base para futuras colaborações científicas entre pesquisadores das Américas.

Dalal Najib, da NASEM, também falou na sessão final

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(Marcos Cortesão e Vitor Vieira para ABC | Fotos: Marcos Cortesão)