Cultura na infância pode influenciar interesse de meninas por ciência

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Meninas com menos de seis anos acreditam que “pessoas brilhantes” ou “muito, muito inteligentes” podem ser tanto homens quanto mulheres. Mas, a partir dessa idade, elas tendem a achar que “brilhantismo” é uma característica mais presente em meninos e que elas são “mais esforçadas”.

Isso mostra como, desde uma idade muito jovem, meninas são influenciadas a pensarem que são menos aptas para desenvolver estudos e serem bem-sucedidas em áreas consideradas difíceis, como física, matemática e engenharia.

Talvez essa seja uma das razões para explicar a desigualdade de gênero que ainda persiste na ciência, especialmente na área conhecida como Stem (ciência, tecnologia, engenharia e matemática, na sigla em inglês).

(…)

Neste sábado (11), é comemorado o Dia Internacional das Meninas e Mulheres na Ciência. A data foi instituída pela primeira vez em 2015 pela Unesco para dar visibilidade à participação feminina na ciência e unir esforços para combater a desigualdade ainda presente.

Para Helena Nader, 1ª mulher a presidir a Academia Brasileira de Ciências (ABC) em mais de 106 anos desde sua criação, a importância de valorizar a participação das meninas na ciência por meio de exemplos, como a química Marie Curie, primeira (e única) pessoa a ganhar o prêmio Nobel em duas áreas (científicas) distintas.

“Para as meninas o que temos tentado fazer é colocar algumas figuras como emblemáticas, como líderes para elas. Porque muitas vezes muitas meninas não acham que é uma área, as ciências, ou a engenharia, para mulheres. E a gente tem que desmistificar isso”, disse.

De acordo com Nader, os avanços feitos nos últimos anos para ampliar a presença feminina em cargos de alta instância na ciência são importantes, mas a baixa participação das meninas em cursos de áreas como engenharia e ciências exatas são representativos das diferenças culturais na infância.

“Infelizmente, muito do que acontece se traz de casa. Se você olhar, a educação tende a ser segregatória. Não pode existir um ‘brinquedo para meninas’ e um ‘para meninos’, o que deveria existir são brinquedos para crianças. Isso estigmatiza. É preciso começar um trabalho na pré-escola para dizer tanto aos meninos quanto às meninas: você pode tudo”, completa.

Na próxima segunda (13), a partir das 14h, a ABC organizará um evento especial em comemoração à data. A programação é aberta ao público e poderá ser acompanhada virtualmente por meio do seguinte link.

Leia a matéria completa na Folha de S. Paulo.

(Folha de S. Paulo, 10/02/2023)