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S.O.S CIÊNCIA

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Publicado em 15/06/2017

Leia o artigo escrito pelo membro titular da ABC Isaac Roitman  no Blog da Política Brasileira e publicado em 14 de junho. Doutor em Microbiologia, Roitman é professor emérito e coordenador do Núcleo de Estudos do Futuro da Universidade de Brasília (UnB). Pesquisador emérito do CNPq, ele é membro do Movimento 2022 O Brasil que queremos. A íntegra do artigo também pode ser conferida em http://blogdapoliticabrasileira.com.br/ciencia-brasil/

O título desse artigo é um apelo feito pelo presidente da Academia Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich , em evento recente celebrando a Semana Mundial do Meio Ambiente que foi promovido pelo Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PPMC) realizado no Museu do Amanhã no Rio de Janeiro.

Sistema de Ciência e Tecnologia

A estruturação do Sistema de Ciência e Tecnologia no Brasil foi iniciada na década de 50 do século passado com a criação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Na década de 60 em parceria com a CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Ensino Superior) foi montada as bases para a formação de recursos humanos (mestres e doutores). A pós-graduação apresentou uma grande expansão na última década. Um estudo conduzido pelo Centro de Estudos e Estudos Estratégicos (CGEE) mostrou que em 1966 formaram-se 10.482 mestres no Brasil. Em 2014 esse número foi de 50.206. Em 1966 formaram-se 2.854 doutores subindo para 16.729 doutores em 2014. Assim, construímos uma considerável base de recursos humanos, que é o primeiro passo para construirmos um sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação para colocarmos o Brasil em posição de destaque no século XXI que é considerada a Era do Conhecimento.

Retração nos investimentos em Ciência

No entanto testemunhamos um retrocesso no desenvolvimento científico e tecnológico brasileiro. Recentemente o ministério dedicado a Ciência, Ministério de Ciência e Tecnologia (MCTI) foi unido ao setor de comunicação acrescentando um “C” em sua sigla: MCTIC. Ao contrário do esperado o orçamento do Ministério não aumentou. Agravando a situação em março de 2017, foi anunciado o corte de 44% na pasta.

A redução de investimentos alcançou também as Fundações Estaduais de fomento à pesquisa. No Rio de Janeiro a Fundação Carlos Chagas Filho  de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (FAPERJ), em levantamento feito pelo jornalista Herton Escobar, o calote – financiamento de projetos e bolsas de estudos – alcança o valor de 470 milhões. Essa situação está interrompendo as atividades de pesquisas, principalmente nas Universidades estaduais: Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF).

Poderíamos analisar a presente situação como excepcional e passageira. Parece não ser o caso. O que nos espera com decisões equivocadas do executivo e legislativo é um forte recuo no aporte de verbas federais para os próximos 20 anos. O retrocesso então ganhará mais velocidade. Todo o esforço de formação de recursos humano irá por água abaixo e nossos melhores cérebros deixarão o país.

O futuro

A verdade é que esta estratégia de fragilização do nossos sistema nacional de ciência e tecnologia terá implicações graves para o desenvolvimento econômico brasileiro. O ideário de que o investimento em Ciência e Tecnologia tem um valor estratégico para o Brasil será enfraquecido. Esse desmonte do aparato estatal de fomento científico deve ser interrompido e revertido. A burocracia para a aquisição de insumos e instrumentação científica deve ser simplificada e projetos de parceria com o setor privado devem ser estimulados para obtenção de novas patentes e produtos. A pesquisa que visa a solução de problemas da sociedade deve ser valorizada.

Transcrevo parte do artigo de Sidarta Ribeiro – “Ciência em retrocesso”, diretor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte: “O que está em jogo é o destino da nação. O pior não será seguirmos sem ganhar o Nobel nem deixarmos de competir pelas descobertas mais importantes. Nossa soberania ficará profundamente comprometida quando nossos cientistas não conseguirem compreender os artigos que leem, quando nos descolarmos tanto da fronteira da ciência mundial que passaremos a mistificá-la, voltando a pagar caro pelos pacotes tecnológicos fechados que vêm do exterior. Sem uma guinada radical, rumamos céleres para a irrelevância. Mas ainda há esperança.”

No entanto para cultivarmos a esperança não podemos ficar calados ou acomodados. Vamos fazer eco as palavras “SOS Ciência” e ajudar a reverter esse mal momento e lembrar das palavras de Aristóteles: “A esperança é o sonho do homem acordado”.


(Isaac Roitman , Blog da Política Brasileira, 14/06/2017)


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