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DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA

Pernambucano vence Euraxess Science Slam Brazil 2017 com paródia da Netflix

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Publicado em 27/10/2017

Arthur recebe o cheque da premiação das mãos da organizadora Charlotte Grawitz. Ao lado, os concorrentes: Max, Marina, Raquel e Maria Eduarda.

"Game of Flowers", "Pollinate Dead", "House of Bats", "Stranger Flowers", "Smelling Bad" e "Ultravioleta is the new red". Qualquer semelhança com as famosas séries da Netflix, popular provedor de filmes via streaming, não é mera coincidência. Doutorando da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pesquisador do Laboratório de Biologia Floral e Reprodutiva (Polinizar) Arthur Domingos de Melo conquistou o público e a 5ª edição do Euraxess Science Slam Brazil 2017.

Sua pesquisa sobre polinização de plantas por morcegos foi narrada como uma trama. Não faltaram ação, suspense, mistério e até amor. Além de muitas risadas, o público se entusiasmou com a maneira como o jovem cientista de 27 anos costurou as famosas histórias das séries da Netflix com os protagonistas de sua pesquisa: as plantas e os morcegos. Até o programa de calouros "The Voice" ganhou a versão "The Voice Flowers", pois, segundo Arthur, as flores competem entre si para atrair, pelo cheiro, seus jurados favoritos, isto é, os morcegos.

O pernambucano concorreu com mais quatro pesquisadores ao prêmio de uma viagem para a Europa em 2018, para visitar um instituto europeu de pesquisa de sua escolha. Participaram da disputa a doutoranda do Laboratório de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Raquel Medialdea Carrera; o doutorando do curso de história da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Max Fabiano Rodrigues de Oliveira; a mestrando do Laboratório de Farmacologia Molecular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, Marina Boni; e a mestranda do Laboratório de Adesão e Comunicação Celular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Maria Eduarda Amaral Silva.

Pesquisadora visitante da Fiocruz e aluna da Universidade de Liverpool, na Inglaterra, a espanhola Raquel interpretou o vírus da Zika. A jovem mostrou à plateia que, tal como ela, que nasceu na Espanha, estudou na Inglaterra, fez pesquisa em Serra Leoa e agora está no Brasil, o vírus vem há alguns anos "fazendo turismo" por alguns países do mundo - e pedia que o ajudassem a ir para a Europa.

Já o historiador Max bebeu na fonte das artes cênicas e interpretou o conflito existente entre passado e presente, com foco na memória da cidade de Itaguaí, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Ele investiga a questão agrária na região na segunda metade do século XIX, num momento pré-abolicionista e marcado também pela decadência do ciclo do café no Rio de Janeiro.

A carioca estudante da UFRJ Marina apostou no funk para falar sobre sua pesquisa, que envolve farmacologia e AVC (Acidente Vascular Cerebral). Ela, que já faz paródias científicas enquanto trabalha no laboratório do Fundão, fez a plateia dançar com uma letra recheada de nomes de proteínas. Por fim, a paulista Maria Eduarda usou um vídeo caseiro, encenado com a ajuda de amigos, para explicar o efeito da diabetes 2 na secreção de insulina no organismo.

Além do público presente ao evento, um time de jurados avaliou e votou nos candidatos. A Academia Brasileira de Ciências (ABC) foi representada pela bioquímica e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Débora Foguel . Para a Acadêmica, o Euraxess Science Slam é uma belíssima iniciativa de divulgação científica. "É um evento que estimula nossos jovens a traduzir de maneira simples e fácil, sob a forma de músicas e performances criativas, o que eles pesquisam. Saio desse evento maravilhada ao ver a potencialidade de nossos jovens em comunicar seus trabalhos a um público leigo", disse Débora.

Também compôs o júri o geneticista francês e diretor do Instituto Serrapilheira Hugo Aguilaniu, a pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) e diretora do "Pint of Science Brasil" Natalia Tashner Pasternak; o conselheiro científico da Embaixada da Itália, Roberto Bruno; e o jornalista científico de O Globo, César Baima.

Bastante surpreso e emocionado em ser escolhido como vencedor do concurso, Arthur declarou que, para ele, ser pesquisador é um ato político. "O conhecimento é a maior arma que uma sociedade pode ter. Por isso, faço questão de ressaltar aqui que, para mim, ser cientista é um ato político", afirmou ele, que pretende usar o prêmio, a viagem para a Europa, para estreitar laços com cientistas da Alemanha.

Presente ao evento, o diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), instituição que também apoia o concurso, o Acadêmico Jerson Lima da Silva  destacou a importância do papel da divulgação científica como ferramenta de aproximação da sociedade com o ambiente acadêmico-científico. Para ele, é preciso que tudo que é produzido nos institutos de pesquisa seja comunicado à população de forma atraente.

"A divulgação é uma porta de atração dos jovens do ensino básico e médio para a ciência. Num país que tem poucos cientistas ainda, comparado às nações desenvolvidas, o trabalho da divulgação científica se torna fundamental", disse.

Mestre de cerimônias da noite, o ganhador do Euraxess Science Slam 2016 André Azevedo da Fonseca, da Universidade Estadual de Londrina, lembrou que sua participação na disputa foi não só emocionante, como transformadora. "Fico feliz por, a cada ano, mais pesquisadores estarem interessadas em participar do concurso. Em tempos em que é preciso mostrar à sociedade que a ciência é necessária a experiência de participar do Euraxess é de fato transformadora. Não só para os candidatos, como para os jurados e o público em geral", avaliou.

No dia anterior, a Euraxess tinha oferecido aos finalistas e outros 40 cientistas inscritos um excelente treinamento de mídia, na Casa Europa, no centro do Rio de Janeiro. Com várias palestras e atividades práticas, seguidas de um ensaio de cada um avaliado pelos coaches, que deram as últimas orientações aos candidatos, o dia foi intenso e muito proveitoso para todos os participantes.

A Euraxess é uma iniciativa da Comissão Europeia que promove o desenvolvimento das carreiras científicas, a mobilidade de pesquisadores e visa fortalecer a colaboração científica entre a Europa e os demais países do mundo. A rede Euraxess é formada por 40 países europeus e possui representantes em seis regiões ao redor do mundo, inclusive no Brasil.

Confira as apresentações dos vencedores das edições anteriores

2016 – André Azevedo, Universidade Estadual de Londrina (UEL).

2015 – Leonardo Parreira Silva Nascimento, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

2014 – Vanessa Cardoso Pires, Universidade de São Paulo (USP)


(Aline Salgado, para o NABC. Fotos: ABC/Pedro Henrique Carvalho)


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