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Inovação e abertura de mercado

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Publicado em 2/08/2017

A identificação das necessidades da indústria e a integração entre setores são os principais pilares da inovação, de acordo com o professor titular de química da Unicamp e vice-presidente da Regional SP da ABC, Oswaldo Luis Alves, coordenador de mesa que discutiu os principais desafios para a inovação no país e o papel que esse setor da ciência tem na sociedade e na economia. A posição foi dada por ele em palestra na 69ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência (SBPC), em Belo Horizonte. Compuseram a mesa também o diretor do Instituto de Física de São Carlos, Tito José Bonagamba, e Paulo Mol Júnior, diretor de Inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Oswaldo Alves pontuou que o avanço social e o crescimento da sociedade dependem, em grande parte, da inovação, desde a criação de medicamentos até produtos que facilitam ou melhoram a qualidade de vida. Para ele, o “transbordamento” do conhecimento produzido em laboratório para reprodução na indústria é o que configura a tecnologia e é na melhoria desse vínculo que devem se concentrar os esforços. “Um grande problema no Brasil é que toda ou quase toda a pesquisa do país está instalada nas universidades”, disse o Acadêmico.

Alves ressaltou também o perigo que a preocupação com patentes pode representar para o desenvolvimento tecnológico, criando uma trava na inovação. Explicou os modelos de inovação, ou seja, o linear, onde há uma dissociação da indústria e pesquisa; em cadeia, onde industria e pesquisa trabalham em sintonia. Pontuou, ainda, a terceira possibilidade, ou seja, os Sistemas Nacionais de Inovação (SNIs) que procuram levar em conta os aspectos citados mais a integração com a economia e a sociedade. “A inovação não é somente invenção, porque precisa entender as necessidades do sistema e do usuário, não é apenas criar algo novo. A inovação precisa também de sensibilidade, a necessidade de uma segunda leitura. Não é suficiente somente conhecer o que você faz no laboratório. É preciso, muitas vezes, até colocar uma forte dose de erudição neste processo”, defendeu o Acadêmico.

Tito José Bonagamba, do IFSC, defendeu a importância da multidisciplinaridade em projetos de inovação. Ele lembrou que no Instituto de Física da USP São Carlos 5% dos pesquisadores não são físicos e que esse arranjo é essencial para produzir um conhecimento que extravase as barreiras do laboratório e possa chegar ao campo da inovação. Afirmou que, mesmo assim, há uma preocupação em preservar a ciência básica. “Essa multidisciplinaridade também facilita o diálogo com as instituições que estão fora da academia”, disse Bonagamba.

Foi essa relação intersetorial que Paulo Mol Júnior, da CNI, elencou como de extrema importância para a efetividade de um sistema de inovação. Para ele, as universidades ainda têm um caráter muito conservador e o governo não vê a inovação como prioridade orçamentária, o que atrasa o processo. “A comunicação entre universidade, governo e indústria no Brasil ainda é muito pobre”, pontuou Mol. Ainda sobre o governo, o diretor da CNI afirmou que o principal gargalo da inovação é a legislação, que estabelece entraves. Segundo ele, os investimentos em inovação ocorrem geralmente nos laboratórios ou na comercialização. "O meio do processo, de passar para a produção para grande escala, permitindo aplicação industrial, quase não tem investimentos", explicou Mol. Essa perspectiva de inovação como alavanca para desenvolvimento econômico é o que precisa ser estabelecido entre os setores. “As empresas que mais investem em inovação são as mais produtivas, no longo prazo, criando competição e se posicionando melhor no mercado”, afirmou.


(Thaís Soares para NABC)


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