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Abertura da 69ª Reunião da SBPC foi marcada por emoção e discursos em defesa da ciência

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Publicado em 17/07/2017

Luiz Davidovich , Maria Zaira Turchi, Elton Zacarias, Helena Nader , Jaime Ramírez, Sandra Goulart Almeida, Jailson Bittencourt, Mário Borges Neto e Tamara Naiz.

Na noite de 16 de julho, foi realizada a abertura do maior evento científico da América Latina: a 69ª Reunião da Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC). O encontro, gratuito e aberto ao público foi até o dia 22 de julho, no campus Pampulha da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na programação, atividades variadas de promoção e popularização da ciência, apresentadas pelos mais importantes institutos de ciência e tecnologia do país. Além de dezenas de palestras de Acadêmiicos, a ABC divulgou seu site que apresenta as carreiras científicas para jovens, o ProfiCiência, num estande na área de exposição de ciência e tecnologia, a ExpoT&C.

A cerimônia no domingo lotou o auditório, com a presença de pesquisadores, professores, estudantes, representantes de agências de fomento e políticos. A mesa foi composta pelo reitor da UFMG, Jaime Ramírez; a presidente da SBPC, Helena Nader  ; a vice-reitora da UFMG, Sandra Goulart Almeida; o secretário-executivo do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC); Elton Santa Fé Zacarias, representando o ministro Gilberto Kassab; o diretor geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, Almirante de Esquadra Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Junior; a presidente do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), Maria Zaira Turchi; o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTIC, Jailson Bittencourt de Andrade  ; o presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC) Luiz Davidovich  ; o presidente do CNPq, Mário Neto Borges; e a presidente da Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG), Tamara Naiz.

Um dos homenageados da noite foi o Acadêmico Sérgio Henrique Ferreira , falecido no ano passado. Sua pesquisa, realizada inicialmente em colaboração com o também Acadêmico Mauricio Oscar Rocha e Silva, evidenciou o fator de potenciação da bradicinina, um peptídeo extraído do veneno da serpente Bothrops jararaca), possibilitando o desenvolvimento de novos agentes anti-hipertensivos, o que levou ao desenvolvimento do medicamento Captopril.

Professora da USP, a Acadêmica Regina Pekelmann Markus  fez um discurso dedicado à memória de Ferreira. "Ele foi um cientista de primeira linha. É possível ver a marca de Sérgio na ciência de todo o mundo", afirmou.

Professor emérito da UFMG, o Acadêmico Ângelo Barbosa Monteiro Machado  também foi homenageado. O recém-eleito presidente da SBPC, Ildeu de Castro Moreira, ressaltou a intensa e importante atuação do neurocientista e entomologista junto à SBPC, que somam 55 anos. "Entre seus trabalhos de maior destaque está a participação na criação das revistas Ciência Hoje e Ciência Hoje das Crianças, importantíssimas para a divulgação científica”, ressaltou Moreira, que será empossado no dia 20 de julho, durante a Reunião.

No palco, Machado arrancou do público aplausos e muitas risadas. “Fiquei muito emocionado com essa homenagem, muito importante pelo carinho que tenho com a SBPC. Tenho que dividir essa homenagem com Conceição Maria Machado, que foi minha estagiária e depois casei com ela. A melhor maneira de fixar uma assistente. E o resultado foram vários trabalhos científicos, Lucia, Paulo e Eduardo”, contou Machado, divertindo a plateia.

Médico de formação, e entomólogo de coração, Machado foi agraciado como primeiro biólogo emérito do Brasil pelo Conselho Federal de Biologia.“Descobri depois de 45 anos estudando entomologia qual a importância da libélula: fazer um velho feliz”, disse ele.

Secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), o Acadêmico Jailson Bittencourt falou à plateia sobre os tempos difíceis que a ciência brasileira e mundial vive. "É um desastre para nós da ciência ver o presidente da maior economia do mundo não respeitar um acordo firmado, com uma base cientifica extremamente sólida, como o Acordo de Paris", salientou Bittencourt, referindo-se aos Estados Unidos.

Para ele, o Brasil precisa de uma revolução na educação, que levará a uma mudança na ciência. "Uma revolução que levará ao aperfeiçoamento de nossa ciência básica, que já é muito qualificada, mas que é pequena para o tamanho do país. O sonho da inovação só chegará com uma ciência e uma educação de excelência. E isso temos como aperfeiçoar e avançar", afirmou.

A união entre gerações em defesa da ciência foi ressaltada pelo presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Mário Neto Borges. "Vemos hoje a antiga e a nova geração atuando lado a lado. Que tenhamos mais pessoas trabalhando pela ciência, tecnologia e inovação, junto com a educação, para, assim, transformarmos o país em uma potência não só econômica, como social e cultural também", disse Borges.

Despedindo-se da presidência da SBPC, após dez anos de dedicação e luta pela defesa da ciência, a Acadêmica Helena Nader fez um discurso bastante emocionado. Segundo ela, a comunidade acadêmica e científica, aliada à sociedade como um todo, precisará enfrentar uma importante batalha: a Emenda Constitucional 95, popularmente conhecida como PEC do teto dos gastos públicos ou PEC do fim do mundo, aprovada no final de 2016. "Ainda não fomos capazes de convencer os ministérios do Planejamento e da Fazenda de que ciência não é despesa, é investimento", pontuou Helena.

À frente da presidência da SBPC, a Acadêmica trabalhou interruptamente para atender a todas as demandas da função pelo país afora, sem esquecer sua função como professora e orientadora. "Lutei pela ciência, tecnologia e inovação no país. Uma luta contra o obscurantismo, como o ensino do criacionismo e a escola sem partido. Nesse período, procurei manter um diálogo aberto e franco com agentes públicos e tomadores de decisão, mostrando que a ciência, tecnologia e inovação devem ser os alicerces para a nação brasileira", afirmou.

Helena fez ainda um alerta para os potenciais riscos à ciência brasileira, como a regulamentação do marco regulatório da ciência e tecnologia. "Uma regulamentação que o MCTIC defende, mas que temos que garantir que o Planejamento e a Fazenda não destruam. Um trabalho feito a varias mãos e aprovado no Parlamento brasileiro", disse.

Em sua mensagem final, Helena convocou a comunidade científica para a luta. "Não podemos ter retrocessos, acreditamos que apenas com ciência e tecnologia fortes, associados à educação de qualidade, poderemos alcançar uma sociedade justa e igualitária", ressaltou.


(Ascom ABC)


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