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A ciência é um livro aberto e inacabado

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Publicado em 21/07/2017

As páginas de coleções científicas e enciclopédias instigaram Angelo Malachias de Souza  a se aventurar pelo mundo sem limites da ciência. Foi esse contato preliminar, quando menino, que o levou para o caminho da pesquisa e ao posto de professor adjunto do Departamento de Física da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

"Enxergo a ciência como uma construção de muitos indivíduos, uma obra sempre inacabada, em contínua depuração e fundamental para a melhoria da nossa existência", avalia ele, que se diz grato aos parentes e amigos que mantinham pequenas bibliotecas em suas casas.

Amante das ciências biológicas, da matemática e da computação, Angelo teve seu caminho profissional direcionado para a física ainda no ensino médio, após uma experiência bastante forte. "Descartei a biologia depois de dissecar rins e olhos de boi", conta o Acadêmico. Ele diz que queria interagir experimentalmente com seus objetos de estudo, mas não daquela maneira. A computação também foi deixada em segundo plano, vista como uma habilidade complementar, que lhe ajudaria no futuro, mas não como eixo principal do meu trabalho. Por fim, foi atraído pela física, "campo em que a matemática e a interpretação da realidade se unem de maneira mais fundamental", relembra o cientista.

Após completar a graduação na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Malachias seguiu no mestrado e no doutorado na mesma instituição, fazendo um sanduíche no European Synchrotron Radiation Facility, em 2004. Em 2006 fez estágio de pós-doutorado em difração magnética ressonante em Campinas, no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS). Voltou então para a Europa, atuar como cientista contratado pelo Instituto Max-Planck em Stuttgart, na Alemanha e na European Synchrotron Radiation Facility (ESRF) em Grenoble, na França, entre 2007 e 2008. Foi pesquisador e líder do grupo de Difração de Raios-X do LNLS de 2008 a 2011.

Com experiência em física da matéria condensada e instrumentação específica de uso geral em física, Malachias atua principalmente no estudo de superfícies e interfaces. "Descobri, com o passar dos anos, que um estudo aprofundado acerca de questões estruturais e morfológicas de interfaces entre diferentes materiais é crucial para o desenvolvimento de aplicações, em escalas que vão de micrômetros a nanômetros. Dedico-me atualmente a compreender como alguns materiais inorgânicos e orgânicos se adaptam ao contato com outros materiais, gerando fenômenos físicos muito diferentes daqueles que se pode observar em cada sistema isolado", explica.

Observando o crescimento dos filhos, ainda pequenos, Angelo acredita que poderá se tornar um professor e pesquisador ainda melhor, um profissional mais sensível aos talentos de alunos e colaboradores. "Faço meu trabalho de pesquisa interagindo, envolvendo colegas em minhas idéias e participando das ideias deles", diz.

Como membro afiliado à ABC, Angelo acredita que terá um novo canal de comunicação com colegas de outras instituições, pessoas que, mesmo com interesses científicos distintos, buscam incessantemente melhores condições para o desenvolvimento da ciência e, de maneira mais ampla, do ensino superior em nosso país.

"O Brasil ainda não tem um modo de operação consolidado para trabalhar o saber científico, permitir sua transmissão com a melhor eficiência possível e alavancar o desenvolvimento de aplicações e interfaces da academia com empresas e indivíduos. É nosso dever como membros de uma organização científica debater metodologias e caminhos para tornar o conhecimento mais difundido, desfazendo entraves nas interfaces da expansão do nosso saber e buscar maneiras de reduzir nossas próprias limitações", avalia.


(Ascom ABC)


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