Financiamento da ciência brasileira está ameaçado por veto do Executivo

18 de fevereiro de 2021 Por (Ascom ABC)

Leia artigo da Representação dos Membros Afiliados da ABC, Ana L. Chies Santos, Andreza de Bem, Marcelo A. Mori e Raquel Minardi publicado no blog Ciência e Matemática, do Acadêmico Claudio Landim, em O Globo, no dia 18/2:

Efe-ene-de-ce-tê (FNDCT): o que essa sigla representa?

Trata-se do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, criado em 1969, para financiar a inovação e o desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil.

Nas últimas semanas, este tema veio à tona por conta dos vetos do executivo a trechos do projeto de lei complementar (PLP) 135/2020, que tinha sido aprovado por ampla maioria no Congresso Nacional. O PLP 135/2020 tinha como proposta proibir que o FNDCT fosse colocado em uma tal  “reserva de contingência”, permitindo assim a aplicação integral dos recursos em ciência, tecnologia e inovação, sem possíveis restrições impostas pelo executivo ou legislativo.

Os vetos presidenciais mantém o FNDCT sujeito a contingenciamentos. Em 2020, apenas 12% dos 5,2 bilhões de reais disponíveis no FNDCT foram usados para financiar ciência, tecnologia e inovação no Brasil. Num ano que mostrou o quão importante é o desenvolvimento científico e tecnológico para que uma nação consiga enfrentar desafios socioeconômicos e sanitários, a restrição do uso do FNDCT é, no mínimo, contraditória.

É fato que a ampla maioria da população desconhece como funciona o financiamento da ciência no país. Grande parte dos estudantes de graduação e pós-graduação não sabe bem de onde vêm os recursos para o financiamento das pesquisas e a sigla Efe-ene-de-ce-tê não é lá tão conhecida. Neste cenário caótico que estamos enfrentando com a pandemia, é preciso reforçar o entendimento, a toda a sociedade, de que o desenvolvimento científico e tecnológico é essencial para a soberania de nosso país.

O FNDCT financia desde pesquisas nas áreas biomédicas, que envolvem, entre outras coisas, vacinas e medicamentos, a áreas relacionadas à agropecuária, que nos permitem produzir alimentos com mais qualidade e eficiência, e áreas exatas e engenharias, que permitem o aumento da produtividade da indústria, somente para nomear algumas. O ensino superior também é uma área bastante beneficiada pelo FNDCT. São apenas alguns exemplos. Educação e desenvolvimento científico-tecnológico caminham de mãos dadas com o crescimento econômico, servindo como combustível para o setor produtivo e para a geração de empregos.

Com o apoio da sociedade e do parlamento, a comunidade científica poderá seguir trabalhando pelo desenvolvimento científico e tecnológico, apoiando o crescimento econômico do nosso país! A ciência une! A ciência salva.

(…)

Mas de que maneira podemos mobilizar a nossa comunidade, “romper a bolha”, coletar mais assinaturas para a petição pela derrubada dos vetos e, enfim, ter o apoio dos parlamentares? Na última semana, essa força-tarefa produziu diversos conteúdos (vídeos, textos, a hashtag #CienciaSalva), que estão circulando pelas redes sociais e estão compilados no site: https://cienciasalva.org/.

Nos últimos dias, os cientistas realizaram, além de seus estudos e pesquisas, o trabalho de divulgação desta causa por e-mail, grupos de whatsapp e mídias sociais. Tuitaços foram organizados. O balanço foi muito positivo: terceiro assunto mais comentado no trending topics do Twitter e três vezes mais assinaturas para a petição. Além disso, o tópico chamou a atenção de vários parlamentares dos mais diversos espectros ideológicos, os quais já manifestaram seu apoio. A sociedade está ciente e alerta, e acompanhará as posições de nossos representantes na Câmara e no Senado Federal.

Pedimos que os leitores se unam a nós nessa importante petição! Está previsto que vá à votação no Senado e na Câmara este mês. Para mais informações, acesse https://cienciasalva.org/ e assine aqui https://www.change.org/FNDCTsemvetos .

Leia a coluna na íntegra no blog Ciência e Matemática em O Globo.