EM DEFESA DA CIÊNCIA, DA DEMOCRACIA E DA VIDA
Neste 5 de agosto de 2026, nós, Pesquisadores e Professores Eméritos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), reunimo-nos para celebrar um marco fundamental da nossa história e da democracia brasileira: os 40 anos da reintegração dos cientistas cassados pela Ditadura Militar, episódio tristemente conhecido como o “Massacre de Manguinhos”.
Em 1986, sob a liderança visionária de Sérgio Arouca, a Fiocruz corrigiu uma das feridas mais profundas abertas pelo regime autoritário, trazendo de volta à sua casa aqueles que haviam sido brutalmente afastados de seus laboratórios e de sua missão de servir ao povo brasileiro. Relembramos, com honra e respeito, os dez mestres da ciência nacional que simbolizam essa vitória:
– Augusto Cid de Mello Perissé
– Domingos Arthur Machado Filho
– Fernando Braga Ubatuba
– Haity Moussatché
– Herman Lent
– Hugo de Souza Lopes
– Masao Goto
– Moacyr Vaz de Andrade
– Sebastião José de Oliveira
– Tito Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti
A reintegração de 1986 não foi apenas um ato administrativo; foi o triunfo da inteligência sobre o arbítrio. O retorno desses cientistas contribuiu para o florescimento da Fiocruz como um pilar da saúde pública e da soberania nacional, consolidando o caminho para a construção do Sistema Único de Saúde (SUS).
É imperativo registrar que, durante esse período de trevas, a perseguição e a cassação atingiram mentes brilhantes de diversas instituições e universidades, como Luiz Hildebrando Pereira, Isaias Raw, Erney Camargo, Luis Rey, Michel Rabinovitch, Florestan Fernandes, José Leite Lopes, Jayme Tiomno, Boris Vargaftig, Mário Schenberg, Darcy Ribeiro, Anísio Teixeira, Milton Santos, Celso Furtado, Elisa Frota Pessoa, Amílcar Vianna Martins, Sebastião Baeta e Olga Bohomoletz, entre muitos outros que sofreram o exílio e o silenciamento.
A história, contudo, nos alerta que a democracia e a ciência exigem vigilância constante. Recordamos com pesar o passado recente, em que o negacionismo e o descaso governamental agravaram a tragédia da pandemia de Covid-19, resultando na perda irreparável de mais de 700 mil brasileiros e brasileiras. Foi um período de dor que reafirmou a importância vital da Fiocruz na defesa das vacinas, da vida e da verdade científica.
Como Pesquisadores e Professores Eméritos da Fiocruz, herdeiros da coragem dos que voltaram há 40 anos, manifestamos nosso compromisso inabalável com a ciência soberana, o SUS e o Estado Democrático de Direito.
A ciência é, e sempre será, um instrumento de libertação e justiça social.
Assinam (ordem alfabética)
– Akira Homma
– Alzira Maria Paiva de Almeida
– André Furtado
– Arlindo Fábio Gómez de Sousa
– Bernardo Galvão Castro Filho
– Carlos Medicis Morel
– Delir Corrêa Gomes Maués da Serra Freire
– Euzenir Nunes Sarno
– Francisco Viacava
– Gabriel Grimaldi
– Maria Cecília de Souza Minayo
– Naftale Katz
– Nísia Verônica Trindade Lima
– Paulo Marchiori Buss
– Paulo Marcos Zech Coelho
– Renato Sérgio Balão Cordeiro
– Samuel Goldenberg