Herman Lent nasceu no Rio de Janeiro, em 1911. Era filho de um casal de imigrantes judeus de nacionalidade russa de Płock, que hoje fica na Polônia, que desembarcaram na capital fluminense em 1885.
Formado pela Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil em 1934, Lent ingressou em Manguinhos (bairro que abriga o palácio mourisco que é a sede da Fiocruz e que se tornou um “apelido” da instituição) no Laboratório de Helmintologia como voluntário em 1931, sob a orientação de Lauro Travassos. Foi contratado em 1933 e em 1935 já tinha a maior criação de barbeiros em Manguinhos, uma das maiores do país.
No Instituto Oswaldo Cruz (IOC), foi pesquisador, professor e chefe da Seção de Entomologia e da Divisão de Zoologia. Inicialmente dedicou-se à helmintologia, tendo publicado vários trabalhos com Teixeira de Freitas; posteriormente, por influência de Arthur Neiva, voltou-se para a entomologia, especializando-se em triatomíneos (barbeiros), sendo a maior autoridade mundial nesse assunto.
Professor de Biologia do Colégio Pedro II (1954-1967), lecionou na UDF (1935-1937); na Escola de Medicina e Cirurgia do RJ (1940), em cursos de saúde pública do Ministério da Saúde (1940, 1942, 1964) e na pós-graduação das universidades de Assunção, Bahia, Paraná e Rio de Janeiro. Foi ainda professor conferencista do CNPq (1968-1970).
Fez toda a sua carreira científica no IOC, de1931 até 1970, quando lhe foi tirado o direito de freqüentá-lo. Com base no AI-5, foi aposentado compulsoriamente do IOC e perdeu seus direitos políticos em 1970, com outros nove pesquisadores. O episódio ocorreu no período do governo Médici e foi promovido pelo então ministro da Saúde F. da P. Rocha Lagoa. Foi quem criou o nome “O Massacre de Manguinhos”, título do livro de sua autoria.
Herman Lent foi o único dos cassados, que não aceitou a reintegração. Quando das comemorações dos 80 anos da Fiocruz e reintegração do grupo à entidade (1980), ele declarou: “Não pedi para sair, portanto, não vou pedir para voltar”. No entanto, aceitou o convite para participar como membro do Conselho Técnico Científico da Fiocruz.
Com a cassação, foi para a Universidade de Los Andes, em Mérida, Venezuela, ministrar cursos de pós-graduação em parasitologia (1972-1974). Mais tarde, em 1975, embarcou para os EUA para trabalhar como pesquisador associado no Museu Americano de História Natural, em Nova Iorque. Lá, em colaboração com Peter Wygodzinsky, publicou uma monografia sobre os triatomídeos do mundo.
Em 1979 publicou a “Revision of the Triatominae (Hemiptera, Reduviidae) and their significance as vectors of Chagas disease” no Boletim do Museu Americano de História Natural, texto que é considerado a bíblia dos taxonomistas em Triatominae. Lent compilou dados por 40 anos para concretizar esta obra.
Em 1976, ingressou na Universidade Santa Úrsula, onde foi decano do Centro de Ciências Biológicas (1980-1981), professor titular e membro do Conselho de Ensino e Pesquisa (1982-1989). Lá, voltou aos seus primeiros tempos de pesquisa e lecionou helmintologia. O gosto pela editoria se mesclou com suas atividades de pesquisa: foi editor da Revista Brasileira de Biologia, das Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, das Atas do Simpósio da Biota Amazônica, chefe da Seção de História Natural da Grande Enciclopédia Delta Larousse, membro do Conselho de Redação da Revista Ciência publicada no México, membro do Conselho Diretor do IBBD (hoje IBICT), membro do Conselho Editorial da Revista Biotrópica, publicada nos Estados Unidos.
Publicou trabalhos científicos especializados sobre temas de zoologia, parasitologia, helmintologia e entomologia. Lent foi sócio fundador de várias sociedades científicas: Brasileira de Zoologia, Brasileira de Microbiologia, Brasileira para o Progresso da Ciência. Foi membro do Conselho Científico da revista Ciência Hoje. Entre outros lauréis, recebeu a Medalha Comemorativa de meio século de pesquisa científica conferida pela Fiocruz (1991), a Medalha Oswaldo Cruz comemorativa das novas instalações da Biblioteca de Manguinhos e o título de doutor “Notório Saber em Biologia Parasitária”, conferido pelo Instituto Oswaldo Cruz, em 1995. No mesmo ano foi admitido na Ordem Nacional do Mérito Científico, no grau de Comendador e, posteriormente, recebeu a Grã-Cruz.
Membro titular da Academia Brasileira de Ciências e professor emérito da Fiocruz, Herman Lent foi uma das maiores autoridades nacionais em Doença de Chagas. Assim, foi registrado de várias formas o reconhecimento por aquele que, entre outros, sempre lutou pela ciência e pela justiça.
Herman Lent faleceu em 7 de junho de 2004.
(Texto compilado por Raquel Velloso e revisto, em sua maior parte, por Herman Lent. Informações complementares da Wikipedia.)