Leia o texto de Adalberto Val sobre seu novo artigo publicado na Environmental Reviews. Disponível no portal Brasil Amazônia Agora.
A água doce cobre menos de 1% da superfície da Terra, mas abriga uma parcela desproporcional da biodiversidade global. Rios, lagos e áreas alagadas sustentam milhares de espécies e garantem serviços essenciais para bilhões de pessoas, da produção de alimentos ao abastecimento humano. Ainda assim, esses ecossistemas estão entre os mais ameaçados do planeta.
Um estudo internacional recente, publicado na revista Environmental Reviews e do qual este autor é um dos participantes, reúne evidências de diversas regiões do mundo para mostrar que a degradação da qualidade da água é hoje um dos principais motores da perda de biodiversidade em ambientes aquáticos. Mais do que isso: o trabalho alerta que as soluções atualmente adotadas são insuficientes diante da complexidade do problema.
O artigo científico está disponível em Environmental Reviews 34: 1–30 (2026). https://doi.org/10.1139/er-2025-0229
Um problema invisível e global
A poluição da água não é um fenômeno isolado nem recente. Ela resulta de décadas, em alguns casos, séculos, de atividades humanas. Substâncias químicas simples, como sais e nutrientes, convivem com contaminantes mais complexos, como pesticidas, fármacos e microplásticos.
Mas o desafio vai além da diversidade de poluentes. Eles raramente atuam sozinhos. Em muitos casos, diferentes contaminantes se combinam entre si e com outros estressores, como o aquecimento global, amplificando seus efeitos. O resultado é um cenário de múltiplas pressões: perda de espécies, alterações nos ciclos ecológicos, queda na qualidade da água para consumo humano e impactos econômicos significativos.
De onde vem a poluição?
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