Revista TIME aponta Mariangela Hungria como uma das 100 pessoas mais influentes de 2026

Compartilhar
Compartilhar
Compartilhar
Compartilhar

A cientista brasileira Mariangela Hungria, pesquisadora da Embrapa Soja, membro titular e integrante da Diretoria da Academia Brasileira de Ciências, foi selecionada pela revista TIME como uma das 100 pessoas mais influentes de 2026. A lista foi divulgada nesta quarta-feira (15), no site da publicação, e reconhece personalidades que promoveram mudanças relevantes em suas áreas de atuação.

No anúncio, a revista destacou a contribuição pioneira de Mariangela no desenvolvimento de microrganismos do solo capazes de permitir que as plantas captem nitrogênio diretamente do ar, reduzindo a dependência de fertilizantes químicos. Segundo a TIME, a tecnologia já é utilizada em cerca de 85% da produção de soja no Brasil, com impactos que se estendem a outros países. As soluções desenvolvidas pela pesquisadora também já proporcionaram uma economia estimada de US$ 25 bilhões por ano aos agricultores brasileiros, além de evitar a emissão de aproximadamente 230 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente.

“É um grande orgulho para a pesquisa brasileira ser reconhecida entre as pessoas mais influentes do mundo. Trata-se de um reconhecimento importante não só para mim, mas para a ciência no país, especialmente por um tema ao qual tenho me dedicado, que é o uso de biológicos na agricultura, substituindo insumos químicos. É também uma percepção de que o mundo considera isso importante: termos alimentos mais saudáveis, com promoção da saúde do solo e menos resíduos químicos. Esse reconhecimento não é só uma alegria, mas pode ajudar a divulgar ainda mais essa nossa bandeira dos biológicos, em que o Brasil é líder mundial”, disse Mariangela Hungria.

Mariangela Hungria, membro titular da Academia Brasileira de Ciências

Inspirada por Johanna Döbereiner, reconhecida internacionalmente por suas contribuições à agricultura, Mariangela foi uma das primeiras defensoras da fixação biológica de nitrogênio, processo em que plantas estabelecem uma relação com bactérias do solo capazes de fornecer esse nutriente essencial para o seu crescimento. Ao longo da carreira, desenvolveu dezenas de tratamentos biológicos, reduzindo a necessidade de fertilizantes sintéticos e aumentando a produtividade.

No ano passado, a pesquisadora foi laureada com o Prêmio Mundial de Alimentação (World Food Prize), reconhecido como o “Nobel” da agricultura. No anúncio sobre o prêmio, a fundação destacou que as descobertas de Mariângela ajudaram o Brasil a se tornar uma potência agrícola global. Foi a terceira vez que o prêmio foi concedido a pesquisadores brasileiros.

Segundo a Embrapa, onde atua desde 1982, a ênfase das pesquisas de Mariangela tem sido no aumento da produção e na qualidade de alimentos por meio da substituição total ou parcial de fertilizantes químicos por microrganismos portadores de propriedades como fixação biológica de nitrogênio, síntese de fitormônios e solubilização de fosfatos e rochas potássicas.

Além das pesquisas com soja, Mariangela também já coordenou estudos que levaram a tecnologias para outras culturas, como feijão, milho e trigo. Em 2020, foi classificada entre os 100 mil cientistas mais influentes no mundo pela Universidade de Stanford (EUA).

Graduada engenharia agronômica pela Esalq/USP, Mariangela tem mestrado em solos e nutrição de plantas (Esalq/USP), doutorado em ciência do solo (UFRRJ) e pós-doutorado em três universidades: Cornell University, University of California-Davis e Universidade de Sevilla. Iniciou a carreira em 1982 na Embrapa Agrobiologia, em Seropédica (RJ). Desde 1991, atua na Embrapa Soja, em Londrina (PR). É ainda professora da Universidade Estadual do Paraná e da Universidade Federal de Tecnologia do Estado do Paraná.

(GCOM ABC | Foto: Gerardo LazzariI / Divulgação)