O biólogo Adalberto Luis Val, vice-presidente da ABC para a Região Norte, em parceria com a também bióloga Vera Maria Fonseca de Almeida e Val, ambos do laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (LEEM – INPA), assinam novo artigo, “Beyond the mean: adaptive variability in Amazonian aquatic systems”, publicado na Philosophical Transactions of the Royal Society B, periódico da Royal Society do Reino Unido voltado às ciências da vida.
O artigo argumenta que estratégias de conservação baseadas na média dos indivíduos de um ecossistema, seja para aspectos genéticos, bioquímicos ou fisiológicos, são particularmente deficientes quando aplicadas na Amazônia. A partir do exemplo dos peixes amazônicos, os pesquisadores defendem que a alta heterogeneidade e plasticidade das espécies precisam ser compreendidas como parte essencial desses ecossistemas, e não como ruído que carece homogeneização para análises mais profundas.
Essa alta diversidade é produzida por um ambiente em constante transformação. Em particular os ecossistemas de rios, várzeas e igarapés, inseridos num ciclo constante de secas e cheias, alternam entre situações de alta disponibilidade de recursos durante as inundações e extremos de estresse biológico, com diminuição na disponibilidade de oxigênio e alimentos, durante as secas. Essa realidade obriga as espécies amazônicas à rápidas adaptações metabólicas visando a sobrevivência.
Esse é um cenário em que a diversidade intra-específica consiste em uma verdadeira estratégia evolutiva, sem a qual muitos desses peixes estariam condenados a desaparecer. Com o acirramento das mudanças climáticas, que na Amazônica resultaram em secas cada vez mais longas, essa plasticidade se torna ainda mais necessárias, e muitas espécies já se encontram no limite de sua capacidade adaptativa, e cada vez mais sob risco de extinção.
Confira o artigo completo na Philosophical Transactions of the Royal Society B.