O antropólogo Ruben Oliven, professor emérito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências para a Região Sul, foi convidado a lecionar na Universidade de Harvard no ano acadêmico 2026–2027. Ele será o titular da Cátedra Robert F. Kennedy, posição que, anualmente, seleciona um professor estrangeiro de destaque nas áreas de ciências sociais e humanidades.
A escolha de Oliven reflete não apenas o reconhecimento internacional de sua produção intelectual, mas também a relevância de uma trajetória marcada pelo diálogo constante entre o Brasil e o mundo. Ao longo de décadas, o antropólogo consolidou-se como um dos principais intérpretes da cultura brasileira em perspectiva comparada, articulando temas como cultura popular, identidade nacional, modernidade, significados simbólicos do dinheiro.
Sua experiência como professor visitante em centros acadêmicos de excelência nos Estados Unidos — entre eles, a Universidade da California (Berkeley), Dartmouth College, Brown University, University of Illinois e Emory University — contribuiu para ampliar o alcance de suas reflexões sobre cultura e modernidade no Brasil. Na Europa, lecionou na Universidade de Paris e na École des Hautes Études en Sciences Sociales (França), na Universidade de Leiden (Holanda), na Universitat Rovira i Virgili (Espanha) e no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE), em Portugal. Na América Latina, lecionou na Argentina (Universidad de Misiones) e no México (Centro de Investigaciones y Estudios Superiores en Antropología Social). Esse percurso internacional não apenas consolidou sua reputação, como também aprofundou sua abordagem transnacional, hoje central em sua produção.
Em Harvard, Oliven ministrará dois seminários — The Making of Modern Brazil: a Transnational Perspective e Brazilian Culture and National Identity — nos quais mobilizará décadas de pesquisa sobre os processos históricos e culturais que moldaram o Brasil contemporâneo. Sua perspectiva comparativa, que já explorou o significado simbólico do dinheiro no Brasil e nos Estados Unidos, oferece aos estudantes uma leitura sofisticada das convergências e contrastes entre essas sociedades.
A experiência acumulada em diferentes contextos acadêmicos permite a Oliven transitar com naturalidade entre debates teóricos e análises empíricas, conectando antropologia, sociologia, história e estudos culturais. Esse perfil interdisciplinar deverá enriquecer o ambiente intelectual de Harvard, ampliando o diálogo sobre o Brasil em um dos principais centros universitários do mundo.
Paralelamente, o antropólogo prepara o lançamento de “Samba, Blues and Jazz: Love, Money and Race in Brazilian and American Music”, pela Editora Routledge & Kegan Paul, obra na qual aprofunda sua investigação comparativa ao analisar a música popular brasileira e a norte-americana a partir de temas como amor, dinheiro e raça. O livro reafirma a coerência de uma carreira dedicada a compreender o Brasil em relação a outras tradições culturais, perspectiva que certamente dará novo fôlego à sua temporada acadêmica em Harvard.