Leia matéria de Gustavo Gonçalves publicada na Folha de S. Paulo, em 5 de agosto de 2025:
Até o Sisu de 2020, Heloisy Rodrigues, 25, nunca tinha ouvido falar em IA (inteligência artificial). Durante todo o ensino médio, o sonho da estudante era cursar medicina em uma universidade federal, pela estabilidade da carreira e pelo mercado de trabalho. Após três tentativas frustradas, ela ouviu por acaso sobre uma nova graduação na UFG (Universidade Federal de Goiás) e, sem ser da área da informática, decidiu arriscar.
“Foi um tiro no escuro, antes do ‘boom’ das IAs, mas deu muito certo”, diz. Cinco anos depois, o curso de inteligência artificial da UFG superou medicina e se tornou o mais concorrido da universidade. Heloisy, única mulher da turma, está entre os formados pioneiros.
A graduação em inteligência artificial tem cinco anos de história no Brasil. Em 2020, a UFPB (Universidade Federal da Paraíba) foi a primeira instituição pública a lançar um curso de ciência de dados e inteligência artificial. No mesmo ano, a UFG criou a primeira graduação com foco exclusivo em IA no país.
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Em 2023, a ABC (Academia Brasileira de Ciências) alertou que o Brasil entrou tarde na corrida global pela inteligência artificial. Segundo a entidade, países que hoje lideram o desenvolvimento da tecnologia começaram a formar profissionais especializados há pelo menos uma década. A avaliação está no documento “Recomendações para o Avanço da Inteligência Artificial no Brasil”, lançado naquele ano. O texto cita, por exemplo, que cidades como Buenos Aires conseguiram atrair mais mão de obra qualificada em tecnologia do que São Paulo.
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