Grupo ModCovid19 atualiza estudo sobre contaminação na volta às aulas

30 de julho de 2021 Por (Marcos Torres para ASCOM ABC)

No dia 20 de julho, em pronunciamento oficial para rádio e televisão, o ministro da Educação recomendou o retorno imediato às aulas presenciais. Diante disso, pesquisadores do grupo de trabalho ModCovid19, que reúne cientistas e  matemáticos focados em modular cenários possíveis da pandemia no Brasil, atualizaram um estudo simulando os efeitos da volta às aulas com a aplicação de diferentes protocolos de segurança. 

O trabalho é coordenado por Tiago Pereira da Silva, membro afiliado da ABC elito para o período 2019-23, e foi realizado a partir de observações feitas para a cidade de Maragogi, no Alagoas. O levantamento aponta que a forma mais segura de receber os alunos é com turmas alternadas, monitoramento de casos suspeitos e a utilização de máscaras PFF2 pelos professores. Esse cenário leva em conta ainda a utilização correta de máscaras pelos estudantes e ainda assim prevê um aumento de 10% no número de casos na comunidade escolar. 

 

Os dados obtidos para contaminação com diferentes protocolos para volta às aulas (Fonte: cemeai.icmc.usp.br)

Quanto ao fornecimento de máscaras pelas escolas, o professor afirmou que “esse é um problema de políticas públicas em larga escala. Uma máscara PFF2 custa em torno de R$ 15, o que é um impedimento para muitas pessoas. Para o Estado fornecer pode parecer caro, porém devemos comparar com o preço de uma internação”. 

Os números obtidos para Maragogi levam em conta contaminações não apenas de pessoas diretamente envolvidas na escola, mas também de seus familiares. No caso analisado, a Secretaria de Educação municipal fornecia máscaras comuns de tecido para os alunos. Tiago Pereira da Silva ressaltou que o ideal seria o fornecimento de máscaras PFF2 ou N95, e a viabilidade disso deve ser bem avaliada na elaboração de políticas públicas. 

É importante também destacar que o pior cenário possível – com o retorno presencial de todas as atividades, sem monitoramento de casos e com má utilização de máscaras – prevê um aumento de 1141% nas contaminações. É preciso considerar esse número na hora de elaborar protocolos sérios e efetivos para o retorno.