Desenvolvendo novos medicamentos

12 de setembro de 2025 Por (Elisa Oswaldo Cruz para ABC)

Cassio Santana Meira nasceu em Salvador, na Bahia, no ano de 1989. Teve uma infância feliz, jogando futebol e vídeo game, e colecionando figurinhas. Sua mãe era jornalista e sempre o incentivou nos estudos. O pai era autônomo e trabalhava com vendas. Tem uma irmã, três anos mais nova, que hoje é formada em direito.

Na escola, Cassio gostava de ciências, história e matemática. Assistia muitos documentários sobre o mundo científico, principalmente os relacionados à natureza. No ensino médio, seu interesse aumentou com as aulas específicas de biologia, quando desenvolveu grande interesse em temáticas relacionadas à evolução e às células-tronco. No último ano, assistiu uma palestra sobre esse tema que considera um marco decisivo para ter escolhido a biologia. “Achei incrível a possibilidade de trabalhar com algo que teria um impacto direto na saúde das pessoas”, recordou Cassio. Então, fez o vestibular e entrou para o curso de ciências biológicas na Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Entrou na faculdade já convicto de que queria fazer pesquisa e buscou a iniciação científica de imediato. “Recebi muitos ‘nãos’ no processo. Diziam que eu era muito novo, que não tinha experiência e que deveria tentar ingressar a partir do terceiro semestre”, relatou Cassio. No entanto, em uma seleção da Fiocruz a professora Milena Soares viu potencial nele e lhe deu a oportunidade de ingressar na IC no primeiro semestre de faculdade. “Ao todo, fiz quatro anos de IC. Trabalhei por três anos com terapia celular e um ano com farmacologia de antiparasitários”, contou Cassio. O Acadêmico destacou como exemplos em sua carreira nesse período as professoras Milena Soares, que além de ter lhe dado diversas oportunidades de aprender técnicas novas, ainda aprimorou sua escrita científica, e Elisalva Guimarães, que o acompanhava nos experimentos e o ajudou a desenvolver o raciocínio científico.

Seguindo seu interesse em pesquisa, Cassio Meira cursou o mestrado pelo programa de Pós-graduação em Biotecnologia da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), com área de concentração em farmacologia.

O período foi marcado por importantes conquistas: publicou seus primeiros artigos científicos e recebeu seu primeiro prêmio em um evento de grande relevância, o XLIX Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. Foi também durante o mestrado que iniciou suas reflexões sobre a combinação de agentes antiparasitários e imunomoduladores para o tratamento da forma cardíaca da doença de Chagas, tema que mais tarde se tornaria o eixo central de seu doutorado.

No doutorado, optou pelo programa de Pós-graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa do Instituto Gonçalo Moniz (Fiocruz-Bahia), com área de concentração em farmacologia e imunologia. Com maior maturidade científica, ampliou suas linhas de pesquisa, passando a atuar na prospecção de agentes com potencial anti-inflamatório ou citotóxico. Nesse período, publicou mais de 20 artigos científicos e foi premiado em diversos eventos acadêmicos. O pesquisador destaca que o doutorado foi decisivo para a consolidação de redes colaborativas em âmbito nacional e internacional, o que lhe proporcionou a participação em múltiplos projetos e uma produtividade científica acima das suas próprias expectativas.

Atualmente, Cassio Meira é professor permanente do Programa de Pós-graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual da Bahia (UNEB) e do Programa de Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa da Fiocruz-BA, além de pesquisador do Instituto de Tecnologia de Saúde do Senai-Cimatec, onde atua em projetos de desenvolvimento de novos testes diagnósticos e prospecção de fármacos com potencial antiparasitário, imunomodulador e citotóxico. “Trabalho com desenvolvimento de novos medicamentos para a doença de Chagas e doenças de natureza inflamatória. Nossa pesquisa tem aplicação direta para a população, pois muitas doenças inflamatórias e a doença de Chagas não possuem medicamentos eficazes e seguros para seu combate, tornando necessário aumentar o nosso arsenal terapêutico para combatê-las.”

Nesse processo de desenvolvimento da carreira, Meira coordena e participa de projetos captados com recursos da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), da Financiadora e Estudos e Projetos (Finep), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e do Departamento Nacional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial  (Senai DN), contribuindo de forma direta para a inovação na indústria.

“O que me encanta na ciência é a premissa de estarmos sempre buscando o novo, andando em um mar de incertezas, tentando trazer clareza para processos que ainda são difusos. Isso torna o trabalho desafiador e nada monótono”, declarou o Acadêmico. Para ele, o título de membro afiliado da ABC representa um reconhecimento de todo o esforço, sacrifícios, compromisso e dedicação que ele tem com a ciência. Cassio Meira diz que é uma honra e um grande marco na sua carreira de pesquisador. “Pretendo ser colaborativo com os meus pares e participar ativamente das discussões da Academia”, comprometeu-se. Quando consegue se desligar um pouco do mundo da ciência, o Acadêmico diz que gosta de praia, de mergulho, de filmes e de jogos de estratégia com os amigos.