Brecha digital e competitividade internacional

21 de fevereiro de 2022 Por (Ascom ABC)

Confira trechos do artigo de autoria de Virgílio Almeida, diretor da ABC, em conjunto com Francisco Gaetani, publicado no Valor Econômico em 21/02. O texto aborda a necessidade de uma transformação digital para que o Brasil se torne uma potência global em tecnologia. 

A competição global tornou-se digital. A integração do Brasil à economia mundial está condicionada ao equacionamento de um conjunto variado de déficits digitais nos heterogêneos setores da economia brasileira. O país não manterá – ou ampliará – sua participação no comércio internacional sem uma revolução digital na estrutura de suas empresas e nas agências do governo. Não se transformará em potência global sem agregar tecnologia às suas
exportações.

Há um curso de ação que se descortina com clareza a despeito da neblina da conjuntura. A redução do hiato digital dos variados ramos da economia e da vida social constitui-se em uma extraordinária oportunidade de negócios em si e numa poderosa alavanca sistêmica para o conjunto do parque produtivo do país. O impacto será tanto
maior quando estas transformações incidirem sobre os setores nodais das cadeias produtivas nacionais, como transportes, siderurgia, construção civil e metalurgia, dentre outros.

O hiato das potencialidades de transformação digital varia conforme o setor da economia. A área de finanças segue se digitalizando vertiginosamente a ponto de se colocar cada vez com mais força o debate sobre o futuro do dinheiro, tal qual o conhecíamos. A indústria automobilística nacional oscila entre o futuro digital e o passado
mecânico – como se houvesse escolha. A vanguarda do agronegócio internaliza inovações digitais continuamente assegurando ganhos consistentes de competitividade. O varejo passa por uma revolução barateadora de seus produtos. Educação e saúde ainda não adentraram na transformação digital de forma massiva. A logística não
para de revolucionar-se, em que pesem os efeitos disruptivos da epidemia sobre cadeias produtivas nacionais e internacionais. O tamanho da brecha digital e as condições para fechá-la variam, mas é importante que cada setor a mapeie e problematize a gestão de seu enfrentamento e redução.

A administração pública federal vem procurando, da forma possível dadas as circunstâncias do governo atual, enfrentar o desafio, ainda que de forma genérica e difusa. Várias políticas e estratégias na esfera digital tem sido formuladas ou revisitadas em áreas como inteligência artificial, ciber-segurança, internet das coisas, transformação digital etc. O Ministério da Economia tem implementado uma agressiva política de digitalização dos serviços públicos federais, reconhecida internacionalmente. Os governos estaduais e municipais, no entanto, seguem profundamente defasados frente às necessidades em curso.

A questão no plano micro é a dinâmica no âmbito de cada setor, em geral representados por entidades de classe que ainda não se deram conta da revolução em curso e da urgência de se digitalizarem e se reconfigurarem. Isto abrange mapeamento e reconfiguração de processos, modernização de equipamentos e tecnologias, desenvolvimento de plataformas digitais operacionais, qualificação da mão de obra para as tecnologias digitais e redefinição do perfil da força de trabalho.

 

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