Presidente da ABC acompanha reunião sobre CT&I com Xi Jinping

Em continuidade à agenda oficial da presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Helena Nader, na China, a manhã de 8 de julho foi marcada pela participação em um dos mais importantes eventos do calendário científico chinês. Na condição de membro estrangeiro da Academia Chinesa de Ciências (CAS), Helena Nader participou da Conferência Nacional de Premiação em Ciência e Tecnologia, realizada conjuntamente com a Assembleia Geral dos Membros da Academia Chinesa de Ciências (CAS), a Assembleia Geral da Academia Chinesa de Engenharia (CAE) e o 11º Congresso Nacional da Associação Chinesa para Ciência e Tecnologia (CAST).

O encontro ocorreu no Grande Salão do Povo, em Beijing, sede das principais cerimônias de Estado da China, evidenciando a importância atribuída pelo governo chinês à ciência, à tecnologia e à inovação como pilares do desenvolvimento nacional. Realizada a cada dois anos, a reunião reúne as principais lideranças científicas do país e conta tradicionalmente com a presença do presidente da China, Xi Jinping, que apresenta as diretrizes estratégicas para o desenvolvimento científico e tecnológico nacional.

Na ocasião, também aconteceu a cerimônia de entrega dos mais importantes prêmios nacionais de ciência e tecnologia da China, reconhecendo pesquisadores responsáveis por contribuições de destaque para o desenvolvimento científico, tecnológico e de inovação do país.

Nesta edição, o discurso de Xi Jinping assumiu especial relevância por estar diretamente relacionado ao início da implementação do 15º Plano Quinquenal (2026-2030), considerado uma etapa decisiva para que a China alcance o objetivo de consolidar-se como uma potência mundial em ciência, tecnologia e inovação até 2035. O presidente chinês ressaltou que os próximos cinco anos serão fundamentais para fortalecer a capacidade nacional de inovação e enfrentar os desafios impostos por um cenário internacional marcado pela crescente competição tecnológica.

Ao longo de sua intervenção, Xi Jinping reafirmou que a inovação científica e tecnológica continuará sendo o principal motor da modernização chinesa. Entre as prioridades apresentadas, destacou-se o fortalecimento da autossuficiência científica e tecnológica em alto nível, com ênfase na superação de gargalos em tecnologias estratégicas e na conquista de avanços científicos originais e disruptivos, capazes de posicionar a China na fronteira do conhecimento mundial.

Outro eixo central do plano é o fortalecimento da pesquisa básica. Segundo o presidente chinês, a produção de conhecimento fundamental deverá receber apoio contínuo e de longo prazo, criando as condições para descobertas científicas transformadoras e para o desenvolvimento de tecnologias inovadoras nas próximas décadas.

Xi também enfatizou a necessidade de integrar de forma ainda mais estreita os sistemas de educação, ciência, tecnologia e inovação industrial. A estratégia prevê uma articulação crescente entre universidades, institutos de pesquisa, laboratórios nacionais e empresas, de modo a acelerar a transformação do conhecimento científico em inovação, ampliar a competitividade da economia chinesa e impulsionar o desenvolvimento das chamadas “novas forças produtivas de qualidade”.

A formação de recursos humanos altamente qualificados ocupou posição de destaque no discurso. O presidente defendeu o fortalecimento do sistema nacional de formação e atração de talentos científicos, considerando que o capital humano constitui o elemento mais estratégico para assegurar a liderança tecnológica do país nas próximas décadas.

Outro aspecto enfatizado foi o aperfeiçoamento do sistema nacional de inovação. Xi Jinping defendeu o aprofundamento das reformas nos mecanismos de financiamento à pesquisa, na gestão dos projetos científicos e na organização das instituições de pesquisa, buscando criar um ambiente mais favorável à inovação e à produção de conhecimento de excelência.

Embora tenha reafirmado a prioridade conferida ao fortalecimento das capacidades científicas nacionais, Xi Jinping reiterou que a China continuará promovendo a cooperação científica internacional em áreas de interesse global, como mudanças climáticas, saúde, energia, biodiversidade e grandes infraestruturas de pesquisa. Segundo o presidente, a abertura internacional deverá caminhar lado a lado com o fortalecimento da capacidade científica própria, ampliando as contribuições da China para o avanço da ciência mundial.

A participação de Helena Nader na reunião ocorre um dia após sua diplomação como membro estrangeiro da Academia Chinesa de Ciências, reconhecimento concedido a pesquisadores e cientistas internacionais de destacada contribuição para o desenvolvimento da ciência e da cooperação científica global. A presença da presidente da ABC nesse encontro de alto nível reforça os laços de colaboração entre a Academia Brasileira de Ciências e a CAS, uma das instituições científicas mais influentes do mundo, em um momento em que a ciência, a inovação e a cooperação internacional ocupam posição central nas estratégias de desenvolvimento da China.

Na visão da Helena Nader, a fala de Xi Jinping foi fundamental para se compreender a importância estratégica da ciência na política chinesa nos próximos anos. “A mensagem da liderança da China reforça uma visão de Estado na qual a ciência, a tecnologia e a inovação ocupam posição central no projeto de desenvolvimento nacional. Ficou muito claro que o governo chinês compreende que ciência, tecnologia e inovação não são apenas instrumentos para promover avanços científicos, mas pilares do desenvolvimento econômico e social, sempre associados ao compromisso com a sustentabilidade. É uma visão de longo prazo, em que a ciência é tratada como um investimento estratégico para o futuro do país”, afirmou.

Na avaliação da presidente da ABC, outro aspecto marcante do discurso foi o reconhecimento de que não há desenvolvimento sustentável e competitivo sem uma base científica sólida. “A mensagem é muito clara: não existe desenvolvimento econômico consistente sem investimento em ciência. O conhecimento é visto como a principal força capaz de gerar inovação, aumentar a competitividade e melhorar a qualidade de vida da população.”

Nader também ressaltou a ênfase dada por Xi Jinping à necessidade de garantir financiamento robusto, estável e contínuo para a pesquisa científica. Segundo ela, a experiência chinesa demonstra que políticas de Estado voltadas para ciência e tecnologia exigem previsibilidade e compromisso de longo prazo. “O investimento consistente em pesquisa, infraestrutura científica e formação de recursos humanos aparece como um elemento indispensável para que o país alcance seus objetivos estratégicos.”

Outro ponto destacado por Helena Nader foi a defesa da cooperação internacional e da atração de talentos de todo o mundo. “Mesmo enfatizando o fortalecimento da capacidade científica nacional, o discurso reconhece que a excelência científica depende da circulação internacional do conhecimento e das pessoas. A China deixa claro que pretende continuar atraindo jovens talentos de diferentes países para contribuir com seu sistema de ciência, tecnologia e inovação, ao mesmo tempo em que amplia sua colaboração científica internacional.”

Para a presidente da ABC, essa combinação entre visão estratégica, investimento continuado, valorização da ciência e abertura à cooperação internacional constitui uma das principais mensagens da reunião e reafirma o papel da ciência como elemento essencial para enfrentar os grandes desafios globais e promover o desenvolvimento sustentável.

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(Marcos Cortesão para GCOM ABC)