Helena Nader toma posse como membro estrangeiro da Academia Chinesa de Ciências

Na tarde de 7 de julho, a presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Helena B. Nader, foi oficialmente empossada como membro estrangeiro da Academia Chinesa de Ciências (CAS). A cerimônia de diplomaçãofoi realizada no Palácio da Amizade, em Beijing, reunindo cientistas de diferentes países eleitos para integrar o quadro da instituição, uma das mais prestigiadas organizações científicas do mundo.

A solenidade foi aberta pelo presidente da CAS, Prof. Hou Jianguo. “Sejam bem-vindos os novos membros estrangeiros. Sua participação é muito importante para o fortalecimento da Academia Chinesa de Ciências”, ressaltou.

Jianguo ressaltou que a CAS desempenha papel estratégico no sistema nacional de ciência, tecnologia e inovação da China, combinando pesquisa científica de excelência, formação de recursos humanos, desenvolvimento tecnológico e assessoramento ao governo chinês na formulação de políticas públicas baseadas em evidências.

Segundo apontou o presidente da CAS, “a experiência internacional dos novos membros contribuirá para ampliar a capacidade da instituição de enfrentar desafios científicos globais e fortalecer sua atuação como referência internacional em ciência e inovação.”

Ao concluir sua fala, agradeceu aos novos membros pelas contribuições já prestadas à CAS e manifestou o desejo de que os laços de cooperação científica continuem a se aprofundar nos próximos anos.

Na sequência, foi realizada a cerimônia de diplomação dos novos membros estrangeiros. Helena Nader recebeu seu diploma e passou a integrar oficialmente o quadro de membros estrangeiros da Academia Chinesa de Ciências, reconhecimento reservado a cientistas de destaque internacional que tenham contribuído significativamente para o avanço da ciência e para o desenvolvimento da cooperação científica com a China.

Atualmente, a CAS reúne pouco mais de 170 membros estrangeiros de diversos países e Helena Nader é a primeira cientista mulher do Sul Global a ser eleita.

Encerrada a diplomação, o diretor-geral do Escritório de Cooperação Internacional da CAS, Prof. Liu Weidong, apresentou uma visão panorâmica da Academia Chinesa de Ciências, destacando sua estrutura, suas principais áreas de atuação, sua extensa rede de institutos de pesquisa e sua crescente inserção internacional por meio de programas de cooperação científica, intercâmbio de pesquisadores e grandes iniciativas de pesquisa colaborativa.

Em seguida, o diretor-geral do Escritório das Divisões Acadêmicas da CAS (CASAD), Prof. Wang Dujin, apresentou a organização e o funcionamento das Divisões Acadêmicas da Academia Chinesa de Ciências. A CASAD reúne os membros da Academia, chineses e estrangeiros, e constitui o órgão responsável pelas atividades acadêmicas da instituição. Além de promover intercâmbios científicos e reconhecer pesquisadores de excelência, desempenha importante papel consultivo, elaborando estudos e recomendações destinados a subsidiar decisões estratégicas do governo chinês em temas relacionados à ciência, tecnologia e inovação.

Sessão de debates

A programação prosseguiu com uma sessão de debates entre os novos membros estrangeiros, que apresentaram sugestões para fortalecer ainda mais o papel da CAS no cenário científico internacional. Em sua intervenção, Helena Nader destacou que o atual contexto internacional, marcado por desafios como as mudanças climáticas, a perda de biodiversidade, as ameaças à saúde pública, a insegurança alimentar e hídrica, a rápida evolução da inteligência artificial e o enfraquecimento do multilateralismo, torna a cooperação científica internacional mais necessária do que nunca.

“As academias nacionais de ciências exercem uma missão que vai além do reconhecimento da excelência científica. Elas atuam como pontes entre a ciência, os governos e a sociedade, contribuindo para que políticas públicas sejam cada vez mais fundamentadas em evidências e para que o conhecimento científico seja colocado a serviço do desenvolvimento sustentável e do bem-estar da população”, ressaltou a presidente da ABC

Helena Nader enfatizou ainda que os grandes desafios globais não podem ser enfrentados isoladamente por nenhum país e defendeu que a cooperação científica internacional seja baseada na reciprocidade, no respeito mútuo e na construção conjunta do conhecimento, substituindo modelos tradicionais de transferência unilateral de conhecimento por parcerias verdadeiramente equilibradas. Nesse contexto, destacou a crescente contribuição dos países do Sul Global para temas como mudanças climáticas, biodiversidade, saúde pública, agricultura sustentável e desenvolvimento social.

Ao abordar o papel da Academia Chinesa de Ciências, Nader afirmou: “A CAS ocupa posição singular no cenário científico contemporâneo e tem condições de exercer liderança não apenas pela excelência de sua produção científica, mas também por sua capacidade de promover uma cooperação internacional mais inclusiva, equilibrada e representativa da diversidade científica mundial”, destacou.

A presidente da ABC também ressaltou a importância de preservar a integridade científica, fortalecer a comunicação pública da ciência e preparar as novas gerações de pesquisadores para um cenário de rápidas transformações tecnológicas. Chamou atenção para as oportunidades e desafios trazidos pela inteligência artificial, defendendo que seu desenvolvimento seja acompanhado por políticas públicas capazes de ampliar oportunidades, reduzir desigualdades e assegurar que os avanços tecnológicos permaneçam orientados pelo interesse da sociedade.

“O futuro da ciência depende da manutenção de instituições sólidas, independentes e comprometidas com a produção de conhecimento de qualidade, bem como da ampliação da cooperação internacional, condição indispensável para enfrentar os desafios comuns da humanidade e colocar a ciência a serviço do desenvolvimento humano”, finalizou Nader.

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(Marcos Cortesão e GCOM ABC)