O biólogo Adalberto Luis Val, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências para a Região Norte, foi anunciado como agraciado com a Le Cren Medal, distinção concedida pela Fisheries Society of the British Isles (FSBI) a pesquisadores e equipes com contribuição destacada para a biologia, a conservação e a compreensão pública dos peixes no mundo. Com quase cinco décadas de atuação na Amazônia, Val construiu uma trajetória dedicada ao estudo dos peixes amazônicos, sobretudo de suas adaptações fisiológicas a ambientes extremos. A cerimônia de premiação ocorre no dia 30 de julho, na Universidade de Southampton, na Inglaterra.

Val é o primeiro brasileiro a receber a medalha, criada em 2010 em homenagem a David Le Cren, biólogo britânico considerado um dos nomes clássicos da ecologia de peixes. A premiação representa o reconhecimento de uma das principais sociedades científicas internacionais da área e dá visibilidade global à ciência produzida na Amazônia.
A relevância da pesquisa de Val está em mostrar como os peixes amazônicos sobrevivem em um dos ambientes aquáticos mais diversos e dinâmicos do planeta. Ao investigar como as espécies da bacia amazônica respondem a variações de oxigênio, temperatura, acidez, cheias, secas e outros estressores ambientais, seu trabalho ajuda a compreender os limites biológicos da vida aquática em um cenário de mudanças climáticas. Em um mundo cada vez mais marcado por aquecimento, eventos extremos e perda de biodiversidade, a Amazônia estudada por Val funciona como um laboratório natural para entender o futuro dos ecossistemas aquáticos tropicais.
Quem é Adalberto Val?
Natural de Campinas, no interior de São Paulo, Adalberto Val chegou a Manaus em 1981, junto com sua esposa, a pesquisadora Vera Maria Fonseca de Almeida-Val, para realizar seus estudos de mestrado e doutorado no INPA, na área de Biologia de Água Doce e Pesca Interior.
Em 1982, tornou-se servidor do instituto, onde consolidou sua carreira ao longo de 44 anos. Com Vera, fundou o Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular (LEEM), referência nos estudos sobre fisiologia, adaptação e evolução de peixes amazônicos. Atualmente, coordena projetos voltados a compreender como as mudanças climáticas afetam os peixes e a vida aquática da maior bacia hidrográfica do mundo.
Val é autor de mais de 280 artigos científicos, 22 livros e 78 capítulos de livros, além de ter orientado dezenas de estudantes de pós-graduação e pesquisadores de pós-doutorado. Sua produção acumula mais de 10 mil citações e já foi reconhecida com importantes prêmios nacionais e internacionais, incluindo a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico e o Award of Excellence da American Fisheries Society.
Para saber mais sobre a pesquisa
Neste artigo de revisão, Adalberto Val e Chris Wood discutem como o aquecimento, a perda de oxigênio, a acidificação e outras mudanças ambientais podem afetar os peixes da Amazônia.
O artigo parte da seca extrema de 2023 para explicar por que peixes amazônicos morreram em massa em águas excepcionalmente quentes e pobres em oxigênio. É uma ponte direta entre pesquisa de laboratório e os impactos visíveis das mudanças climáticas nos rios da Amazônia.
Publicado na Science, com Hans-Otto Pörtner e outros pesquisadores internacionais, o artigo discute por que as crises climática e de biodiversidade precisam ser enfrentadas de forma integrada, integrando a ciência feita na Amazônia com o debate global sobre sustentabilidade.