
REUNIÃO MAGNA DA ABC 2026 COMEÇA EM 5 DE MAIO!
Inscrições gratuitas e obrigatórias aqui
Os anos entre 2021 e 2030 foram escolhidos pelas Nações Unidas como a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, buscando estimular o conhecimento sobre os oceanos e reverter o declínio ambiental causado pela poluição, mudanças climáticas e demais estresses frutos da atividade humana. Pensando nisso, a Academia Brasileira de Ciências escolheu a Década do Oceano como tema da sua Reunião Magna 2026.
Com o lema “Oceano do amanhã: ciência para um planeta em equilíbrio”, o maior encontro anual da Academia será entre os dias 5 e 7 de maio no Museu do Amanhã, Rio de Janeiro. O coordenador da Reunião Magna deste ano é o Acadêmico Luiz Drude de Lacerda, doutor em biologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e professor titular do Instituto de Ciências do Mar da Universidade Federal do Ceará (Labomar-UFC).
Além de membro titular da ABC desde 2013, Luiz Drude é também membro da Academia Mundial de Ciências (TWAS), integra a Future Earth Coasts Academy (FEC) e a International Society for Mangrove Ecosystems (ISME). Dentre as distinções que recebeu ao longo da carreira, detém o grau Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico e o Prêmio Bunge na área da oceanografia.
1º dia: O Estado do Oceano no Antropoceno
A Reunião Magna 2026 será aberta com dois dos maiores problemas que atingem os oceanos hoje: as mudanças climáticas e a poluição. A primeira conferência magna será do Acadêmico Edmo José Dias Campos, professor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP). Ele abordará o colapso da Circulação Meridional do Atlântico (AMOC), a corrente marinha responsável, entre outras coisas, por levar águas quentes para o litoral da Europa. É essa corrente que faz com que seja possível existirem cidades europeias com milhões de habitantes em latitudes inviáveis em outros continentes. Em seguida, haverá uma sessão plenária com os pesquisadores Jefferson Cardia Simões (UFRGS), Regina Rodrigues (UFSC) e Cristiano Chiessi (USP), que abordará outros efeitos das mudanças climáticas nos oceanos, nas correntes marinhas e nas regiões polares.
A tarde começará com conferência magna do químico Lars-Eric Heimburger-Boavida, pesquisador do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS) da França. Ele abordará o ciclo do mercúrio nos oceanos, mostrando como esses poluentes chegam nos mares e se acumulam pela cadeia trófica, chegando até os nossos pratos. Em seguida, uma sessão plenária com Carlos Eduardo de Rezende (UENF), Jorge Eduardo Marcovecchio (Universidade San Tomás de Aquino, Argentina) e Huy Dang (Trent University, Canadá) continuará o assunto, abordando a poluição do mercúrio e a orgânica, o estado dos mares na costa atlântica do Cone Sul e os impactos da poluição e das mudanças climáticas na biodiversidade planetária.
Ao final do dia, uma sessão especial receberá o Almirante de Esquadra da Marinha Ilques Barbosa Júnior, que abordará a importância estratégica e militar dos oceanos e como o Brasil se insere nessa geopolítica.
2º dia: Uso e Mau Uso do Oceano no Antropoceno
O dia 6 de maio será iniciado com a conferência magna do engenheiro Pierre Bahurel, CEO da Mercator Ocean International. A organização é líder global em monitoramento marinho, prestando serviço para a União Europeia no fornecimento de dados gratuitos e em tempo real dos mares. Ele irá abordar o desenvolvimento de inovações digitais para o oceano que possam melhorar a proteção do ambiente marinho em prol de um desenvolvimento mais sustentável. Em seguida, uma sessão plenária com os cientistas Nils Edwin Asp Neto (UFPA), Bjorn Kjerfve (UFF) e Andrei Polejack (Inpo), irá abordar questões cruciais para o Brasil como a foz do rio Amazonas, a destruição dos recifes de corais e a possibilidade de uma diplomacia científica voltada aos oceanos em tempos de estresses geopolíticos cada vez maiores.
À tarde, haverá uma conferência magna do pesquisador Luigi Jovane, professor associado do Departamento de Oceanografia Física, Química e Geológica do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP). Ele é especialista em propriedades magnéticas com aplicações no estudo das variações climáticas e eventos globais., integrando o grupo de experts (PoE, sigla em inglês) das Nações Unidas
Em seguida, uma sessão plenária com Segen Estefen (Inpo), Carlos Ricardo Soccol (UFPR) e Cristiana Simão Seixas (Unicamp) irá abordar o papel dos oceanos na transição energética, na exploração de recursos naturais e nos serviços ecossistêmicos que dele provém.
Ao final, o médico Paulo Gadelha, ex-presidente da Fundação Oswaldo-Cruz (Fiocruz), ministrará uma sessão especial com o tema “Blue One Health”, uma abordagem de Saúde Única, que entende a saúde humana e ambiental como interligadas, voltada especificamente para os oceanos.
3º dia: Economia e Políticas do Oceano no Antropoceno
O terceiro e último dia da Reunião Magna 2026 começará com conferência magna da oceanóloga Leticia Reis de Carvalho, secretária-geral da Autoridade Internacional em Leito Marinho (ISA), organização estabelecida pela ONU para mediar a atuação dos países e setor privado com relação aos recursos minerais do fundo oceânico. Com mais de 20 anos de experiência na regulação ambiental do mar nacional e internacional, Leticia passou pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Em sua palestra, defenderá que cuidar dos oceanos é um dever compartilhado da humanidade, precisando de uma governança global.
Em seguida, a última sessão plenária reunirá os pesquisadores Silvia de Marco (Universidade Mar del Plata, Argentina), Leticia Cotrim (UERJ) e Judith Gobin (University of the West Indies, Jamaica), que abordarão os desafios particulares para as mulheres cientistas na oceanografia, a contribuição da ciência para o enfrentamento das mudanças climáticas nos mares e o Tratado da Biodiversidade para além da Jurisdição Nacional (BBNJ Treaty), o chamado Tratado do Alto-Mar, que estabelece regras para a proteção e manejo da vida marinha nas águas internacionais, que correspondem a 64% dos oceanos.
Por fim, será realizada uma sessão especial com o Acadêmico e historiador da ciência Ildeu de Castro Moreira, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Fiocruz, que homenageará a pioneira da ciência marinha brasileira Marta Vannucci, primeira mulher a se tornar membro titular da ABC, e a histórica pioneira dos estudos sobre radioatividade, a física franco-polonesa Marie Curie, primeira mulher eleita como membro correspondente da ABC, cuja visita a ABC completa 100 anos em 2026.
Salve na agenda e não perca essa oportunidade de trocar experiências com cientistas de fronteira na ciência oceânica brasileira e global. Salve na agenda: Dias 5, 6 e 7 de maio no Museu do Amanhã!
Acesse a programação e confira os palestrantes.
