*Adaptado de original do Impa.
No dia 16 de março, o IMPA Tech, programa de graduação em matemática da tecnologia e inovação do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), deu início ao ano letivo de 2026 com Aula Magna ministrada pelo cientista da computação Virgilio Almeida, professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e membro titular da ABC. Almeida dividiu o púlpito com a assessora-chefe da Prefeitura do Rio de Janeiro Maria Silvia Bastos Marques.
Em sua participação Virgilio Almeida compartilhou sua trajetória acadêmica e profissional e instigou os jovens calouros sobre os futuros da inteligência artificial. “Numa sociedade digitalizada, ninguém sabe quem manda no que. Existe uma mão invisível da tecnologia que nos rege. Nossa vida está cada vez mais influenciada pelos algoritmos, seja quando você pede um Uber, quando escolhe um filme na Netflix, ou quando utiliza o Waze para se guiar”, disse o pesquisador que é pesquisador referência em IA no Brasil.
No ano passado, o professor foi um dos vencedores da primeira edição do Prêmio Unesco-Uzbequistão para Pesquisa Científica sobre Ética na Inteligência Artificial. A honraria reconhece iniciativas que enfrentam os desafios éticos da inteligência artificial e propõem soluções inovadoras e responsáveis para seu uso.
“Tenho uma convicção fundamental: um país moderno e justo depende de ciência, tecnologia e universidades. Acho que vocês fazem parte dessa história e devem pensar na contribuição pública e na maneira de motivar a sociedade para as questões da ciência”, afirmou Almeida.
Ele também defendeu uma formação interdisciplinar, com atenção às dimensões sociais e humanas. “O futuro exige profissionais bilíngues — não no sentido de falar inglês, mas engenheiros com formação mais sólida em artes e com capacidade de desenvolver tecnologias de forma ética.”
Em um cenário de rápido crescimento tecnológico, os algoritmos estão cada vez mais associados ao poder. “Vivemos um momento difícil de prever. A IA avança rapidamente, mas ainda apresenta falhas e muitas vezes está concentrada nas mãos de grandes empresas. Ela está transformando o futuro, mas vocês têm a capacidade de moldá-lo agora”, afirmou.
Nesse contexto, Almeida destacou que o desenvolvimento tecnológico precisa caminhar ao lado de reflexões éticas e sociais. Para ele, formar profissionais capazes de compreender essas transformações é um dos grandes desafios das universidades no mundo contemporâneo.