Mulheres rompem barreiras na ciência, mas desafios persistem

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Leia reportagem de Por Andrea DiP, Sofia Amaral, Ricardo Terto e Stela Diogo para Pauta Pública, lançada em 8 de março:

As mulheres contribuíram em importantes descobertas da história, desde a compreensão da estrutura do DNA às tecnologias que permitiram o desenvolvimento do Wi-Fi e do Bluetooth. Ainda assim, seguem enfrentando obstáculos e desigualdade de gênero no mundo da ciência. Entre elas estão desafios de financiamento, jornadas duplas e tentativas de silenciamento. Muitas pesquisadoras ainda precisam disputar não apenas espaço, mas também reconhecimento pelo próprio trabalho.

As mulheres contribuíram em importantes descobertas da história, desde a compreensão da estrutura do DNA às tecnologias que permitiram o desenvolvimento do Wi-Fi e do Bluetooth. Ainda assim, seguem enfrentando obstáculos e desigualdade de gênero no mundo da ciência. Entre elas estão desafios de financiamento, jornadas duplas e tentativas de silenciamento. Muitas pesquisadoras ainda precisam disputar não apenas espaço, mas também reconhecimento pelo próprio trabalho.

Em entrevista ao Pauta Pública, a física Márcia Cristina Barbosa, fala sobre os desafios enfrentados pelas mulheres na produção científica e reflete sobre a importância de dar visibilidade e aproximar as conquistas e o conhecimento científico da sociedade. Reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e membro da Academia Brasileira de Ciências, Barbosa também destaca que o conhecimento científico enfrenta ataques, desinformação e disputas políticas. Para ela, a ciência passa a ser alvo justamente quando confronta interesses ou apresenta verdades incômodas.

“Quando a ciência começa a dizer que fumar faz mal à saúde, ela vira inimiga. E, às vezes, ela incomoda, porque ela vai dizer que uma certa coisa que tem produção não funciona”, afirma. Leia os principais pontos da conversa e ouça o podcast completo aqui.

Como está hoje a presença das mulheres na ciência? Houve avanços?

As áreas biológicas e ciências sociais melhoraram muito. A área de física e da tecnologia mais hard [envolve disciplinas baseadas em observação sistemática e estudo do mundo natural], como as engenharias química e ambiental, também melhorou, mas aquela engenharia mecatrônica e a informática, elas ou ficaram iguais ou pioraram, porque se a mulher quer ir para a ciência, ela vai para onde ela vê mais espaço. O que a gente não conseguiu ainda? A gente não conseguiu o topo.

Estou terminando um artigo em que a gente mostra que nos artigos mais citados, as mulheres estão em um percentual baixo até nas áreas onde elas são maioria, como na ciências sociais e na saúde. Essa bolha do cientista super, hiper reconhecido, a gente ainda não venceu. E, nesses artigos super citados, as mulheres também não estão nas posições principais. A gente precisa de mudanças no sistema, e mudanças que operem em vários níveis.

Um movimento muito importante é o Parent in Science, que tenta resolver a questão da parentalidade para mães e pais na ciência. Isso ajuda numa fase da carreira, ali pelos 30 anos. Mas o poder é outra coisa. O poder envolve um estereótipo do que é uma pessoa poderosa, e esse estereótipo foi construído na cabeça das pessoas.

Eu ganhei um prêmio internacional importante, o L’Oréal-Unesco, e me reuni com outras cientistas premiadas. Muitas delas são cientistas excelentes, mas nem sempre têm consciência da questão de gênero. Em uma conversa, perguntei: o que uma mulher precisa para ser uma boa cientista? E disseram: tem que ser bem falante, decidida, impressionar as pessoas.

(…)

Leia a entrevista na íntegra no site Pauta Pública

(Andrea DiP, Sofia Amaral, Ricardo Terto e Stela Diogo para Pública | Foto: Gustavo Diehl/Arquivo Secom-UFRGS