Leia matéria de Daniela Klebis para o Jornal da Ciência, publicada em 18/2/2026:
O físico, professor titular do Departamento de Física Aplicada da Universidade de São Paulo (USP) e ex-vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Paulo Artaxo, foi agraciado com o Planet Earth Award 2026, concedido pela Alliance of World Scientists (AWS). A premiação reconhece lideranças científicas cuja trajetória combina excelência acadêmica, engajamento público e contribuição efetiva para o enfrentamento da crise ambiental global.
Neste ano, o Brasil teve dois representantes entre os sete laureados: além de Artaxo, foi distinguida a ecóloga Luisa Maria Diele-Viegas, cuja atuação articula ciência climática, conservação da biodiversidade e justiça social, com ênfase em ecossistemas ameaçados e na integração entre conhecimento científico e saberes tradicionais.
O Planet Earth Award, concedido pela Aliança Mundial de Cientistas (AWS, na sigla em inglês), distingue pessoas que atuam na defesa da vida na Terra, reconhecendo aquelas que demonstram criatividade notável ou contribuições de excelência tanto na produção científica quanto na promoção de ações e posicionamentos fundamentados em evidências. O prêmio valoriza trajetórias que articulam rigor acadêmico e compromisso público, seja no diálogo com a sociedade, com formuladores de políticas ou com outros grupos engajados na construção de soluções para os desafios ambientais contemporâneos.
A AWS se consolidou como uma voz coletiva internacional sobre a crise climática e as tendências ambientais globais, com o propósito de converter conhecimento científico em ação concreta.
Ao comentar a premiação ao Jornal da Ciência, Artaxo avaliou que o reconhecimento internacional evidencia a relevância da produção científica brasileira no cenário global. “É muito bom a gente ver a ciência brasileira sendo premiada internacionalmente, particularmente por instituições como a AWS. Basicamente, são mais de 27 mil pesquisadores de mais de 180 países que representam uma parte grande das pesquisas em termos da sustentabilidade ambiental e climática do nosso planeta. Então, é um orgulho para o Brasil ganhar dois prêmios neste ano – e veja que fomos muito mais premiados do que a maior parte dos países que investem muito mais em ciência e tecnologia do que nós, o que mostra que temos, sim, chance de fazer nosso país brilhar na ciência se tivermos recursos adequados para isso.”
Reconhecido como uma das principais referências internacionais em física aplicada a problemas ambientais, Artaxo dedicou 40 anos à investigação dos processos que conectam a floresta amazônica ao clima regional e global. Seus estudos pioneiros sobre aerossóis atmosféricos, emissões biogênicas da vegetação e forçantes radiativas contribuíram para elucidar como as florestas tropicais influenciam o ciclo hidrológico, a formação de núcleos de condensação de nuvens e o balanço energético do planeta.