Leia artigo do Acadêmico Virgílio Almeida, professor associado ao Berkman Klein Center da Universidade de Harvard e professor emérito da UFMG, e de Francisco Gaetani, professor da Ebape/FGV e secretário extraordinário para a Transformação do Estado, do Ministério de Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, publicado no Valor em 18 de fevereiro:
Os eventos das últimas semanas provocaram um novo solavanco na já instável ordem global. A recente iniciativa dos EUA em relação à Venezuela e ao seu sequestrado presidente retoma uma longa tradição inaugurada pela Doutrina Monroe, segundo a qual os EUA se atribuem o papel de “polícia” das Américas. Essa movimentação dá continuidade a uma estratégia iniciada com o chamado “tarifaço”, marcada pela redefinição unilateral dos termos de troca internacionais e pela subordinação de países dos quais os EUA buscam extrair benefícios diretos.
É nesse contexto que emerge a chamada Doutrina Donroe – uma combinação de Donald e Monroe – que procura enquadrar as três Américas sob as diretrizes da presidência estadunidense. Paralelamente, começa a se consolidar o que se pode chamar de uma nova ordem do silício: uma instância de poder no Ocidente que passa a rivalizar e, em certa medida, substituir arenas multilaterais tradicionais como a ONU, suas agências, o G20 e outras instâncias de diálogo internacional.