Acadêmicas são homenageadas na 7ª edição do Prêmio Carolina Bori

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Como parte das comemorações do Dia Mundial das Meninas e Mulheres, em 11 de fevereiro, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) organizou a entrega da 7ª edição do Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher, que reconhece as contribuições de pesquisadoras brasileiras para o avanço do conhecimento nas diversas áreas da ciência.

Carolina Martuscelli Bori foi primeira presidente da SBPC e pioneira na articulação entre ciência e política no Brasil. Sua atuação como conselheira da SBPC coincidiu com a ditadura militar, período em que atuou ativamente na defesa do setor científico em um contexto de restrições institucionais e políticas. Assumiu a presidência da entidade entre 1986 e 1989, justamente durante a redemocratização e o processo da Constituinte. Foi nesse ambiente de explosão de participação da sociedade civil que Bori articulou a mobilização propositiva da comunidade científica para a Constituição Federal de 1988. “Celebramos cientistas que têm compromisso público com o país. É importante afirmar que as mulheres brasileiras também são capazes de fazer ciência de qualidade, liderar equipes e construir o país”, destacou a atual presidente da SBPC, Francilene Procópio Garcia.

Prêmios e menções honrosas

Na categoria Ciências Biológicas e da Saúde venceu a professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Luisa Lina Villa, membra titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC); na categoria Humanidades foi contemplada a professora emérita da Escola de Comunicação e Arte da USP Ana Mae Tavares Bastos Barbosa; já na categoria Exatas e Ciências da Terra, venceu a professora aposentada do Instituto de Física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Iris Concepcion Linares de Torriani.

Além das vencedoras, o prêmio também homenageou três outras cientistas com menções honrosas, entre as quais estão duas Acadêmicas, a socióloga e ex-ministra da Saúde Nísia Trindade Lima e a química e professora da Universidade Federal do Alagoas (UFAC) Marília Oliveira Fonseca Goulart. A terceira homenageada foi a professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP Maria Arminda do Nascimento Arruda.

As premiadas: Maria Arminda Arruda, Iris Concepcion de Torriani, Marília Oliveira Goulart, Luisa Lina Villa, Nísia Trindade Lima e Ana Mae Tavares Barbosa (Foto: SBPC)

Acadêmicas homenageadas

“É com muita satisfação e gratidão que recebo o Prêmio Carolina Bori. Um prêmio dessa magnitude não se recebe sozinha, por isso há muitos agradecimentos a fazer”, iniciou a Acadêmica Luisa Lina Villa, celebrando os orientadores e alunos que teve ao longo da carreira. “É muito importante fazer uma menção ao ser mulher na ciência, agradecer não só às mulheres que me acompanharam, mas também aquelas milhares de mulheres que participam de ensaios clínicos e estudos, que generosamente cedem suas amostras, seu tempo e sua intimidade, para que sejamos capazes de fazer ciência de qualidade que retorna à sociedade”, complementou a pesquisadora referência internacional no estudo do HPV, doença contra a qual ajudou a desenvolver uma vacina.

Por sua vez, a Acadêmica Nísia Trindade falou de sua atuação enquanto presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) – quando liderou a instituição na corrida pela vacina – e posteriormente como ministra da Saúde. “Além da minha formação na UERJ e Iuperj, a Fiocruz foi a minha grande escola, que me formou para algo muito complexo e difícil, a construção institucional e a transformação de políticas públicas. O Brasil precisa de projeto e reconstrução, retomamos muita coisa no atual governo mas ainda temos uma tarefa coletiva, que depende da comunidade científica e de nós, mulheres cientistas, que somos lutadoras pelo nosso espaço e reconhecimento”, discursou.

Pesquisadora já reconhecida com prêmios nacionais e internacionais por suas contribuições desde a química de produtos naturais até ao combate doenças cardiometabólicas e promoção da saúde materno-infantil, a Acadêmica Marília Goulart fez um discurso mais pessoal. “Quero lembrar dos meus pais, eles eram amantes da ciência e é da família que vem essa formação. Meu pai era engenheiro e trabalhou até os 95 anos e minha mãe não pôde, porque teve sete filhos. Mas ela amava tanto a ciência que, quando eu ganhei Jovem Cientista, ela falava para todos ‘minha filha é jovem cientista!’. Hoje ela estaria falando ‘minha filha é vencedora do Carolina Bori!’”, recordou emocionada.

Assista à premiação completa:

(Marcos Torres para ABC, 12/02/2025)