Cuba e o apagão que começa fora da rede

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*Artigo do Acadêmico Celso Pinto de Melo, professor aposentado da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), para o GGN

O cotidiano da crise cubana se manifesta de forma mais visível nos apagões, que afetam a produção, os serviços públicos e a vida doméstica. É a partir dessa crise elétrica – concreta, mensurável e recorrente – que se revelam os constrangimentos econômicos, tecnológicos e geopolíticos mais amplos que hoje cercam o país.

Costuma-se explicar essa situação como um efeito quase automático do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos. O bloqueio é, sem dúvida, um elemento central: restringe o acesso ao crédito, encarece as importações, dificulta a manutenção e fragmenta as cadeias de suprimento. Quando tratada isoladamente, essa explicação obscurece como o bloqueio atua hoje, menos como um ato político pontual e mais como um sistema duradouro de constrangimentos estruturais que condiciona o funcionamento do setor energético cubano. A crise elétrica da ilha é, portanto, também – e talvez sobretudo – uma crise geopolítica.

Crise elétrica, sistema isolado e vulnerabilidade estrutural

Para compreender essa dimensão, convém partir da escala concreta do problema e de como ela se projeta sobre o sistema elétrico existente. Cuba possui cerca de 110 mil km², população em torno de 11 milhões de habitantes e consumo anual de eletricidade entre 15 e 18 TWh (IEA, 2023; IRENA, 2024), números compatíveis com sistemas plenamente administráveis em condições normais de financiamento e integração.

(…)

Leia o artigo completo no GGN.

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Os artigos de opinião assinados não refletem necessariamente a opinião da Academia Brasileira de Ciências, sendo de inteira responsabilidade de seus autores.

(GGN, 09/02/2026)