O ex-presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC) Luiz Davidovich e o Acadêmico Renato Cordeiro, professor emérito do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), participaram do debate “Vozes da Ciência – O Brasil que queremos”, promovido pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) com o tema “Educação para a Emancipação: da Educação Básica à Pós-Graduação”.
Luiz Davidovich trouxe ao debate o documento “Subsídios para a Reforma da Educação Superior”, lançado pela Academia em 2004, que trouxe propostas para um modelo mais integrado e multidisciplinar de universidade. Esse modelo deu origem à Universidade Federal do ABC (UFABC), que segue oferecendo aos estudantes uma grade e um modelo de progresso mais diversificado e fluído.
O ex-presidente da ABC defendeu que os currículos atuais das universidades públicas precisam se tornar mais dinâmicos e atender às novas demandas da sociedade, sob o risco de continuarem perdendo alunos para instituições privadas sem qualidade comprovada. Davidovich terminou trazendo uma frase proferida pelo então presidente da Universidade de Harvard, Lawrence Summers, quando perguntado sobre uma mudança curricular naquela instituição. “Toda invenção humana deve ser revista após 25 anos, especialmente à luz das transformações trazidas pela ciência e pela globalização”, respondeu o mandatário.
Já Renato Cordeiro relembrou o programa dos Centros Integrados de Educação Pública (Cieps), implantados no Rio de Janeiro nas décadas de 80 e 90, mas descontinuados. “A educação só é plena quando integral, equânime e centrada na visibilidade humana. Darcy Ribeiro entendia que uma criança não aprende com fome, por isso os Cieps forneciam quatro refeições diárias, banho e atendimento médico. (…) O regime de tempo integral com esporte, cultura e lazer afastava o jovem dos perigos da rua”.
Ambos elogiaram o desenvolvimento atingido pela China em educação nos últimos vinte anos e projetaram um olhar atento sobre os exemplo do país asiático, especialmente num período de turbulência geopolítica e erosão institucional dos Estados Unidos. “Para o Brasil a lição é inequívoca, não existe meio termo. Ou seguimos o caminho da emancipação ou seremos arrastados pelo negacionismo, 2026 já chegou”, finalizou Cordeiro.
O debate contou ainda com as professoras Malvina Tuttman, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), que defendeu como mais importante a valorização dos professores através de garantias salariais e de carreira; e Marcia Angela da Silva Aguiar, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que reforçou o papel da ciência na promoção da educação e no processo de emancipação da sociedade através do pensamento crítico e transformador.
Assista ao debate na íntegra: