*Artigo de Adalberto Val (Inpa), vice-presidente da ABC para a região Norte; Francisco Ribeiro da Costa (Unifesspa); Leandro Juen (UFPA); Suzana Braz-Mota (Inpa) e Tiago da Mota e Silva (Inpa) para o The Conversation.
A Amazônia ocupa um lugar paradoxal na ciência brasileira. Apesar de concentrar alguns dos maiores desafios socioambientais do século 21 — como desmatamento, mudanças climáticas, insegurança alimentar, conflitos territoriais e perda acelerada da biodiversidade —, a Amazônia continua recebendo uma fração desproporcionalmente pequena dos recursos destinados à ciência e tecnologia no Brasil.
Essa assimetria histórica limita não apenas a capacidade científica regional, mas também a efetividade das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável da região.
Recentemente, observou-se um novo exemplo dessa desigualdade estrutural. Em uma chamada suplementada do CNPq voltada à ampliação de bolsas de pós-doutorado no país, menos de 4% das bolsas foram destinadas à região Norte. O número contrasta com a importância da Amazônia, que representa mais da metade do território nacional, contribui com 9,6% do PIB total do país (2022) e concentra uma parte expressiva das agendas científicas e das estratégias do país.
Essa distribuição desigual de recursos define, dentre outras coisas, onde jovens doutores conseguirão permanecer, onde grupos conseguirão se consolidar e em quais regiões as redes científicas ganharão maior densidade.
Essa lógica reforça um padrão conhecido: a Amazônia segue amplamente estudada, mas raramente decide os rumos da ciência que se faz sobre ela. Os principais centros de decisão permanecem concentrados em outras regiões do país ou no exterior, o que fragmenta os esforços científicos e dificulta a transformação do conhecimento produzido localmente em benefícios diretos para as populações amazônicas e para a conservação do bioma. Ainda assim, são as instituições amazônicas que sustentam parte relevante dessa produção, mesmo operando com menos recursos e maior instabilidade.
A potência da Amazônia em rede
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