*Adaptado de texto de Rafael Revadan para o Jornal da Ciência
A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) anuncia as vencedoras da 7ª edição do Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher. A premiação é uma homenagem anual da SBPC para reconhecer o talento e a dedicação de mulheres e meninas brasileiras que constroem o futuro da ciência.
Na categoria Humanidades, a vencedora foi a professora emérita da Universidade de São Paulo (USP), Anna Mae Tavares Bastos Barbosa; já na categoria Exatas e Ciências da Terra, a premiada foi a professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Iris Concepcion Linares de Torriani; e na categoria Ciências Biológicas e da Saúde, a ganhadora foi a professora da Universidade de São Paulo, Luisa Lina Villa.

A 7ª edição do Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher também concedeu três menções honrosas. Na categoria Humanidades, o destaque foi para Maria Arminda do Nascimento Arruda, professora da Universidade de São Paulo; já no campo de Exatas e Ciências da Terra, o reconhecimento foi dedicado à [Acadêmica] Marilia Oliveira Fonseca Goulart, docente da Universidade Federal de Alagoas (UFAL); na área de Ciências Biológicas e da Saúde, a menção honrosa foi para a Acadêmica/ Nísia Verônica Trindade Lima, professora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
O prêmio é realizado anualmente, alternando duas categorias – “Mulheres Cientistas” e “Meninas na Ciência”. Esta edição foi dedicada às “Mulheres Cientistas”, que homenageia pesquisadoras com trajetórias de destaque em três grandes áreas do conhecimento: Humaniddes; Ciências Biológicas e da Saúde; e Engenharias, Exatas e Ciências da Terra.
Encerrado em novembro, o processo de indicações de homenageadas resultou em 94 candidatas válidas.
“Tivemos um número excelente de candidatas, além de serem excelentes cientistas. Porque não só o número aumentou, mas a qualidade também, está cada vez mais difícil a escolha das ganhadoras. São pessoas com trajetórias bastantes longas na ciência, com dedicação enorme a vida toda. Mulheres que se dedicaram, mas também mostraram a sua capacidade de produzir um conhecimento que proporcionou a transformação de uma área, ou um conhecimento que trouxe benefícios para a saúde, o desenvolvimento humano, e que também gerou outros conhecimentos”, detalha a vice-presidente da SBPC e coordenadora desta edição, Soraya Smaili.
Após as inscrições, as candidaturas foram analisadas por uma comissão julgadora formada por nove cientistas mulheres, de diversas instituições do País, que definiu uma vencedora e uma menção honrosa em cada área do conhecimento. Para isso foram considerados alguns critérios, como relevância e qualidade da trajetória; impacto científico, educacional ou social; e diversidade regional e institucional. [A Academia Brasileira de Cuências participou do júri e foi representada pela vice-presidente daRegião Rio de Janeiro, Patricia Bozza.]
Pesquisadora do Laboratório Nacional de Computação Cientifica (LNCC/MCTI), diretora da SBPC e coordenadora da comissão julgadora do Prêmio na categoria de Exatas e Ciências da Terra, [a Acadêmica] Ana Tereza Ribeiro de Vasconcelos afirma que uma das riquezas é conhecer histórias de vida que impactaram o País. “Foi muito importante para mim participar de mais essa edição do Prêmio Carolina Bori por identificar quantas mulheres já fizeram tanto pelo Brasil. Eu trabalhei principalmente na área de Exatas e pude notar mulheres que tiveram uma trajetória de vida implementando linhas novas de estudo que estão rendendo frutos até hoje. Mulheres que tiveram que, à frente do seu tempo, enfrentar barreiras, e que têm um currículo maravilhoso. É muito importante para a SBPC e para todos nós termos essa lista de pessoas tão empoderadas, que podem fazer e fizeram o avanço da ciência. Todas elas são merecedoras desse prêmio tão importante para a gente.”
Conheça as ganhadoras
Vencedora da categoria Humanidades, Anna Mae Tavares Bastos Barbosa possui graduação em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (1960), mestrado em Art Education – Southern Connecticut State College (1974) e doutorado em Humanistic Education – Boston University (1978). Além de ser professora emérita da USP, é também professora da Universidade Anhembi Morumbi.
Sua trajetória acadêmica é marcada pela atuação nas áreas de Ensino da Arte e contextos metodológicos, História do Ensino da Arte e do Desenho, Interculturalidade, Estudos de Museus de Arte, entre outros temas. É referência de arte-educação no Brasil, principalmente por conta da sua luta pelo reconhecimento da área e sistematização da Abordagem Triangular no ensino da Arte.
Já a ganhadora da categoria Exatas e Ciências da Terra, Iris Concepcion Linares de Torriani, é física (Universidad de Buenos Aires/Universidad Nacional de La Plata, 1965) e doutora em Física pela Universidad Nacional de La Plata (1975), com estágio doutoral na University of Pennsylvania (Johnson Foundation, Dept. of Biophysics). Em 1976 chegou ao Instituto de Física “Gleb Wataghin” (IFGW) da Unicamp, onde consolidou uma trajetória acadêmica marcada pela liderança científica, formação de pessoas e pela implantação de uma infraestrutura estratégica para a comunidade de cristalografia e de materiais no Brasil.
Entre 1989 e 2004, dirigiu o Laboratório de Cristalografia Aplicada e Raios X do IFGW, onde teve uma atuação intimamente associada ao Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS/CNPEM). Sua produção acadêmica abrange contribuições em matéria condensada, nanoestruturas, polímeros, biomateriais e biologia estrutural, além de interfaces com técnicas complementares (como NMR e instrumentação de feixe síncrotron).
Por fim, a vencedora da categoria Ciências Biológicas e da Saúde, [a Acadêmica] Luisa Lina Villa, possui graduação em Ciências Biológicas pela USP (1972) e doutorado em Ciências (Bioquímica) pelo Instituto de Química da USP (1978). É referência internacional em HPV, e trabalhou com o desenvolvimento da vacina profilática contra HPV – o HPV está relacionado a 100% dos casos de câncer de colo do útero. Foi diretora do Instituto Ludwig e coordenou o INCT-HPV. Professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), lidera o Laboratório de Inovação em Câncer do ICESP (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo). Também é membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e Comendadora do Mérito Científico.
A cerimônia de entrega da 7ª edição do Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher será realizada no dia 11 de fevereiro de 2026, no Centro MariAntonia da USP, em São Paulo. Nesta edição, as premiadas receberão uma premiação em dinheiro no valor de R$ 25 mil, entre outras homenagens.
Esta 7ª edição do Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher tem o patrocínio da Fundação Conrado Wessel e o apoio da Fundação Péter Murányi, do CGEE (Centro de Gestão e Estudos Estratégicos) e do Centro MariAntonia.