*Reportagem original do Metropoles
Os dinossauros estão entre as criaturas mais famosas da história da Terra e seguem despertando fascínio em pessoas de todas as idades. Presentes em filmes e museus, eles parecem sempre cercados de mistério. Mas, fora da ficção, como começa o trabalho de encontrar esses animais que viveram há milhões de anos?
O ponto de partida está no tipo certo de rocha. O paleontólogo Rodrigo Miloni Santucci, da Universidade de Brasília (UnB), de Planaltina, explica que fósseis costumam ser encontrados em rochas sedimentares, formadas a partir do acúmulo de areia ou lama ao longo do tempo.
“Essas rochas se formam, por exemplo, em rios, lagos, praias e até em ambientes desérticos, onde o vento acumula sedimentos. É nesse processo que restos de seres vivos podem acabar soterrados e preservados”, explica.
No caso dos dinossauros, os pesquisadores procuram rochas sedimentares de origem continental e com idades específicas, entre cerca de 230 milhões e 66 milhões de anos, período em que esses animais viveram. Rochas mais antigas não servem porque os dinossauros ainda não existiam, e as mais recentes já pertencem a um tempo posterior à extinção.
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Do achado à identificação científica
O diretor do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), [o Acadêmico] Alexander Kellner, explica que a identificação ocorre em etapas e pode levar muito tempo.
“No campo, o pesquisador costuma fazer uma identificação preliminar, algo como suspeitar se é um osso de dinossauro, de crocodilomorfo ou de peixe”, diz Kellner, que também é membro da Academia Brasileira de Ciências.
Depois da coleta, o material vai para o laboratório, onde passa por um processo cuidadoso de preparação. A rocha que envolve o fóssil é removida, revelando detalhes que permitem uma identificação mais precisa.
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