Pesquisadores repudiam cortes no orçamento de ciência e universidades para 2026

Compartilhar
Compartilhar
Compartilhar
Compartilhar

Pesquisadoras e pesquisadores vinculados ao programa Conhecimento Brasil – que trará de volta cientistas que atuam em 34 países – divulgaram, em dezembro de 2025, uma nota de repúdio à aprovação do orçamento federal de 2026 pela Câmara dos Deputados, que impõe novos cortes aos recursos destinados à ciência, tecnologia e inovação no país.

De acordo com o texto aprovado, os orçamentos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) sofreram reduções de R$ 359,3 milhões e R$ 92,4 milhões, respectivamente, em relação à proposta original, o que representa uma queda superior a 7% em termos reais quando comparado a 2025. Além disso, as universidades federais enfrentarão uma diminuição de R$ 488 milhões em seus recursos discricionários, comprometendo o funcionamento das instituições, a manutenção da infraestrutura, a assistência estudantil e as atividades de ensino, pesquisa e extensão.

Os pesquisadores alertam que o conjunto dessas medidas ameaça a continuidade de projetos científicos, a permanência de estudantes e pesquisadores no sistema nacional de ciência e os esforços de internacionalização da pesquisa brasileira. Programas estruturantes, como o próprio Conhecimento Brasil, voltados à cooperação internacional e à qualificação científica, dependem de estabilidade e previsibilidade orçamentária, agora colocadas em risco.

A nota também critica a ampliação dos recursos destinados às emendas parlamentares, que alcançarão R$ 61 bilhões, e o aumento do Fundo Eleitoral, de R$ 1 bilhão para R$ 4,9 bilhões, apontando uma inversão de prioridades incompatível com um projeto de desenvolvimento baseado em conhecimento, inovação e redução das desigualdades.

Ao final, os signatários defendem a recomposição dos recursos para ciência, tecnologia e inovação, o fortalecimento das agências de fomento, a restauração do orçamento das universidades federais e maior transparência na alocação dos recursos públicos. Reiteram que a ciência brasileira não é um custo, mas um investimento essencial para o desenvolvimento e a soberania do país, e conclamam o Congresso Nacional a rever as decisões orçamentárias recentes.

Acesse aqui a nota na íntegra, com a lista de signatários