A presidente da Academia Brasileira de Ciências, Helena Nader, participou de podcast da revista Pesquisa Fapesp publicado em 19 de dezembro de 2025. Na ocasião, Nader fez um balanço de parceria com a China.
O podcast é apresentado por Fabrício Marques e contou com produção, roteiro e edição de Sarah Caravieri.
Eleita membro da Academia Chinesa de Ciências (CAS) em outubro, Helena Nader visitou diversas instituições científicas no país em 2025. Ela conta que a China investiu muito nos anos recentes em ciência, tecnologia e inovação (CT&I), assim como em educação. Observou que o Brasil investiu na criação de universidades, mas que a infraestrutura de pesquisa está abandonada. Já a China investiu pesadamente na criação de laboratórios de pesquisa por todo o país, aproveitando as capacidades regionais. “Eles têm muito a nos ensinar”, comentou.
A percepção dos cientistas chineses sobre a ciência brasileira, na visão de Nader, é de que existem áreas de competência científica brasileira nas quais eles têm a aprender – em doenças negligenciadas, em câncer, em mudanças climáticas, por exemplo. Destacou a forte colaboração já existente entre os dois países em transição energética e luz síncrotron.
A presidente da ABC contou que a China está investindo muito na área de microbiologia. “Por exemplo, tem um instituto dedicado a estudar a medicina tradicional chinesa sob a ótica das evidências científicas”, ressaltou. Na área da geração de energia hidrelétrica, a China tem uma prática muito positica, diferente do Brasil: ela retira as pessoas do local da construção de hidrelétricas, mas depois de prontas levam as pessoas de volta, para que possam continuar trabalhando na sua região, fortalecendo suas raízes.
Nader relatou uma visita a uma ilha no sul da China onde foi construído um Instituto do Fundo do Mar, com equipamentos sofisticados para estudar o mar profundo, com cientistas do mundo inteiro e publicações nas melhores revistas científicas em apenas três anos de existência. “É surpreendente a evolução da ciência chinesa em termos de qualidade”, apontou. No entanto, os cientistas chineses têm clareza sobre o fato de ainda terem miséria no país e a necessidade de resolver essa questão por meio da ciência.