A ciência tem o poder de transformar a sociedade, trazendo respostas para desafios complexos e impactando a vida das pessoas. É essa capacidade de desvendar o desconhecido e contribuir para o avanço do conhecimento que encanta Fausto Bruno dos Reis Almeida, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP).
Nascido em Goiânia, capital do estado de Goiás, Fausto Almeida morou lá até os 22 anos. Foi uma criança feliz, cercado por uma família amorosa e amigos que sempre o incentivaram. Desde cedo, gostava de explorar a natureza e entender como as coisas funcionavam. Brincava muito ao ar livre, praticava esportes, principalmente natação, e se interessava por atividades que envolviam observação e descoberta. Na escola, suas matérias favoritas eram biologia e química, pois era fascinado por compreender os processos da vida e as reações que moldam o mundo ao nosso redor.
Seus pais sempre foram extremamente dedicados à família e atentos à educação dos três filhos. Os dois mais velhos se tornaram um, arqueólogo, e o outro, engenheiro civil. Fausto é o caçula. A família não media esforços para garantir uma boa formação e sempre o incentivou a buscar a excelência acadêmica, o que foi fundamental para sua trajetória científica.
A ciência surgiu naturalmente da curiosidade de Fausto sobre o mundo. “Por meio da ciência, conseguimos entender e até intervir na natureza”, disse. Essa era a sua paixão, reforçada no ensino médio por uma professora de biologia que lhe apresentou os conceitos da biologia molecular e da microbiologia. Além disso, ler sobre cientistas como Carl Sagan e Albert Einstein também o inspiraram a buscar respostas e questionar o funcionamento da vida.
Seu profundo apreço pela ciência e pela natureza o levou a cursar ciências biológicas na Universidade Federal de Goiás (UFG). A escolha foi quase instintiva, pois queria compreender os mecanismos que regem algumas doenças e poder solucioná-los. Durante a graduação, a iniciação científica sob orientação do professor Cirano José Ulhoa, um exímio bioquímico e uma referência acadêmica, foi um divisor de águas, pois lhe mostrou o impacto da pesquisa na sociedade. Depois do primeiro experimento bem-sucedido no laboratório, do qual Fausto Almeida se recorda como um momento de verdadeira realização, ele decidiu seguir a carreira acadêmica.
Fausto acredita ter sido agraciado com muita sorte ao longo de sua trajetória acadêmica, pois além do professor Cirano, que lhe ensinou não apenas ciência, mas também a ética na pesquisa, teve o privilégio de ser orientado por pesquisadores brilhantes e íntegros. Ainda na graduação, foi selecionado para um estágio pelo Programa Aristides Pacheco Leão (PAPL), da Academia Brasileira de Ciências (ABC), permanecendo por quase dois meses no laboratório dos professores José Osvaldo Previato e Lúcia Mendonça Previato, na UFRJ. Encantou-se com as pesquisas conduzidas pelos professores, especialmente na área da glicobiologia, e reconhece que essa experiência, proporcionada pelo programa de estímulo a vocações científicas, foi decisiva para os rumos que seguiria posteriormente.
No mestrado, ingressou na Faculdade de Medicina Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP/USP), onde foi orientado pela professora Maria Cristina Roque Antunes Barreira, uma renomada glicobiologista cujas linhas de pesquisa, especialmente uma sobre infecções fúngicas, despertaram grande admiração em Fausto. Ele destaca que a professora Cristina é uma cientista excepcional, que o inspirou a buscar excelência na pesquisa e no ensino, e que sua dedicação e compromisso com a ciência e a Universidade são admiráveis. Fausto deu continuidade à sua formação sob a orientação da professora Cristina durante o doutorado em Biologia Celular e Molecular na FMRP-USP, realizando também um período sanduíche na Universidade do Texas em El Paso, sob supervisão do professor Igor C. Almeida.
Mais tarde, conheceu o professor Márcio Rodrigues, que lhe abriu a porta para a pesquisa com vesículas extracelulares, um campo inovador na microbiologia. Foi ele que indicou Fausto para realizar um pós-doutorado com o professor Arturo Casadevall, um dos cientistas mais visionários e brilhantes da atualidade. Na época, ele ainda estava no Albert Einstein College of Medicine, em Nova Iorque. “Trabalhar com o professor Arturo foi uma experiência transformadora, tanto do ponto de vista intelectual quanto profissional, pois sua abordagem inovadora e seu compromisso com a ciência serviram como um modelo inspirador para minha carreira”, declarou Almeida.
Hoje, Fausto Almeida é professor livre-docente da FMRP/USP. Sua pesquisa é focada no estudo de vesículas extracelulares em infecções fúngicas, estruturas fundamentais na comunicação celular e na interação entre microrganismos e hospedeiros. “Esse campo tem aplicações diretas na compreensão de doenças infecciosas e no desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas”, explicou Fausto. De fato, o estudo dessas vesículas pode abrir caminhos para tratamentos mais eficazes contra infecções causadas por fungos, bactérias e vírus, bem como tratamento contra diversos tumores, além de contribuir para estratégias inovadoras em imunoterapia.
Ele avalia a nomeação como membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências como um reconhecimento de grande valor para sua trajetória. “É uma responsabilidade e uma oportunidade de contribuir para o fortalecimento da ciência no Brasil. Pretendo atuar incentivando jovens cientistas, promovendo a educação científica e participando de iniciativas que aproximem a pesquisa da sociedade”, afirmou o Acadêmico. “Acredito que a pesquisa científica é uma construção coletiva, e espero continuar contribuindo para o avanço da ciência no Brasil e no mundo.”
Além da ciência, Fausto tem grande interesse por música – aprecia desde MPB até rock clássico. Também gosta de literatura, especialmente biografias, livros de divulgação científica e obras de realismo mágico, como as de Gabriel García Márquez e Ariano Suassuna, que misturam poesia e fantasia em história. “Acredito que entender a trajetória de grandes mentes nos ajuda a refletir sobre nossas próprias escolhas”, observou. Em cinema, é fã de ficção científica e documentários. Nos momentos de lazer, gosta de estar com a família, amigos e com sua cadela Benedita, gosta de nadar, viajar, conhecer novos lugares e estar em contato com a natureza, pois são esses momentos de desconexão que mantêm sua criatividade e inspiração.