Artigo de Acadêmico ganha repercussão internacional

17 de janeiro de 2019 Por (Divulgação da UFBA)

Em 1997, foi publicado com destaque artigo intitulado “Demônio no diesel”, no “This Week Science and Technology News”, na página 4 da New Scientist de 25 de outubro. O texto, que tratava da 3-nitrobenzantrona, dizia que “os caminhões expelem o que talvez seja o produto químico mais carcinogênico já descoberto”.

Esta foi a substância química que atingiu a maior pontuação já relatada em um teste de Ames, que é uma medida padrão do potencial causador de câncer por produtos químicos tóxicos. Nos 20 anos seguintes vários estudos foram publicados sobre a 3-nitrobenzantrona (3-NBA) e a 2-nitrobenzantrona (2-NBA) sem, entretanto, indicar a quantificação inequívoca destes compostos no ambiente.

O material particulado atmosférico é composto por partículas com diâmetro aerodinâmico nas escalas micrométrica e nanométrica, sendo que as que apresentam maior potencial toxicológico são aquelas com diâmetro aerodinâmico menor que 2,5 micrometros (PM2,5), pois podem atingir os alvéolos pulmonares.

A 3-NBA e a 2-NBA são, de certa forma, substâncias negligenciadas, que precisam ser consideradas em estudos ambientais e toxicológicos para o melhor entendimento dos mecanismos de incidência de câncer de pulmão na população de grandes centros urbanos.

Apesar da grande importância dessas substâncias, visto o potencial carcinogênico das mesmas, não há ainda estudos científicos em nível mundial que relatem a ocorrência inequívoca da 3-NBA e 2-NBA na atmosfera ou em outros compartimentos ambientais.

No trabalho publicado em 9 de janeiro de 2019 na Scientific Reports, do grupo Nature, pelos cientistas baianos Aldenor G. Santos, Gisele O. da Rocha e Jailson B. de Andrade, foram identificados e quantificados (3-NBA) e (2-NBA) no material particulado fino (PM2,5) do ambiente atmosférico de Salvador, na Bahia.

O estudo baiano contou com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), Petrobras e Marinha do Brasil.

Sobre os autores

Aldenor G. Santos é doutor em química, professor do Centro Universitário Unijorge. O presente estudo fez parte da sua tese de doutorado. Gisele O. da Rocha é doutora em química, professora associada do IQ-UFBA e pesquisadora ínvel 2 no CNPq; e Jailson B. de Andrade, professor titular de química aposentado na UFBA, professor titular do Centro Universitário Senai-Cimatec, pesquisador 1A no CNPq, membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e presidente da Academia de Ciências da Bahia.