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Ciências Agrárias | MEMBRO TITULAR

Johanna Döbereiner

(DÖBEREINER, J.)

28/11/1924
Brasileira
19/04/1977
05/10/2000

Nascida e criada em Praga, Checoslováquia, mas com a família expulsa da pátria após a segunda guerra mundial, trabalhou três anos como empregada de fazendas na Alemanha. Em 1947, entretanto, conseguiu entrar na Faculdade de Agronomia da Universidade de Munique, onde se formou em 1950 como engenheira agrônoma. Neste ano se casou com Jurgen Döbereiner e seguiu seu pai, Paul Kubelka, para o Brasil. Após seis meses, em maio de 1951, foi contratada pelo então diretor geral do SNPA para o Instituto de Ecologia e Experimentação Agrícola, Seropédica, RJ, que mais tarde foi transformado em um Centro de Agrobiologia da EMBRAPA e onde trabalha até hoje (1997).
Com a formação em agronomia na Alemanha, onde aprendeu que somente leguminosas têm a capacidade de entrar em simbiose com bactérias fixadoras de nitrogênio atmosférico, chamou-lhe a atenção, desde o início, o plantio em monocultura de cana-de-açúcar sem adubação nitrogenada não apresentar queda de produtividade. Já nos anos 50, encontrou então uma bactéria diazotrófica nova, que denominou Beijerinckia fluminensis que se associa às raízes da cana-de-açúcar. Desde aquele tempo, sua pesquisa focalizou na fixação de nitrogênio em gramíneas e descreveu junto com seus colaboradores e alunos, mais seis bactérias diazotróficas novas, dobrando o número de bactérias conhecidas deste tipo. Nos últimos anos, Johanna e seu grupo descobriram associações completamente diferentes destas com gramíneas que explicam muito melhor as elevadas taxas de nitrogênio atmosférico que a cana-de-açúcar e outras gramíneas obtêm. Quatro das bactérias foram demonstradas ser endofíticas obrigatórias que colonizam raízes, colmos e folhas de cana e de cereais sem causar sintomas patogênicos representando uma simbiose quase tão perfeita como a das leguminosas.
Como recompensa por esta pesquisa, Johanna recebeu o título de Doutor Honoris Causa da UFRRJ e da Universidade da Flórida. Foi eleita membro da Academia Brasileira de Ciências e da Academia Pontifícia de Ciências em 1977 e “founding member” da Academia do Terceiro Mundo em 1981. Recebeu dez prêmios científicos e foi admitida na Ordem Nacional do Mérito Científico, na classe Grã-Cruz em 1994.